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quarta-feira, 12 de março de 2025

Soneca, costura e steri-strips

 Há 8 dias atrás, estava eu na azáfama de pré-cirurgia. Documentos e exames médicos, organizar o dia em que ia estar fora, transportes e dormida da Rita em casa da amiga, porque a entrada no Hospital da Arrábida era cedo. Por mais experiência que se tenha, há ali sempre um nervoso miudinho que se instala no dia anterior e que se tenta camuflar com as verborreias do costume..."é só mais um corte"!

Pois então, mais uma ida ao bloco porquê?
Segundo o Nuno, eu gosto e tinha saudades do bloco. Sadomasoquismo, segundo ele. 

Só que não...não é gosto pelo bloco, mas também não se pode dizer que me cause estranheza nem qualquer sentimento de aversão. É o que é, é o que tem de ser.

Uma espécie de quisto que se formou na última cirurgia de reconstrução e que se manteve aqui, mais ou menos, sossegadito até novembro passado. Mas quando infeta e cresce e cria calor no peito, a sensação é algo estranha e de desassossegar até as almas mais sossegadas.  Especialmente as almas que tiveram cancro inflamatório da mama e cujos sintomas envolvem calor, inflamação e alguma dor. 

Uma ida ao oncologista sossegou os ânimos na altura, uma ecografia mostrou tecidos nada suspeitos...antibiótico, anti-inflamatórios e bota para casa. Só que voltou a manifestar-se pouco depois novamente e ultimamente lembrava-me da sua existência de forma pouco simpática. 

Gosto pouco que me incomodem e não o convidei a instalar-se. Portanto, mais um corte, mais uma cicatriz em cima da outra e mais uns dias a dormir sem posição e a ganhar calo num certo sítio. Lembrava-me um destes dias que dormi mais de 3 meses de barriga para cima, semi-sentada, quando fiz a  primeira grande cirurgia. Portanto, há que aguentar agora uns dias.

O dito cujo foi para análise, como todos os tecidos que são retirados e em breve vou saber que o "nódulo de citoesteatonecrose" não passava disso mesmo...uma cena com nome feio no meu peito. 

E, com isto, voltei a descobrir que com cicatrizes frescas se devem evitar a tosse, os movimentos bruscos ou a vontade de ser independente e de fazer tudo sozinha. Pior do que tudo, é mesmo tentar controlar os meus "espirros silenciosos" e toda a turbulência que causam nos meus steri-strips!
O Olaf entende-me bem!


Para quem está na luta, coragem e boa disposição.
O cancro não gosta de hormonas felizes. 

Beijinho

vera

 Ps. Para o meu sobrinho M., 2 entradas no blog e ainda só estamos em março! Este ano promete!!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Dia da Luta, os 44 e o fim do rosinha!

Já passou mais de 1 ano desde a última entrada no blog. Ainda um destes dias dizia à Rita que o facto de escrever durante o cancro tinha ajudado a manter a sanidade mental durante o annus horribilis. Na verdade, tem ajudado ao longo dos anos e, de vez em quando, volto cá para reler certas entradas e pensar... "f******, se aguentaste isto, não há-de ser este ou aquilo que te deita abaixo!"

Hoje, no Dia Mundial da Luta contra o Cancro fui à consulta semestral de oncologia, ver o meu querido Dr. Leal. Há 11 anos a ser recebida pelo carinho constante e cuidado deste médico que se tornou, para muita gente conhecida, um amigo. Encontrei hoje 2 pessoas conhecidas lá...é um lugar comum, cada vez mais um lugar comum e estranhamente, continua a ser casa.

Marcamos hoje o fim de uma relação de alguns anos...eu e o tamoxifeno estávamos juntos desde 2019 e cortamos hoje laços.  Fiz hormonoterapia desde 2014 e tenho sentido no corpo os seus efeitos.

Vendo frescura, é claro, mas daquela frescura que faz estalar os ossos e articulações...que causou osteopenia e mais uma série de efeitos secundários "fófinhos".  Segundo os especialistas cá de casa, o mais sentido foram as alterações de humor...calúnias, na prática.


Deixar a medicação é uma sensação mista...uma espécie de agridoce achinesado.
Sabemos que o comprimido rosa contribuiu para reduzir taxas de recidiva, aumentou a sobrevida de mulheres sobreviventes de cancro de mama e contribuiu para que a esperança ganhasse lugar em muitas casas. É uma esperança rosa, pequenina.

Por um lado, quero parar de tomar medicação, mas por outro lado, há ali uma sensação de proteção que parece que se desvanece.Uns dias de habituação e a vida segue o seu rumo. Dizem  que as hormonas positivas também protegem. 

Pois bem, com 44 anos feitos, eis que posso colocar uma data de fim no tratamento previsto em janeiro de 2014, há muitos anos atrás e que me pareceram um futuro muito distante e, às vezes, impossível.

É possível percorrer a jornada. Uns dias melhores, outros piores, porque nem tudo é rosinha, como o tamoxifeno. Importa continuar.

A quem começa, eis o meu percurso. Registem tudo. Somos o nosso melhor médico e temos de saber tudo o que diz respeito à nossa saúde.

1- Quimioterapia neoadjuvante - início a 8-01-2014, com 4 ciclos de AC + 12 de Herceptin e Paclitaxel
2- Cirurgia -  Mastectomia radical modificada a 17-06-2014
3- Radioterapia - Início a 14-07-2014, 26 sessões, sendo 10 com bólus
4- Herceptin - de 3 em 3 semanas, de  05-04-2014 a 31-03-2015
5 - Tamoxifeno - interrompido numa primeira relação, de 01-07-2014 a 7-10-2014
6- Zoladex - 1 mensal, durante 5 anos, de 8-08-2014 a 24-08-2019
7. Aromasin - diário, de 8-10-2014 a 30-09-2019
8. Tamoxifeno - retoma da relação a 01-10-2019 e fim a 04-02-2025


Abraço,

Vera


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Ensinamentos

Deixei passar a meia noite e estava a pensar no dia mundial do cancro. É um dia em que me faz pensar na sorte que tenho por estar viva, por ter respondido ao tratamento, por ter conseguido encarar a mastectomia como um passo para estar viva, por ter tido sempre amigos e família por perto, por estar a ver a Rita a crescer (socorro nesta parte).

Sei que no meio de tudo o que aconteceu, no meio da gravidade da situação e da incerteza que ia crescendo, o cancro também me ensinou algumas coisas. 

Ensinou-me a desprender, ensinou-me a distinguir e a selecionar as lutas que quero travar. Ensinou-me a ser resiliente, mas também a refilar mais e a expressar a minha opinião. 

 Ainda hoje comentava com duas colegas que refilo e bufo de vez em quando. Deixei de conseguir engolir sapos ou comer catos. E quando não quero sequer refilar, afasto-me...que melhor do que termos a firmeza de saber ignorar e avançar quando sabemos o que é importante e temos as nossas fronteiras bem definidas.

O cancro tirou-me muito aos 33 anos, mas também ensinou. E não só a mim, a todos à minha volta que foram afetados também.

Cuidem da vossa saúde, alimentem-se bem e façam sempre exames de vigilância. Este foi um legado do cancro...chatear a malta! 

Beijinho & Keep it Simple!

Vera

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Dias e meses...

Já me é difícil calcular mentalmente o número de dias em que estive ausente do blog. Não posso culpar a quimioterapia, porque muita gente não entende o conceito do chemo brain e olha para mim com aquele ar de condescendência, como quem diz "Olha a parva. Já terminou a quimio há 6 anos e ainda usa isso como desculpa!".

Usemos, pois, os meses....muito mais fáceis de contar. Desde outubro ausente da blogoesfera. Confinamentos, nova mudança de casa, malas, caixas, trabalho, projetos e projetinhos...alguma coisa tem de ficar para trás, e por norma sou eu...o exercício físico....os livros...e o blog, entre tantas outras coisas.

Aprendi a olhar para o que se não se pode fazer como pacífico e aceitável. Aprendi que o que não tem remédio, remediado está e assim não sofro (tanto) por não fazer tudo o que gostava de fazer. Aprendi que se deve valorizar os pequenos momentos no sofá, o andar sozinha na horta com a  companhia das abelhas (e toupeiras), o ficar sentada no carro com um livro enquanto a criança treina.

Coisas pequenas, claro. Coisas que podem parecer parvas a muita gente. Coisas que para muitos são luxos...mas daqueles luxos que todos podemos ter se assim o quisermos e se assim orientarmos a nossa vida.

Cada vez mais sinto que o maior luxo é mesmo termos saúde, ignorando o cliché. Hoje foi dia de exames de rotina, com a sempre simpática Dra. Isonda. Para a semana, há consulta de oncologia, por isso convém ver se este belo organismo está em bom estado para a revisão com o Dr. Leal. Estar no vestiário antes de exames é um alerta para tudo o que de bom há cá fora.  O cancro tirou-me a "leviandade" com que se fazia os exames médicos antes dele surgir na minha vida e duvido que me devolva essa sensação algum dia. 

Hoje também era o Research Summit na universidade e eu tive de andar em jejum até às 11 e tal...o que vale é que as máscaras disfarçam o mau humor e o meu ar esfomeado. Tive de dividir a ansiedade pelos exames e pelo evento...e achar o ponto de equilíbrio. 

Deixo-vos a imagem de um quadro que comprei recentemente e que traduz o estado de espírito desta jovem quarentona.


Beijinhos e façam exames de prevenção.
Não custa nada prevenir. Custa bem mais depois.

Vera 






terça-feira, 6 de outubro de 2020

O bendito outubro rosa.

Chegou o outubro rosa. 

Toda a gente pode falar de mamas, postar laços cor de rosa e fotos de mamas por todo o lado e não há condenação social. 

Nunca vi o outubro como rosa, nem gosto particularmente que se comemorem coisas que deviam estar enraizadas na nossa mente e nos nossos hábitos. Prevenir durante os 12 meses. O outubro é só rosa, nada mais.

Não há preferências, não há maneira de nos excluirmos da prevenção, só porque não temos ninguém na família com cancro. É uma ilusão tão grande, mas ainda paira na cabeça de muita gente. Depois chega o susto, porque achamos que só acontece aos outros.

Devemos ter medo q.b., mas aquele medo que nos faz ter atenção com os sinais, que nos faz ouvir o nosso corpo e nos faz seguir os protocolos de exames de rotina. Não o medo da vida...seja ela rosa, amarela ou às pintinhas.


Em 2014, peguei num texto que enumerava os fatores de risco para ter cancro de mama e analisei à luz da minha experiência. Já lá vão alguns anos, felizmente, mas copio abaixo o texto. Vale a pena recordar tanta coisa que não encaixava no "perfil".

Enjoy it :)

Vera

"Analisando os fatores e a minha situação em concreto:

  • Idade: a possibilidade de ter cancro da mama aumenta com o aumento da idade.
    Eu tinha 33 no momento de diagnóstico.

  • História pessoal de cancro da mama: uma mulher que já tenha tido cancro da mama (numa mama), tem maior risco de ter a doença na outra mama.
    Nops...

  • História familiar: o risco de uma mulher ter cancro da mama está aumentado se houver história familiar de cancro da mama.
    Apenas uma tia do meu pai teve e já não era jovem. Ainda cá está para contar a história dela.

  • Algumas alterações da mama: algumas mulheres apresentam células mamárias que parecem anormais.
    Fazia ecografias mamárias de 6 em 6 meses. Sempre tudo normal.
     
  • Alterações genéticas: alterações em certos genes (BRCA1, BRCA2, entre outros) aumentam o risco de cancro da mama.
    Fiz esta análise já durante o tratamento e deu negativo felizmente.

  • Primeira gravidez depois dos 31 anos.
    Nops...antes dos 30 e amamentei a Rita durante +- 1 ano.

  • História menstrual: mulheres que tiveram a primeira menstruação em idade precoce (antes dos 12 anos de idade), ou uma menopausa tardia (após os 55 anos) ou que nunca tiveram filhos.
    Fui normal neste aspeto, pelo menos na parte da primeira menstruação. A menopausa não deve ser tardia :(

  • Terapêutica hormonal de substituição: mulheres que tomam terapêutica hormonal para a menopausa, durante 5 ou mais anos após a menopausa.
    Ainda não lá tinha chegado, mas agora já faço hormonoterapia.

  • Raça: o cancro da mama ocorre com maior frequência em mulheres Caucasianas (brancas), comparativamente a mulheres Latinas, Asiáticas ou Afro-Americanas.
    Yep...I'm white.

  • Radioterapia na região peitoral: mulheres que tenham feito radioterapia na região peitoral, incluindo as mamas, antes dos 30 anos, apresentam um risco aumentado para cancro da mama.
    Fiz agora, mas para combater o bicho.

  • Densidade da mama: mulheres com idade mais avançada que apresentam, essencialmente, tecido denso (não gordo) numa mamografia (raio-X da mama), têm risco aumentado para cancro da mama.
    Sempre tive o tecido mamário muito denso, daí as ecografias periódicas que o meu ginecologista sempre me aconselhou.

  • Obesidade depois da menopausa: mulheres obesas, após a menopausa, apresentam um risco aumentado de desenvolver cancro da mama.
    Mais uma vez, ainda não tinha chegado lá, nem me deram a oportunidade de engordar :)

  • Inactividade física: mulheres que são fisicamente inactivas, durante a sua vida, parecem ter um risco aumentado para cancro da mama; estar fisicamente activa pode ajudar a diminuir este risco, através da prevenção do aumento de peso e da obesidade.
    É estúpido, mas eu e o meu charmoso tínhamos entrado para o ginásio poucos meses antes do diagnóstico. Não considero, no entanto, que estivesse fisicamente inativa, até porque com uma pestinha de 3 anos, seria difícil ser inativa cá em casa!

  • Bebidas alcoólicas: alguns estudos sugerem haver relação entre a maior ingestão de bebidas alcoólicas e o risco aumentado de ter cancro da mama.
    A minha boa disposição (quase sempre) não depende do álcool. Beber um copo de vinho ou uma cerveja de vez em quando chega-me. "

domingo, 22 de março de 2020

Ficar em casa!

Hoje é dia 22.

Na prática, não saio de casa desde dia 13 e, felizmente, já estava em tele-trabalho em casa desde dia 11.

Nestas circunstâncias, é preciso saber estar em casa, o que muitas vezes não é fácil, especialmente quando fizemos downsizing na casa e não temos espaço para co-habitar sem ameaçarmos alguém de porrada ou tropeçar em alguma coisa.

Tive um ano de aprendizagem nesta matéria em 2014. Com o cancro e respetivos tratamentos fofinhos, vi-me muitos dias fechada em casa e aprendi a lidar com os silêncios da casa, nesta caso na minha antiga casa. Ai as saudades da Vista Alegre e da minha horta :(

Sempre gostei de estar com pessoas e ver-me rodeada de amigos. No entanto, durante a quimioterapia, aprendi o quão satisfatório pode ser o silêncio e a solidão. Houve dias em que tive companhia, e da boa, mas muitos em que tive de aprender a viver dentro das paredes da casa e a saber respeitar esses limites.

Era-me dito para me resguardar de pessoas além do necessário, contacto só com a família mais próxima...qualquer constipação ou gripezinha num sistema imunitário debilitado podia dar azo a problemas. Ir ao supermercado só se me sentisse bem fisicamente e nas horas de menos gente...ir de máscara era aconselhável.

Confesso que andava com elas no carro e quando saía, pensava que se entrasse de máscara, ia ser alvo de olhares ainda mais piedosos do que aqueles que a careca e o olhar amarelecido me conferiam.

Entrava, procurava o que queria e saía a correr, quase sem tocar em nada, a fugir das pessoas nos corredores e meia paranóica com o contacto físico.  Neste momento, vejo tanta gente na televisão assim, de máscara na rua, nos transportes e nos locais de trabalho que ninguém daria pela minha máscara nem pela figurinha que devo ter feito algumas vezes.

Estar em casa por vontade própria é fácil, estar por necessidade e/ ou obrigação força-nos a outro mindset. Temos de interiorizar que este é um período da nossa vida que somos obrigados a viver, uma fase que vai passar e que novos dias virão, com a liberdade para ir à praia, dar um volta de bicicleta ou só estar com amigos num final de tarde.

Entretanto, vamos fazendo dentro das nossas paredes tudo o que nos é permitido, porque umas vezes é o cancro, outras vezes a depressão, agora o corona....há imensas coisas que nos podem prender a uma casa. É preciso esperar com calma, paciência e respeito pelo próximo.



Beijinho e fiquem em casa.

vera


segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Os meus CA’s


Os CA’s que me deram hoje alguma paz de espírito são os meus amigos CA 15.3 e CA 125. Não são mais do que marcadores tumorais, pequenos indicadores que nos podem tirar o sono ou ativar os sensores da teoria da relativização e nos deixarem de bem com a vida o resto do dia.

O CA 15.3 é monitorizado para detetar recidivas, mais do que propriamente para identificar novos tumores, mas é, de qualquer maneira, um parâmetro muito importante para sobreviventes oncológicos. Semestralmente, quando não o faço com mais assiduidade, faço análise ao marcador CA 15.3. É uma espécie de “checkpoint”…um marcador muito importante e que, apesar de sofrer variações, convém que sejam pequenas e graduais.

Já o CA 125 é feito de modo mais espaçado, no meu caso, e está associado ao cancro do ovário. Tendo o meu cancro se apresentado como hormono-dependente, é importante vigiar igualmente os ovários para evitar surpresas menos boas.

São análises simples de se fazer, apenas com sangue, e dão-nos a sensação, pelo menos, de estarmos sempre a controlar o processo, ou a vida, conforme lhe queiramos chamar. 

Às pessoas "normais", basta fazerem o exame de auto palpação...eu é que gosto de me armar em fina :P


 
Bjinho e Carpe Diem.

vera
 

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Números que alimentam...

Cada vez que saem artigos relativamente ao cancro de mama inflamatório, lá vou eu passar os olhitos para saber mais e conhecer o que se vai fazendo a nível de investigação, estatísticas e afins. Os números valem o que valem, e os contextos definem os números, mas a verdade é que a taxa de sobrevivência a este tipo de cancro tem vindo a aumentar e as estratégias combinadas de tratamento têm possibilitado uma maior taxa de sobrevivência e qualidade de vida.

Neste estudo em específico, os autores baseiam-se em dados de 14 hospitais do UK e fala-se já aqui em taxas de sobrevivência de 61%, o que é muito bom, tendo em conta a natureza deste bicho!

Alguns dados do estudo:
•IBC cases accounted for 0.4–1.8% of invasive breast cancer cases at these centres.
•Although 86.4% stage III patients received chemotherapy, surgery and radiotherapy, 40.1% developed distant metastases.
•Five-year overall survival (OS) was 61.0% for patients with stage III disease at presentation.


Estou no 4º ano pós-tratamento choque. Estou bem e quero continuar bem. Há esperança, sempre. Temos de nos agarrar a isso, para poder continuar a viver. 

Não consigo entrar em ondas de outubro rosa, mas continuo a divulgar e a falar no meu caso, porque somos poucas, mas somos únicas, como todas as mulheres o são.

No lump, still cancer.

Bjinho
vera

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Utilidade do blog?


Quando se tem um blog sobre um cancro raro, não se espera alcançar grandes recordes de audiência, nem as receitas de publicidade que algumas bloggers conseguem por esse país fora. Os números do acesso para leitura são mais ou menos constantes. Vou escrevendo, partilhando ansiedades, medos, esperanças e informações que podem ser úteis a alguém, eventualmente.E quando sei que fui útil, fico feliz, caramba.

O feedback da “audiência” é tímido, mas tão enriquecedor. 

Saber que a minha experiência, a minha falta de pudor em falar de mamas velhas e novas, de cancro, de medos e de esperanças pode ser um alento num momento menos bom de alguém é o que me faz continuar a escrever, mesmo estando já no 4º ano pós-tratamento choque.  E quando me dizem que o 5º ano é a meta, eu sorrio e esclareço…o cancro inflamatório da mama deve ser seguido até ao 10º ano. Um pouco mais e o desgraçado entra para a universidade.  

 Vou recolhendo informação, conselhos a nível de alimentação, desporto, estilos de vida, mas por vezes falta o tempo para sentar e escrever.  Em breve, uma nova etapa…vou entrar no mundo dos “tatuados".  

Bjinho,
Vera

PS. A título de curiosidade: há 4 anos atrás, meados de maio e ainda em quimio (ainda faltavam 4 para a veia) , e já começava a renascer a minha bela cabeleira :)
É a coisa que menos nos importa, mas ficamos muito felizes quando sentimos que temos qualquer coisa a ocupar o seu devido espaço!



 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Miau...

Gatos...nunca fui fã de gatos.

Lá por casa havia imensos animais, nunca gatos. Não havia empatia familiar com esses bichanos nessa altura e nunca a criei desde então. Aliado a isso, sou alérgica ao pêlo dos bichos, farto-me de espirrar e fico mesmo aflita se estiver em casa de alguém com gatos. Nada a ver com a limpeza da casa, note-se. Basta o bichano ter andado por lá que a minha real penca dá por ela e desata a espirrar.

Mas pronto, hoje abro uma exceção para a Troubles. Durante o tratamento do cancro, fez questão de se aliar e demonstrar o seu apoio. Agora, nesta fase de reconstrução da normalidade, não é que a bichinha conseguiu transmitir novamente uma bela mensagem e sempre em inglês :)

Digam lá que quem tem amigas destas não é feliz, mesmo com uns atchins pelo meio?
Love you Sisse.


Bjinho,
Vera

Ps. Amanhã é dia de tirar os pontos...fingers crossed, please!

domingo, 21 de janeiro de 2018

O leite dourado

Antes que julguem que ando para aí a beber "borradinha", o leite dourado é uma bebida super saborosa, de origem indiana, e que facilmente se experimenta em casa, sem sequer precisarem de comprar a mistura já feita, embora facilite imenso quando temos "preguicite" aguda.

Com origem na medicina ayurvédica, esta bebida fortalece o sistema imunitário (dá um certo jeito estes dias cá por casa), é anti-inflamatória, ajuda na digestão e tem um sabor muito agradável.

No meu caso, comprei a mistura já feita da Sonnentor (+-8€) e adiciono apenas a bebida vegetal e um pouquinho de óleo de côco para potenciar a absorção da curcumina.
Experimentem.
Bjinho,
Vera


Se quiserem saber mais acerca do leite dourado:

https://www.jasminealimentos.com/alimentacao/leite-dourado-bebida-de-ouro/

https://www.madebychoices.pt/leite-dourado-golden-milk/ 

https://melhorcomsaude.com/leite-dourado-bebida-pode-mudar-vida/

http://www.heavenlynnhealthy.com/turmeric-latte-golden-milk/

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Quase no fim


O ano de 2017 está quase a terminar. Para mim, em especial, mais um ano significa vida e esperança...de dezembro de 2013 com um diagnóstico de cancro violento a dezembro de 2017 com a vida a correr quase normalmente e a refazer-me das "feridas de guerra".

Parece que começou ainda ontem, mas a verdade é que, dia após dia, a vida corre  e leva o seu rumo, como bem quer e entende. Não nos cabe a nós decidir o seu rumo, apenas vivê-la o melhor que podemos e sabemos.  Conheço muita gente que ainda se julga capaz de a dominar e de decidir o seu rumo, como se de um deus poderoso se tratasse. Não invejo essa gente…um dia aprenderão a viver um dia de cada vez.

Assim espero o meu 2018. Com muita saúde, um dia de cada vez, para todos.


Bjinho e bom 2018

Vera

Ps.- Consulta de rotina correu bem, apesar de estarmos já a ponderar um novo tratamento preventivo para "atrasar" os efeitos secundários da medicação hormonal. É caso para dizer que vou voltar a meter para a veia daqui a uns tempos, mas o que tem de ser, tem muita força :)

sábado, 25 de novembro de 2017

O tal do ministro!

Reconheço que pode não ser bem verdade, que por vezes o jornalismo interpreta as declarações, adapta-as a um discurso sensacionalista, cujo objetivo é vender. Feito este aparte, quando li a notícia do tal ministro indiano, lembrei-me de alguns nomes menos simpáticos para "elogiar" tal pessoa.

Dizer que ter cancro é uma questão de azar...ok, há cientistas que o dizem e que publicaram inclusivamente um artigo científico  na Science sobre o assunto e que foi muito falado na imprensa, aqui há uns 2 anos atrás (link Público) .

Azar, sim, com azar eu concordo. A sorte não deve querer lá muita coisa quando escolhe alguém para ser injetado com líquidos que destroem a medula, que nos conseguem pôr o estômago em lugares estranhos, que nos fazem sentir sem força sequer para subir um lance de escadas sem arfar.  Acho que a sorte não deve conhecer os prazeres de ser queimado por uma máquina de radioterapia...nem de sofrer com as cirurgias...nem deve sequer saber o que é ter de olhar para a família e dizer que temos cancro. Sim, a sorte não tem nada a ver com cancro. E se diz na Science que é azar, quem sou eu para discordar...

Azar sim, castigo divino é que já me parece um bocadinho exagerado, sr. Ministro!

Bjinho,
Vera

Ps: Fazendo o follow-up da cirugia, continuamos a tratar das cicatrizes e estamos agora mais alerta a outra situação.   Alguns pontos internos decidiram "fagocitar", ou seja, formaram-se pequenos caroços ou cápsulas em volta dos pontos internos e provavelmente estão a acumular "lixo". Vamos dar algum tempo para o corpo se livrar disto, antes de pensar noutras estratégias. Se corresse tudo bem à primeira, não seria mesmo comigo. Deve ser do karma!

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Life goes on

Está na altura de regressar à vida ativa e retomar os meus afazeres. Life goes on, como se costuma dizer.  26 dias depois da mastopexia, é caso para dizer que já não há perigo de queda, ainda que mantenha uma zona com algum hematoma e cicatrizes que me parecem verdes e frágeis, mas ainda vai demorar até me dar a sensação que não vai abrir a qualquer momento:)

Normalmente, o meu cirurgião dá-me um tempo de recuperação indicativo e eu desrespeito-o. Devo estar a ficar velha, o corpo já não recupera como antigamente (antes do cancro e todos os tratamentos) e levo um bocadinho mais a recuperar fisicamente. A sensação de cansaço vai-se atenuando e é preciso agora começar a voltar à normalidade para retemperar energias e vitalidade. A ginástica ainda terá de esperar mais uns dias, porque ainda estamos em fase de "libertação" das cicatrizes e é capaz de ser ligeiramente incómodo andar aos saltos.

Continuarei as massagens de drenagem linfática, com a querida Ágata, que por mais simpática que seja, me consegue assustar quando me deita as mãos em cima. É só uma massagem, de facto. Pena é que incide em cicatrizes e hematoma.

Estamos já em novembro. Este ano vai ficar na memória pelas 2 grandes cirurgias neste processo de reconstrução e de recomeço e no próximo ano espero conseguir finalizar o mesmo, já com intervenções menos invasivas e menos exigentes fisicamente.

Perguntei-me várias vezes se este era o caminho a percorrer, se valia a pena todo o sofrimento físico e psicológico. No fim do processo, darei uma resposta mais assertiva, mas neste momento tinha mesmo de o fazer. Por mim e por todos à minha volta, especialmente a Rita.

Em 2014, pouco antes da mastectomia, expliquei-lhe que o médico teria de tirar a mama, porque o "dói-dói" estava lá dentro. Ela tinha 4 anos, pouco entendia de doenças e de mamas, mas sabia que era uma parte de mim. A olho nu, a mama estava normal, por isso ainda mais estranho lhe parecia. Perguntou se eu ficava sem mama e eu disse que depois o médico fazia outra, quanto acabasse de tomar os "remédios maus".

No cancro de mama inflamatório, não é recomendado que se faça reconstrução imediata. A mama afetada tem de ser retirada, os tecidos bem escrutinados e limpos na caixa torácica e eliminar o máximo de pele possível...depois é bombardeada com muita radioterapia. É recomendado esperar no mínimo 2 anos até que se comece a pensar na reconstrução e nunca insisti nesse sentido com o meu oncologista. Demos quase 3 anos ao corpo e à pele para se regenerar, porque fiquei tão queimada que ainda hoje sei exatamente os limites da zona atingida pela radiação. Churrasquinho :)

Enfim, life goes on mesmo. Já estamos quase no fim do ano, o Natal está aí à porta e já posso voltar ao trabalho na segunda. Retenho dos dias bons as coisas boas e dos dias maus as coisas más. Não me consigo esquecer delas, até porque fazem parte deste caminho que não escolhi, mas que tenho de viver.


Bjinho,
Vera

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Secound round: ouch!


Já no conforto de casa, reitero a posição que assumi anteriormente em relação às plásticas….submeter-se a invasões destas só para ficar mais “bonito” pode ser claramente assumido como um sinal de loucura.

Não quero com isto dizer que no meu caso também não exige um pouco de loucura…ou até bastante se virmos bem as coisas. Poderia ter ficado com o corpo que o cancro me deixou, mas a verdade é que passando aquele primeiro impacto de “susto de morte”, a vida faz-nos querer mais qualquer coisa…nem que o qualquer coisa seja só um soutien completo e uma camisola a assentar direito.

Piadas à parte, na segunda-feira, pelas 16h entrei para o bloco, para a segunda grande cirurgia, no que diz respeito à reconstrução mamária por via de retalho abdominal (aka TRAM). Prevista para demorar mais ou menos 1h, acabei por sair do bloco já mais tarde, perto das 18h. Sempre bem recebida no bloco, com uma equipa de enfermagem muito carinhosa…uma delas até se lembrava do meu TRAM…e da pele em mau estado. Yep, sempre bom deixar boas recordações nas pessoas.

O que fui fazer desta vez?
Ora pois, cirurgia de simetrização (vulgo "equilibrar o velho com o novo" ou mastopexia em termos técnicos), retificar algumas cicatrizes e colocar uns pequenos shots de gordura na mama reconstruída para ficar mais “lindinha”. A questão é… de onde vem a gordura num corpo não “cheio”?

Lipoaspiração…o segredo de beleza de muitas senhoras. E eu só vos digo que estou toda pisada. Parece que fui atropelada por um camião. O meu cirurgião escarafunchou os flancos e costas à procura da bendita gordurinha boa…e pelas marcas que deixou, deve ter sido uma aventura.


Felizmente eu estava a dormir. Mais uma anestesia geral, mais uns meses de falhas de memória, nomes que me vou esquecer, coisas que não me vou lembrar de fazer…

Acordei bem da cirurgia e da anestesia, se bem que a noite no hospital foi algo premonitória. Acordei, para variar, de madrugada cheia de sangue…revivi o filme dos pontos rebentados imediatamente, mas não era nas mamas felizmente, eram só uns buraquinhos da barriga a “verter”.

Às 6 da manhã vem a medicação e o barulho dos carros na rua e lá se vai o sono de beleza. Ao contrário da cirurgia anterior (que envolveu o corte na barriga), desta vez levantei-me suavemente com a ajuda do enfermeiro, sem desmaios nem quebras de tensão súbitas. Conseguir ir ao wc é uma vitória.

Quando o médico me vem ver de manhã, vi no olhar dele que algo não estava bem...a mama “velha” estava estranhamente volumosa. Já o tinha sentido quando acordei, mas pensei que fossem paranóias da minha cabeça. Com tanto medo de formar hematoma ou seroma, pensei que estava a imaginar coisas, mas não estava mesmo. Tenho de vigiar bem, tentar colocar algum gelo e caso note mais alguma alteração a nível de cor ou volume, tenho de ir ter com o médico para ele “aspirar”…esta palavra até me deu arrepios….aspirar???

Dormi mal esta noite e não foi só pelas dores nas costas, bacia, barriga e afins… acordei umas 4 vezes para colocar pomada e ver como estava a evoluir. Parece que não houve evolução no sentido negativo, o que é muito bom neste momento. Nem tudo corre bem à primeira, pelo menos comigo. Tem de haver sempre esta emoção.

Com a minha mãe a querer alimentar-me tipo ganso na França, apenas posso dizer que na próxima lipoaspiração, já devo ter gordura para mais “shots” de gordura. 

Obrigado pelas mensagens de apoio.
Beijinho
Vera

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Back to beginning

Há uns dias atrás, recebi um abraço forte. Vieram dar-me um abraço ao meu local de trabalho e foi tão bom, tão sincero e carinhoso. Alguém com quem eu falara apenas virtualmente, alguém que também experimentou as "alegrias" de um cancro de mama. Independentemente da idade, da experiência de vida, da profissão, da terra, sentimos necessidade de ouvir histórias positivas...e este abraço veio de alguém com quem eu tinha falado em tempos idos.

Apoiamo-nos mutuamente, como uma espécie de aliança secreta, muitas vezes nos manhosos chats e messengers que por aí surgem instalados em todos os telemóveis. Hoje conheci mais uma mulher, mais uma que daqui a uns tempos me virá, espero eu, dar um abraço a Aveiro.

Disse a essa nova guerreira para ler o meu blog, porque o caso é semelhante, infelizmente.O cancro inflamatório da mama é raro, mas ultimamente começa a atacar cada vez mais mulheres e cada vez mais cedo, muitas em amamentação, ou pouco depois disso.

E hoje, ao reler as minhas primeiras entradas (com medo que a nova guerreira se assustasse com o relato), senti necessidade de voltar a repor o velhinho template...o rosinha desbotado que tanto me acompanhou neste caminho e que me faz mais sentido para poder aceder a todo o historial.

São quase 4 anos de relato. E fico feliz por saber que, algures, o propósito inicial do meu blog está a ser cumprido.

"Se eu puder sossegar uma "Maria" que seja neste país, já sentirei que o esforço valeu a pena."
Vera, 1ª entrada do blog a 14 de janeiro de 2014, link


terça-feira, 30 de maio de 2017

One in a Million

A Terry hoje pediu a todas as mulheres do grupo para divulgar o cancro inflamatório da mama e todo o trabalho que a fundação financia. Precisamos de financiar mais investigação, mais ensaios clínicos, porque o facto de ser raro, retira-lhe toda a prioridade em termos de financiamento. 

Se tiverem 12 minutos, ouçam este vídeo dela, o porquê de estar a fazer todo este trabalho e de divulgar os sintomas deste tipo de cancro, de financiar investigação dedicada, de dar voz a quem foi mal-diagnosticada ou a quem já morreu.

Só para registo, aqui em Portugal, já expliquei este tipo de cancro a muitos profissionais de saúde...médicos inclusive!




O vídeo da Terry gravado hoje
https://www.facebook.com/terry.lynn.arnold/videos/10212360753349680/

Mais acerca da rede
https://www.theibcnetwork.org/

Mais acerca da campanha por financiamento de investigação
https://www.firstgiving.com/huntforhope/one-in-a-million

Beijinho,
Vera

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Porquê divulgar?

Em 2013 andei às aranhas por causa de um "problema" na mama que não era facilmente identificável, vi médicos a espantarem-se pelo seu rápido crescimento e progressão, senti que era uma espécie de bicho de 7 cabeças a quem um sub-tipo raro de cancro de mama estava a atacar.

Esse sub-tipo é raro, maioritariamente desconhecido e perigosamente rápido a atingir o seu fim. Nestes últimos dias, temos recebido quase diariamente notícias menos boas nos fóruns americanos e britânicos que sigo.

Sei que vale a pena continuar a falar sobre o cancro inflamatório da mama, porque ainda esta semana me disseram que viram o meu post e que não conheciam este "bicho". Mais uma mulher informada, mais uma que estará mais alerta para as alterações do peito.

Já falei em posts anteriores sobre o cancro inflamatório,  também conhecido por mastite carcinomatose... e volto a relembrar os seus sintomas através da imagem. Dizem que valem por 1000 palavras.


Cuidem-se.

Bjinho,
Vera

Ps: As fibroses continuam a ceder, com muito trabalhinho meu, da fisioterapeuta Mónica (CMM Aveiro) e da terapeuta Ágata nos Lusíadas-Porto. Aguenta corpo, já faltou bem mais para atingir uma pseudo-normalidade.

sábado, 8 de abril de 2017

Praia e espartilho

Um mês e dois dias após a cirurgia, voltei a ter "vida social", ainda que ainda com um bocado de receio de cair, de alguém me dar um encontrão ou qualquer coisa do género. Não há planos de recuperação perfeitos, tive já algumas complicaçõezitas espontâneas, por isso não quero provocar quaisquer outras. No entanto, hoje foi dia de alguma normalidade pré-operatória.

A Costa Nova hoje estava mais agradável do que em alguns dias de verão. A praia e o sol estavam ótimos, deu até para molhar os pés e tentar aumentar os meus níveis de vitamina D.
Eu, a Rita, o charmoso e o meu "espartilho" a apanhar sol!

Depois de uma reconstrução TRAM, é recomendado o uso de uma cinta (aka espartilho, objeto de tortura, espremedor, torturete, etc.), por um período que pode ir até largos meses após cirurgia, mínimo 3-4 meses, segundo consta. Ainda só passou 1 mês e eu já tenho pena das mulheres da era vitoriana e outras que vestiam coisas apertadas debaixo da roupa por sistema...

Só se pode tirar a cinta para dormir, o que dá uma média de 16h diárias com o estômago colado às costas, costelas a empurrar os pulmões e barriga semi-comprimida a tentar ajustar-se à falta de músculo (uma parte do músculo é usada para "alimentar" a nova zona).

Supostamente é uma questão de hábito e, de facto, consigo caminhar quase direita e sem dores com a "torturete" vestida. Mesmo assim, vestir uma cinta tamanho 32 pode ser uma tarefa herculiana em alguns dias, especialmente nos primeiros dias pós-cirurgia, em que eram precisas duas pessoas para me vestirem a dita cuja. Hoje em dia já a consigo colocar sozinha, em frente ao espelho...enquanto isso, penso em todas as mulheres que usam isto só para ter a cintura mais delgada e imagino que devem estar mesmo desesperadas...só pode.



Bjinhos,
Vera



Ps. Aproveitem o sol e verifiquem os níveis de vitamina D. 
Esta vitamina é muitas vezes desvalorizada pelos médicos, mas interfere em inúmeros processos no nosso organismo, desde controlo de inflamações, articulações, reumatismos, síntese de hormonas, etc.
Mais acerca deste assunto

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Empate

No segundo encontro com as mãos do cirurgião, eu e o hematoma empatámos. Com as dores que tinha sentido na segunda-feira, ia já meia preparada psicologicamente para sair de lá toda torcida.

Eu fiquei torcida, mas o "gajo" não ficou melhor.
Como ainda havia muita "matéria" a eliminar, basicamente tive de ir à "lavagem"...e o meu querido cirurgião cortou, espremeu, injetou água oxigenada, betadine, soro e mais umas tretas, voltou a enxaguar o interior e a espremer e no fim coseu. Tudo muito giro, não fosse feito a "sangue frio".  O enfermeiro dizia-me para não olhar, porque podia desmaiar...deu para eu me rir...como se a visão fosse pior de suportar do que a dor.

Voltei com pontos, que devo retirar em 8-10 dias, e voltei com a mama tapada com penso para evitar infeções.  Segundo o Dr. Conde, este procedimento deve resolver o assunto, ou pelo menos assim esperamos. Amanhã ele vai ver como esta complicaçãozita está a evoluir.

É mesmo isso, uma complicação da cirurgia. Pontos rebentados, sangramento, pele debilitada nesta zona pela radioterapia, falta de gânglios...uma mistura explosiva para o hematoma se formar e perdurar.

Se era escusado? Era, claro, mas nada a fazer, a não ser ajudar o corpo a safar-se de mais esta!

bjinho,
Vera