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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Ensinamentos

Deixei passar a meia noite e estava a pensar no dia mundial do cancro. É um dia em que me faz pensar na sorte que tenho por estar viva, por ter respondido ao tratamento, por ter conseguido encarar a mastectomia como um passo para estar viva, por ter tido sempre amigos e família por perto, por estar a ver a Rita a crescer (socorro nesta parte).

Sei que no meio de tudo o que aconteceu, no meio da gravidade da situação e da incerteza que ia crescendo, o cancro também me ensinou algumas coisas. 

Ensinou-me a desprender, ensinou-me a distinguir e a selecionar as lutas que quero travar. Ensinou-me a ser resiliente, mas também a refilar mais e a expressar a minha opinião. 

 Ainda hoje comentava com duas colegas que refilo e bufo de vez em quando. Deixei de conseguir engolir sapos ou comer catos. E quando não quero sequer refilar, afasto-me...que melhor do que termos a firmeza de saber ignorar e avançar quando sabemos o que é importante e temos as nossas fronteiras bem definidas.

O cancro tirou-me muito aos 33 anos, mas também ensinou. E não só a mim, a todos à minha volta que foram afetados também.

Cuidem da vossa saúde, alimentem-se bem e façam sempre exames de vigilância. Este foi um legado do cancro...chatear a malta! 

Beijinho & Keep it Simple!

Vera

segunda-feira, 24 de março de 2014

A genética da coisa

Estou bem.

Recebi hoje o resultado do teste genético do BRCA 1 e 2, os famosos genes com mutação do cancro de mama. Aguardava este resultado há 2 meses e quando vi o email do IPATIMUP, nem sabia se abria o anexo, ou se devia aguardar pelo Nuno.

Esta dúvida pairou no ar uns milésimos de segundo...abri logo o anexo. Vi um relatório, fiz leitura na diagonal e li algures, sem saber bem onde, que não havia relevância dos marcadores....voltei ao início e num turbilhão de sensações, li o relatório.

O significado deste resultado pode ser interpretado de imensas formas e vai ser importante para determinar o modus operandi e a extensão da cirurgia. No entanto, interessa-me, principalmente, pela parte de hereditariedade. Em caso positivo, havia uma possibilidade de 50% destes genes serem transmitidos à Rita e isso andava a massacrar-me diariamente. Fiquei mais descansada por ela. Realmente, um filho completa-nos e liberta-nos do egoísmo.

Na semana passada não atendi o telefone a muita gente amiga. Peço-vos desculpa, mas há dias, horas, momentos em que não me apetece falar com ninguém. Pode parecer (e se calhar é) egoísmo puro e duro, mas peço que compreendam. São muitas coisas ao mesmo tempo. Não é fácil lidar com um cancro, estar isolada, ter de estar sempre bem para a Rita...mas vamos conseguir levar o barco com sucesso, porque somos muitos a remar no mesmo sentido.

E a união faz a força, certo?