Quando somos diagnosticados com um cancro raro (em que há pouca informação) e somos curiosos, andamos sempre nisto...pode até nem parecer saudável aos olhos de muita gente, mas é vida! Cada um gere as suas ansiedades e expetativas como bem entende.
O caráter raro dificulta o investimento em investigação acerca do cancro inflamatório da mama, mas vai havendo alguma, especialmente nos EUA e há alguns artigos que vão positivamente contrariando as estatísticas e os prognósticos reservados que são associados a este bichinho.
Saiu recentemente mais um artigo acerca da radioterapia pós-mastectomia no tratamento deste tipo de cancro (ver aqui). Felizmente, após o começo conturbado no primeiro hospital, tive a benção de cair nas mãos de um super-médico, que estava a par das recomendações mais recentes para o tratar.
Hoje ao preparar o meu super dossier médico para uma junta médica, deparei-me com as notas e o relatório final da radioterapia. As minhas 26 sessões de radioterapia diária foram intensas, mas vividas com a calma possível, aquela que está intimamente ligada com o "tem de ser".
52 Gy (gray), em frações de 2 Gy, 5 vezes por semana, 26 dias. Segundo o relatório, eu apresentava um "eritema acentuado na parede torácica" no fim das sessões. Segundo a minha memória, era churrasco mesmo e nada agradável, mas nestas lutas, servem todas as armas e algumas são insubstituíveis.
Bjinho,
vera
Um cancro de mama diagnosticado aos 33 anos. Não procuro ser mais do que um exemplo de luta, mais uma "Maria" a encarar olhos nos olhos esta doença. Não sou a primeira, gostaria muito de ser a última mulher com esta doença. Infelizmente, não serei. Mas serei mais uma a dar armas às "Marias" que se virem confrontadas com este desencontro da vida.
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020
segunda-feira, 20 de maio de 2019
Revisão dos 63...
Na minha última revisão de oncologia, depois de toda a simpatia, lá vieram os 63kgs à conversa e a taxa de colesterol bem acima dos valores pseudo-normais. Acho que só grávida tinha atingido os sessentas...e isso desapareceu passado uns meses.
Como a medicação hormonal tem estes efeitos secundários (entre alguns outros ainda mais desagradáveis), lá terei eu de entrar em modo "regime". Vamos evitar a palavra "dieta" que me fere os ouvidos. Até à próxima consulta, em agosto, baixar ambos os valores e as ordens do Dr. Leal são para cumprir, até porque ele sabe bem do que fala.
De resto, exames todos em conformidade e siga para a frente com isto. Em breve atingirei o que muitos consideram ser a 1ª meta - os 5 anos pós-tratamento. Já????
É relativa esta contagem e há sobreviventes a contar este tempo de maneira diferente, mas considero, no meu caso e para este efeito a data de conclusão do "tratamento choque" - quimioterapia+mastectomia+radioterapia.
Agosto de 2014 foi uma espécie de libertação, até porque literalmente estava a "libertar" cenas queimadas pela radioterapia (humor negroooo).
Assim tem sido o caminho...
Como a medicação hormonal tem estes efeitos secundários (entre alguns outros ainda mais desagradáveis), lá terei eu de entrar em modo "regime". Vamos evitar a palavra "dieta" que me fere os ouvidos. Até à próxima consulta, em agosto, baixar ambos os valores e as ordens do Dr. Leal são para cumprir, até porque ele sabe bem do que fala.
De resto, exames todos em conformidade e siga para a frente com isto. Em breve atingirei o que muitos consideram ser a 1ª meta - os 5 anos pós-tratamento. Já????
É relativa esta contagem e há sobreviventes a contar este tempo de maneira diferente, mas considero, no meu caso e para este efeito a data de conclusão do "tratamento choque" - quimioterapia+mastectomia+radioterapia.
Agosto de 2014 foi uma espécie de libertação, até porque literalmente estava a "libertar" cenas queimadas pela radioterapia (humor negroooo).
Assim tem sido o caminho...
1- Quimioterapia neoadjuvante - início a 8-01-2014
4 ciclos de AC + 12 de Herceptin e Paclitaxel
2- Cirurgia - Mastectomia radical modificada a 17-06-2014
3- Radioterapia - 26 sessões, 10 com bólus
Início a 14-07-2014
4- Herceptin (3 em 3 semanas, 1 ano)
De 05-04-2014 a 31-03-2015
5 - Tamoxifeno (interrompido)
De 01-07-2014 a 7-10-2014
6- Zoladex (1 mensal, 5 a 10 anos)
Início a 8-08-2014
7. Aromasin (diário)
Início a 8-10-2014
...e este caminho vai-se fazendo...primeiro os 5, depois os 10 anos e por aí em diante.
Beijinho e coragem a quem está na luta.
Vera
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
A cabeçada simpática :)
Na semana passada repeti o modo "exames e mau humor". Na sexta-feira, lá fui eu, qual maria segura e formosa para o Hospital da Arrábida. Sou sempre recebida com um sorriso, aliás, vários sorrisos que me fazem sentir mais do que uma cliente, sinto-me "acarinhada" pela equipa que já me acompanha há 2 anos. As minhas visitas mensais começam sempre na Licínia, que sempre simpática e afável, trata de toda a parte de registo e entradas, com um sorriso sempre pronto. É fácil criar empatia por profissionais assim. Obrigada pela constante simpatia.
Esta sexta-feira a rotina foi alterada. Primeiro fui fazer alguns exames para verificar o "status quo". A segurança que tenho vindo a ganhar andava meia esbatida, com uma persistente dor no peito desde há alguns dias, bem perto da zona irradiada. Claro está que não comentei com ninguém, porque sempre tinha de ir a consulta na sexta já via a dor com o oncologista, o meu querido anjo da guarda.
A dor, quase mais em tom de incómodo do que propriamente dor, era só, repito só, quando respirava. O resto do tempo estava bem...mas quando me deitava parecia que tinha alguns quilos em cima da caixa torácica. O que passa na cabeça de um doente oncológico com estes sintomas? Ahahahaha...não queiram imaginar.
O Raio-X ao tórax não mostrou nenhuma costela fraturada, nem o esterno, nem nada "quebrado". Como o meu médico da imagiologia me disse em tom de brincadeira, só se notou a ausência da mama, o resto está tudo bem. Perfeito!
Em conversa com o meu querido oncologista, depois de excluídas as hipóteses de fratura, passamos à exclusão de potenciais causadores dessa dor...teria eu esbarrado contra alguma coisa, batido com alguma coisa no peito....uhm....lembrei-me de uma cabeçada da Rita e das estrelas que vi nesse momento. Raios partam, porque raio não me lembrei eu dessa cabeçada antes...teria evitado umas quantas divagações. Pois, terá sido essa cabeçada que me pisou e fazia esse "aperto" ao respirar. Entretanto, a sensação foi-se diluindo e estou quase normal.
Fiquei a saber nesta consulta que é comum haver costelas rachadas no período pós-radioterapia, uma vez que os ossos podem ficar fragilizados. Evitar cabeçadas daqui para a frente! Como o assunto dos ossos veio à baila, depois do Raio-X, da ecografia abdominal e das análises ao sangue, ainda fui fazer a minha primeira densitometria. A hormonoterapia pode provocar a descalcificação, por isso há que vigiar para evitar males maiores.
Foi assim esta minha revisão mensal, animada e pacificadora de mentes.
Bjinho,
Vera
Esta sexta-feira a rotina foi alterada. Primeiro fui fazer alguns exames para verificar o "status quo". A segurança que tenho vindo a ganhar andava meia esbatida, com uma persistente dor no peito desde há alguns dias, bem perto da zona irradiada. Claro está que não comentei com ninguém, porque sempre tinha de ir a consulta na sexta já via a dor com o oncologista, o meu querido anjo da guarda.
A dor, quase mais em tom de incómodo do que propriamente dor, era só, repito só, quando respirava. O resto do tempo estava bem...mas quando me deitava parecia que tinha alguns quilos em cima da caixa torácica. O que passa na cabeça de um doente oncológico com estes sintomas? Ahahahaha...não queiram imaginar.
O Raio-X ao tórax não mostrou nenhuma costela fraturada, nem o esterno, nem nada "quebrado". Como o meu médico da imagiologia me disse em tom de brincadeira, só se notou a ausência da mama, o resto está tudo bem. Perfeito!
Em conversa com o meu querido oncologista, depois de excluídas as hipóteses de fratura, passamos à exclusão de potenciais causadores dessa dor...teria eu esbarrado contra alguma coisa, batido com alguma coisa no peito....uhm....lembrei-me de uma cabeçada da Rita e das estrelas que vi nesse momento. Raios partam, porque raio não me lembrei eu dessa cabeçada antes...teria evitado umas quantas divagações. Pois, terá sido essa cabeçada que me pisou e fazia esse "aperto" ao respirar. Entretanto, a sensação foi-se diluindo e estou quase normal.
Fiquei a saber nesta consulta que é comum haver costelas rachadas no período pós-radioterapia, uma vez que os ossos podem ficar fragilizados. Evitar cabeçadas daqui para a frente! Como o assunto dos ossos veio à baila, depois do Raio-X, da ecografia abdominal e das análises ao sangue, ainda fui fazer a minha primeira densitometria. A hormonoterapia pode provocar a descalcificação, por isso há que vigiar para evitar males maiores.
Foi assim esta minha revisão mensal, animada e pacificadora de mentes.
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| Na acupuntura a estimular o meu sistema imunitário) |
Bjinho,
Vera
terça-feira, 16 de junho de 2015
1 ano
Hoje, já bem pela noite dentro, fará 1 ano em que fui operada para tirar a mama, onde ainda havia atividade residual do cancro, como se veio a comprovar pela biópsia final. O raio do bicho era forte!
A noite anterior foi brindada com amizade e carinho, por parte de pessoas especiais que me acompanharam desde o início do cancro, o fim de tarde tinha sido terminado com mensagens de força e algumas lágrimas na cara da prima (certo, senhora rijona Sónia). Lembro-me vagamente de preparar a mala, de preparar a casa e orientar as coisas cá em casa para a minha ausência. Realmente, as mulheres conseguem ter uma capacidade de se focarem em tretas para não pensarem no que as aflige. Roupas arrumadas, despensa cheia, ordens dadas e pronto, tudo pronto para ir e voltar dentro de uns dias, já sem o senhor bicho e meia empenada.
E assim foi. No dia 17 de junho, preparei a Rita para ir para a escola e aguardei em casa durante a manhã. Almocei sozinha e lá pelas 14h chegou o Nuno e os pais dele para irem comigo para o Hospital. Quiseram também estar presentes, por mim e pelo filho, porque o Nuno ficaria lá sozinho enquanto eu estava na cirurgia, que demoraria entre 1h30 a 2h.
Sentia-me calma, apesar de tudo o que aquela cirurgia poderia significar. Calma e feliz por já estar ali, por já estar em condições de ser operada. A Dra. Teresa deu-me algumas palavras de conforto e os dois beijinhos da médica anestesista sanaram por completo o nervoso miudinho que por ali começava a crescer. Estou pronta, disse-lhes eu. E logo depois reclamei que estava muito frio no bloco...
E assim foi, adormeci e acordei passado umas horas. Perguntei se já tinham falado com o Nuno e disseram que a Dra. tinha falado com ele, que tinha corrido bem e que o tecido retirado tinha "bom aspeto" e para eu descansar.
Se eu cumpri as ordens? Claro que não! Assim que me colocaram no quarto, aí pelas 2h da manhã, liguei ao Nuno para saber se já tinha chegado a Ílhavo. Estava tudo bem, já em casa e a menina a dormir. Tal como agora, neste preciso momento em que ela dorme aqui ao lado.
Penso que a nossa memória é muito nossa amiga. Vai apagando certos momentos, ou recordações, para que não nos lembremos da dor, da aflição, do medo. Lembro-me de não conseguir levantar o braço e de doer quando tentava, mas já não consigo lembrar-me com exatidão do grau. Lembro-me de me deitar na mesa da radioterapia e ter de suportar o "esticanço" pelo tempo determinado porque não podia haver movimento enquanto fazia a sessão...mas já eliminei a sensação da minha memória. Parece estranho, mas acho que deve ser melhor assim.
Do que me lembro melhor destas "dores" ou sensações foi a retirada dos drenos...que coisa estranha sentirmos tubos a deslizarem por dentro do nosso corpo. O meu comentário parvo quando vi os drenos retirados foi: "isso estava tudo dentro do corpo?"...a enfermeira só se conseguiu rir à gargalhada.
Passou-se 1 ano.
Se sofri? Claro que sim.
Se doeu? Claro que sim.
Se já fiz a reconstrução? Não, ainda não (esta é para quem não tem coragem de perguntar e me olha para o peito com ar de dúvida), nem é recomendado ainda.
Se vou partilhar a informação quando/se fizer? Sim, porque não...nunca escondi nada, nem vejo motivos para o fazer.
Se estou feliz? Estou, porque estou viva, sem sinais de recidiva e com força de vontade para viver por muitos e longos anos.
A noite anterior foi brindada com amizade e carinho, por parte de pessoas especiais que me acompanharam desde o início do cancro, o fim de tarde tinha sido terminado com mensagens de força e algumas lágrimas na cara da prima (certo, senhora rijona Sónia). Lembro-me vagamente de preparar a mala, de preparar a casa e orientar as coisas cá em casa para a minha ausência. Realmente, as mulheres conseguem ter uma capacidade de se focarem em tretas para não pensarem no que as aflige. Roupas arrumadas, despensa cheia, ordens dadas e pronto, tudo pronto para ir e voltar dentro de uns dias, já sem o senhor bicho e meia empenada.
E assim foi. No dia 17 de junho, preparei a Rita para ir para a escola e aguardei em casa durante a manhã. Almocei sozinha e lá pelas 14h chegou o Nuno e os pais dele para irem comigo para o Hospital. Quiseram também estar presentes, por mim e pelo filho, porque o Nuno ficaria lá sozinho enquanto eu estava na cirurgia, que demoraria entre 1h30 a 2h.
Sentia-me calma, apesar de tudo o que aquela cirurgia poderia significar. Calma e feliz por já estar ali, por já estar em condições de ser operada. A Dra. Teresa deu-me algumas palavras de conforto e os dois beijinhos da médica anestesista sanaram por completo o nervoso miudinho que por ali começava a crescer. Estou pronta, disse-lhes eu. E logo depois reclamei que estava muito frio no bloco...
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| 18 de junho, algumas horas depois da cirurgia. |
Se eu cumpri as ordens? Claro que não! Assim que me colocaram no quarto, aí pelas 2h da manhã, liguei ao Nuno para saber se já tinha chegado a Ílhavo. Estava tudo bem, já em casa e a menina a dormir. Tal como agora, neste preciso momento em que ela dorme aqui ao lado.
Penso que a nossa memória é muito nossa amiga. Vai apagando certos momentos, ou recordações, para que não nos lembremos da dor, da aflição, do medo. Lembro-me de não conseguir levantar o braço e de doer quando tentava, mas já não consigo lembrar-me com exatidão do grau. Lembro-me de me deitar na mesa da radioterapia e ter de suportar o "esticanço" pelo tempo determinado porque não podia haver movimento enquanto fazia a sessão...mas já eliminei a sensação da minha memória. Parece estranho, mas acho que deve ser melhor assim.
Do que me lembro melhor destas "dores" ou sensações foi a retirada dos drenos...que coisa estranha sentirmos tubos a deslizarem por dentro do nosso corpo. O meu comentário parvo quando vi os drenos retirados foi: "isso estava tudo dentro do corpo?"...a enfermeira só se conseguiu rir à gargalhada.
Passou-se 1 ano.
Se sofri? Claro que sim.
Se doeu? Claro que sim.
Se já fiz a reconstrução? Não, ainda não (esta é para quem não tem coragem de perguntar e me olha para o peito com ar de dúvida), nem é recomendado ainda.
Se vou partilhar a informação quando/se fizer? Sim, porque não...nunca escondi nada, nem vejo motivos para o fazer.
Se estou feliz? Estou, porque estou viva, sem sinais de recidiva e com força de vontade para viver por muitos e longos anos.
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Cancerversário
O meu primeiro cancerversário celebra-se hoje.
É uma expressão que adoptei das guerreiras norte-americanas com cancro inflamatório da mama com quem troco diariamente umas palavras. Deram-me força e alento, apesar da distância física. Muita informação, muito apoio e acima de tudo muita partilha de sentimentos e de experiências de mulheres com o mesmo tipo de cancro de mama.
Faz hoje 1 ano que recebi o diagnóstico, a biópsia que me dizia que era um carcinoma invasor. Tudo tão novo naquela altura, tudo tão inesperado. Sabia lá eu que podiam ser invasores ou não invasores (=in situ), que podiam ser lobulares, tubulares ductais, inflamatórios....que sabia eu de cancro?
Pouco, muito pouco. Ao longo deste ano de luta, aprendi muito sobre cancro, especialmente acerca do cancro da mama. Assustei-me muito quando investiguei o meu tipo específico de cancro. As probabilidades de sobrevivência assustaram-me brutalmente e houve momentos em que nada fazia sentido e a luta interna para me manter bem disposta e coerente era tão grande.
Sobreviver para ver a Rita a crescer, nada mais do que isso, pedia eu a mim mesma.
Lembro-me perfeitamente de estar na festa de Natal da escolinha da Rita. Ia voluntariamente atuar numa das peças e só pensava que tinha cancro enquanto tentava levar os fantoches do circo dos animais até ao fim. Olhava para ela no palco e as lágrimas a querer sair. Mas ela, tão cheia de vida, tão única e teimosa foi essencial neste processo.
E foi a isso que me agarrei, à minha filha teimosa. Talvez tenha herdado a teimosia da mãe, dizem as más-línguas. Lutei, vivi dias menos bons durante a quimioterapia, sujeitei-me à mutilação de uma parte do meu corpo, enfrentei a radioterapia e aguentei as dores nas queimaduras no corpo enquanto a minha querida fisioterapeuta me "recuperava" o braço. Agora a imuno e hormonoterapias...que provocaram uma menopausa precoce, com aqueles calores maravilhosos, mas bem pior que os calores são o inchaço das mãos e dores nas articulações. Peanuts, comparado com tudo o resto.
Passou um ano a correr. Parece que ainda ontem ia para a primeira quimioterapia, hoje espero e desejo nunca mais a voltar a sentir a entrar nas veias. Ainda sem coragem para dizer que estou livre. Não estou, nem nunca estarei totalmente. Preciso que passe tempo, muito tempo. Já passaram 6 meses depois da cirurgia e tem estado tudo calmo. Como diz o meu querido oncologista, precisamos que o tempo passe depressa e bem, para diminuir as chances de recidiva.
Agradeço todos os dias a Deus, ou ao destino, que tenha colocado este senhor na minha vida. Cuidou, e cuida, de mim com uma atenção que nenhum dinheiro do mundo paga. Obrigado Dr. Leal da Silva, pelas coisas tão pequenas como um sorriso, um abraço ou pelas nossas conversas sobre fins de semana no nosso Portugal.
Para a semana, segundo check-up trimestral. Vai estar tudo bem e vou voltar ao trabalho em janeiro. Hoje fui a mais uma junta médica. Mais uma experiência sobre-natural, mas hoje não é dia para criticarmos o nosso sistema.
Obrigado a todos que estiveram comigo este ano, que me apoiaram nas coisas maiores e mais pequenas. Este cancro meteu-se com muita gente ao alojar-se no meu corpo.
Bjinho,
Vera
É uma expressão que adoptei das guerreiras norte-americanas com cancro inflamatório da mama com quem troco diariamente umas palavras. Deram-me força e alento, apesar da distância física. Muita informação, muito apoio e acima de tudo muita partilha de sentimentos e de experiências de mulheres com o mesmo tipo de cancro de mama.
Faz hoje 1 ano que recebi o diagnóstico, a biópsia que me dizia que era um carcinoma invasor. Tudo tão novo naquela altura, tudo tão inesperado. Sabia lá eu que podiam ser invasores ou não invasores (=in situ), que podiam ser lobulares, tubulares ductais, inflamatórios....que sabia eu de cancro?
Pouco, muito pouco. Ao longo deste ano de luta, aprendi muito sobre cancro, especialmente acerca do cancro da mama. Assustei-me muito quando investiguei o meu tipo específico de cancro. As probabilidades de sobrevivência assustaram-me brutalmente e houve momentos em que nada fazia sentido e a luta interna para me manter bem disposta e coerente era tão grande.
Sobreviver para ver a Rita a crescer, nada mais do que isso, pedia eu a mim mesma.
Lembro-me perfeitamente de estar na festa de Natal da escolinha da Rita. Ia voluntariamente atuar numa das peças e só pensava que tinha cancro enquanto tentava levar os fantoches do circo dos animais até ao fim. Olhava para ela no palco e as lágrimas a querer sair. Mas ela, tão cheia de vida, tão única e teimosa foi essencial neste processo.
E foi a isso que me agarrei, à minha filha teimosa. Talvez tenha herdado a teimosia da mãe, dizem as más-línguas. Lutei, vivi dias menos bons durante a quimioterapia, sujeitei-me à mutilação de uma parte do meu corpo, enfrentei a radioterapia e aguentei as dores nas queimaduras no corpo enquanto a minha querida fisioterapeuta me "recuperava" o braço. Agora a imuno e hormonoterapias...que provocaram uma menopausa precoce, com aqueles calores maravilhosos, mas bem pior que os calores são o inchaço das mãos e dores nas articulações. Peanuts, comparado com tudo o resto.
Passou um ano a correr. Parece que ainda ontem ia para a primeira quimioterapia, hoje espero e desejo nunca mais a voltar a sentir a entrar nas veias. Ainda sem coragem para dizer que estou livre. Não estou, nem nunca estarei totalmente. Preciso que passe tempo, muito tempo. Já passaram 6 meses depois da cirurgia e tem estado tudo calmo. Como diz o meu querido oncologista, precisamos que o tempo passe depressa e bem, para diminuir as chances de recidiva.
Agradeço todos os dias a Deus, ou ao destino, que tenha colocado este senhor na minha vida. Cuidou, e cuida, de mim com uma atenção que nenhum dinheiro do mundo paga. Obrigado Dr. Leal da Silva, pelas coisas tão pequenas como um sorriso, um abraço ou pelas nossas conversas sobre fins de semana no nosso Portugal.
Para a semana, segundo check-up trimestral. Vai estar tudo bem e vou voltar ao trabalho em janeiro. Hoje fui a mais uma junta médica. Mais uma experiência sobre-natural, mas hoje não é dia para criticarmos o nosso sistema.
Obrigado a todos que estiveram comigo este ano, que me apoiaram nas coisas maiores e mais pequenas. Este cancro meteu-se com muita gente ao alojar-se no meu corpo.
Bjinho,
Vera
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Foliculite
Ora pois, foliculite...uma infeção bacteriana sob a pele.
Era mesmo disto que eu estava a precisar J
A radioterapia conseguiu deitar-me quase por terra. Sistema
imunitário, valores do hemograma, energia….tudo ficou em “low battery” e como tal,
alguma bactériazinha intrometida resolveu meter-se comigo e teve sorte. Pensava eu que ia recuperar energias em setembro, para poder começar a pensar retomar a minha vida e zumba...é para aprender a respeitar o ritmo do corpo, e não as vontades da mente.
Na semana passada, começaram a aparecer umas borbulhas na
barriga, logo abaixo da zona irradiada. Pensava eu que era uma consequência da
tareia que a pele do peito levou, mas as teimosas começaram a espalhar-se pelo
corpo, ainda que se mantivessem bem concentradas na barriga, especialmente no
lado direito, mesmo no alinhamento da zona da radio.
Não dei grande importância às ditas cujas, até que esta
segunda-feira a comichão quase me levou à loucura. Contactei o meu oncologista,
que descartou quase de imediato o facto de poder ser consequência da
radioterapia ou do Herceptin. Como ia ontem ao radiologista mostrar a pele,
combinámos que ele veria a pele e daria a sua opinião. A opinião foi a mesma. É
algo estranho, infectado, mas não derivado da radio ou anti-corpo. Claro que de
lá segui para o oncologista, que me recomendou ser vista por um
dermatologista.
O Dr. Leal não foi embora sem me
arranjar uma vaga logo para o início da tarde e sem falar pessoalmente com o
dermatologista. Cada vez mais admiro e respeito este meu médico.
Resumindo, é supostamente uma foliculite herpética (coisa
linda) e posso ter apanhado isto em qualquer lado, de qualquer pessoa ou mesmo
sozinha. Iniciei antibiótico e tratamento de pele já ontem. Claro que depois de
tudo o que já passou, isto são "peanuts", mas uns "peanuts" muito chatos e
irritantes J
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Semi-letargia
Hoje foi dia de anti-corpo logo pela manhã. Hemograma ok, Herceptin para dentro.
Fico num estado de semi-letargia depois da dose. Uma moleza estranha e um cansaço físico, que me faz adormecer no carro até chegar a casa. Mas não, a moleza não pode continuar em casa, porque a Rita estava à espera da mãe para ver o "Frozen" pela milésima vez, até sairmos para mais uma sessão de fisioterapia já ao fim da tarde.
A fisioterapia termina amanhã, já com maior amplitude de movimentos do braço. Ainda não estou a 100%, mas preciso de parar agora. Tenho mesmo de descansar para recuperar energias e a pele. Os efeitos da radio sentem-se agora com mais "esplendor" e a coisa está "viva" aqui por estes lados.
Apesar de tudo, interessa é conseguirmos sempre rir de alguma coisa, conseguir sempre ver algo bom nos nossos dias. Hoje a vizinha Lia (6 anos) quis ver o meu "dói-dói". Diz-me ela depois, com uma naturalidade maravilhosa: "isso está mesmo feio!"
Pois está Lia, tens razão. Mas vai ficar melhor, muito melhor, e teremos muitos anos pela frente para os nossos picnics e convívio!
Bjinho
Fico num estado de semi-letargia depois da dose. Uma moleza estranha e um cansaço físico, que me faz adormecer no carro até chegar a casa. Mas não, a moleza não pode continuar em casa, porque a Rita estava à espera da mãe para ver o "Frozen" pela milésima vez, até sairmos para mais uma sessão de fisioterapia já ao fim da tarde.
A fisioterapia termina amanhã, já com maior amplitude de movimentos do braço. Ainda não estou a 100%, mas preciso de parar agora. Tenho mesmo de descansar para recuperar energias e a pele. Os efeitos da radio sentem-se agora com mais "esplendor" e a coisa está "viva" aqui por estes lados.
Apesar de tudo, interessa é conseguirmos sempre rir de alguma coisa, conseguir sempre ver algo bom nos nossos dias. Hoje a vizinha Lia (6 anos) quis ver o meu "dói-dói". Diz-me ela depois, com uma naturalidade maravilhosa: "isso está mesmo feio!"
Pois está Lia, tens razão. Mas vai ficar melhor, muito melhor, e teremos muitos anos pela frente para os nossos picnics e convívio!
Bjinho
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Cansaço
Num mês em que supostamente recuperamos energia para o ano todo, eu continuo com baterias em baixo, sem as conseguir recarregar. A idade é um posto!
Com uma agenda social algo preenchida no final da semana passada, foi no sábado que a bateria quase descarregou em casa dos amigos "beans", com a minha alegre vizinhança. Estava fisicamente exausta, mas a alegria daquela gente toda acaba por nos contagiar e lá resisti até às 23h...(as minhas noitadas agora são assim). Quando estamos rodeados de gente boa, sentimo-nos com mais força.
Tirando isso, a recuperar dos efeitos da radioterapia. Algumas feridas abertas, tipo queimadura, mas já estava a contar com elas. Incomodam mais do que propriamente a dor que causam (para já).
Amanhã é dia de voltar à carga com o anti-corpo (Herceptin) e de voltar a estar com o meu querido oncologista e enfermeira. Sabe bem ser tratada por profissionais deste género. Pena que nem todos os profissionais nesta área tão delicada sabem tratar e cuidar o doente no seu todo. Torna o processo muito mais fácil.
E entretanto, a luta literária continua...
Bjinho e aproveitem bem os últimos dias de agosto!
Com uma agenda social algo preenchida no final da semana passada, foi no sábado que a bateria quase descarregou em casa dos amigos "beans", com a minha alegre vizinhança. Estava fisicamente exausta, mas a alegria daquela gente toda acaba por nos contagiar e lá resisti até às 23h...(as minhas noitadas agora são assim). Quando estamos rodeados de gente boa, sentimo-nos com mais força.
Tirando isso, a recuperar dos efeitos da radioterapia. Algumas feridas abertas, tipo queimadura, mas já estava a contar com elas. Incomodam mais do que propriamente a dor que causam (para já).
Amanhã é dia de voltar à carga com o anti-corpo (Herceptin) e de voltar a estar com o meu querido oncologista e enfermeira. Sabe bem ser tratada por profissionais deste género. Pena que nem todos os profissionais nesta área tão delicada sabem tratar e cuidar o doente no seu todo. Torna o processo muito mais fácil.
E entretanto, a luta literária continua...
Bjinho e aproveitem bem os últimos dias de agosto!
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Imagens...
As imagens do dia da última sessão de radioterapia...palavras para quê?
Bjinho a todos que me acompanham :)
![]() |
| A simpatia do "staff" do Quadrantes, faltando na foto a Isabel e o Dr. Tomé :) |
![]() |
| A Rita a deixar um presentinho da Vista Alegre para beberem um chá e se lembrarem de nós :) |
![]() |
| Uma certa amiga (SISSE) que me apetrechou para os próximos rounds! |
![]() |
| Presentinhos dos vizinhos Rafa e Lia :) |
![]() |
| Uns veraneantes que, mesmo de férias, não se esquecem de nós:) |
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Terra à vista
Se eu fosse um pescador a chegar de uma jornada de 1 mês e meio no mar, gritaria "terra à vista".
No meu caso, que sou mais serrana do que pescadora, a única coisa que vislumbro é o fim da radioterapia amanhã. Mais uma fase que se completa.
26 sessões. É dose, ou aliás, quase já posso dizer que foi dose. As viagens diárias ao Porto, quase sempre de comboio, deram cabo de mim. A pele agora anda mais mal-tratada, muito sensível mesmo, mas mesmo assim, portou-se bem. Agora é esperar pela pele nova, tipo rabo de bebé, não é, Vânia?
Espero, com todas as forças, que o tratamento tenha surtido o efeito desejado e tenha eliminado possíveis células do bicho que tenham ficado na parede torácica. Amanhã tenho consulta de alta com o meu médico radiologista e, apesar de ter sentido muito carinho e simpatia por parte de todos na Clínica Quadrantes, espero não ter de voltar a usufruir dos seus serviços.
E pensam vocês que eu agora ia ter um bocadinho de paz para recuperar? Ainda não mereço..."trabalhei" pouco este ano. Na próxima terça, dia 26, mais um tratamento de imunoterapia e consulta de oncologia. Até lá, tenho de recuperar valores normais de tensão arterial (de galinha nestes últimos dias), nível de plaquetas, hemoglobina....etc etc....está tudo em "low power".
Para quem está de férias, aproveitem bastante cada dia. Mimem quem vos é próximo e nada de energias negativas. A vida é curta, as férias também.
Bjinho
No meu caso, que sou mais serrana do que pescadora, a única coisa que vislumbro é o fim da radioterapia amanhã. Mais uma fase que se completa.
26 sessões. É dose, ou aliás, quase já posso dizer que foi dose. As viagens diárias ao Porto, quase sempre de comboio, deram cabo de mim. A pele agora anda mais mal-tratada, muito sensível mesmo, mas mesmo assim, portou-se bem. Agora é esperar pela pele nova, tipo rabo de bebé, não é, Vânia?
Espero, com todas as forças, que o tratamento tenha surtido o efeito desejado e tenha eliminado possíveis células do bicho que tenham ficado na parede torácica. Amanhã tenho consulta de alta com o meu médico radiologista e, apesar de ter sentido muito carinho e simpatia por parte de todos na Clínica Quadrantes, espero não ter de voltar a usufruir dos seus serviços.
E pensam vocês que eu agora ia ter um bocadinho de paz para recuperar? Ainda não mereço..."trabalhei" pouco este ano. Na próxima terça, dia 26, mais um tratamento de imunoterapia e consulta de oncologia. Até lá, tenho de recuperar valores normais de tensão arterial (de galinha nestes últimos dias), nível de plaquetas, hemoglobina....etc etc....está tudo em "low power".
Para quem está de férias, aproveitem bastante cada dia. Mimem quem vos é próximo e nada de energias negativas. A vida é curta, as férias também.
Bjinho
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Livro & lágrima
Uma pessoa muito próxima foi passar 15 dias à Alemanha, para desenferrujar a língua. De lá enviou-me três postais, não fosse eu esquecer-me que ela continua firme e hirta na determinação de me acompanhar durante este meu processo de "redescoberta". Trouxe-me o melhor presente que me podem dar, um livro. Um livro que, por acaso, quase me fez chorar no comboio, em frente a umas quantas pessoas, mas ok, eu perdoo-te, tia Sisse.
É uma história simples de uma mulher que se viu confrontada com um primeiro cancro de mama aos 34 e depois com recidiva 12 anos mais tarde. Relata de uma maneira directa e simples todos os fantasmas que assombram quem sofre, ou vê sofrer alguém com esta doença.
É uma história simples de uma mulher que se viu confrontada com um primeiro cancro de mama aos 34 e depois com recidiva 12 anos mais tarde. Relata de uma maneira directa e simples todos os fantasmas que assombram quem sofre, ou vê sofrer alguém com esta doença.
Nada de novo, especialmente para mim que já li tantos sobre o assunto. Então o que fez brotar a lágrima?
Simplesmente a descrição que a autora faz quando se apercebe que tem cancro de mama, com um filho de dois anos apenas e em plena quadra natalícia. Pareceu-me tudo tão familiar...apenas muda a idade da criança de 2 para 3.
Pela Rita, e sempre por ela principalmente, a quadra natalícia de 2013 foi passada com a maior naturalidade possível. Houve jantar e almoço de Natal com a família, presentes e diversão. Por dentro, sabe Deus como eu estava, mas tinha de sorrir e de lhe proporcionar o melhor que tínhamos.
Com 3 anos, o entendimento da vida é ainda relativo e ficar marcada por uma coisa destas assusta-me. Por este motivo, tenho tentado levar este cancro de uma maneira transparente e simplificada, ainda que choque algumas pessoas. Como eu dizia hoje à Stela, a fisioterapeuta que me está a ajudar a recuperar os movimentos do braço e músculo, se nós falarmos acerca do bicho, ele torna-se menos peludo e menos assustador.
Porque, tal como a autora do livro, o medo de deixar de estar aqui para ver os filhos crescerem e para os ajudar a compreenderem as amarguras e as alegrias da vida, é maior do que o medo da nossa morte em si, ainda que estritamente ligados. Estranho, não é?
Pois, foi assim que brotou a lágrima no comboio, prontamente seca com o frio polar que se faz sentir lá dentro.
Já fui menos lamechas :(
Bjinho
Ps. A radioterapia ainda vai durar até terça-feira, mas estamos quase no fim. A pele aguentou-se estoicamente, ainda que agora já muito avermelhada, tipo escaldão de gente parva que não usa protetor solar.
domingo, 3 de agosto de 2014
Gengibre
Pois é, ao fim de quase 8 meses de luta, o sistema imunitário esqueceu-se de me defender e estou com aquela tosse seca e garganta inflamada. A radioterapia talvez não ajude, porque acaba por provocar também inflamação de tecidos, mas no fundo, acho que o que mais contribuiu para esta garganta dorida foi, sem dúvida, a CP. Não imaginam o friozinho que faz nos comboios. Saímos de uma câmara frigorífica para o calor de S.Bento e vice-versa.
Ao fim de 3 semanas, a garganta cedeu. Na sexta, tivémos de interromper a radioterapia por duas vezes, para aqui a madame poder tossir. É suposto estar o mais imóvel possível, por isso a tosse não ajuda. Demoramos um bocadinho mais, para que me voltassem a colocar no sítio exacto das duas vezes.
Vale a simpatia das terapeutas e a promessa do tal serviço de chá da Vista Alegre:)
Portanto, desde sexta que a missão é curar esta tosse. Chá de gengibre com mel tem sido a minha ajuda e resulta. Hoje já tenho menos tosse e espero passar bem a noite. Aproxima-se a 4ª semana de radio e desta vez acompanhada pela Rita, que já está "familiarizada" com o pessoal do Quadrantes.
O chá bebe-se muito bem, com aquele ligeiro "picante" próprio do gengibre. Se juntarem um bom mel, sabe mesmo bem. Comprem no supermercado a raíz e experimentem. É um anti-inflamatório muito forte e atua também como acelerador de metabolismo, para quem quiser perder uns quilinhos.
Eu também tenho aqui algum peso e volume a perder (tudo dos corticóides, claro), mas uma coisa de cada vez. Primeiro o cancro, depois a banha.
Informem-se aqui acerca do gengibre e aprendam a fazer o chá.
Bjinhos
Ao fim de 3 semanas, a garganta cedeu. Na sexta, tivémos de interromper a radioterapia por duas vezes, para aqui a madame poder tossir. É suposto estar o mais imóvel possível, por isso a tosse não ajuda. Demoramos um bocadinho mais, para que me voltassem a colocar no sítio exacto das duas vezes.
Vale a simpatia das terapeutas e a promessa do tal serviço de chá da Vista Alegre:)
Portanto, desde sexta que a missão é curar esta tosse. Chá de gengibre com mel tem sido a minha ajuda e resulta. Hoje já tenho menos tosse e espero passar bem a noite. Aproxima-se a 4ª semana de radio e desta vez acompanhada pela Rita, que já está "familiarizada" com o pessoal do Quadrantes.
O chá bebe-se muito bem, com aquele ligeiro "picante" próprio do gengibre. Se juntarem um bom mel, sabe mesmo bem. Comprem no supermercado a raíz e experimentem. É um anti-inflamatório muito forte e atua também como acelerador de metabolismo, para quem quiser perder uns quilinhos.
Eu também tenho aqui algum peso e volume a perder (tudo dos corticóides, claro), mas uma coisa de cada vez. Primeiro o cancro, depois a banha.
Informem-se aqui acerca do gengibre e aprendam a fazer o chá.
Bjinhos
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Radio_count down
Muita gente me tem sentido mais cansada e mais abatida.
Claro que têm razão, por mais que eu tente disfarçar. Já são muitos meses nesta luta e o meu corpinho de “sereia” não é de ferro. A minha vida tem sido um vaivém Aveiro-Porto e uma constante luta mental contra o medo que o cancro nos cria e que nos impede, por vezes, de sermos clarividentes.
Não me consigo concentrar em nada de útil. Estou de baixa (valores fantásticos na categoria de bolseiro) mas não tenho tido tempo para nada que considere útil, sinto o tempo a esgotar-se e eu parada a vê-lo passar.
Já completei uma dúzia de tratamentos de radioterapia. Hoje, com a sessão nr. 13, iniciar-se-á o meu count down. Até aqui sempre a somar, agora vamos descontar até chegar à última sessão. Muita gente me pergunta como é a radioterapia. Pois bem:
O equipamento é algo deste género, não tenho fotos do "meu". Num dia que não seja necessário fazer as marcações, vulgo "riscalhada", em 10 minutos estou pronta a apanhar o comboio de volta para a santa cidade de Aveiro. Para já, não sinto nada além de uma breve sensação de calor na zona de incidência.
O que me incomoda na radioterapia?
Incómodo 1 – TER de fazer radioterapia (piadinha)!
Incómodo 2 – Viagens diárias ao Porto. Ontem estava um calor abrasador e no comboio tenho sempre pontaria para companhias que (tal como eu), não devem tomar um bom banho há dias.
Incómodo 3 - A roupa. Convém andar vestido apenas com algodão e nada de muita pressão no peito, pelo que ando com uma camisola de algodão, soutien por cima e depois camisa/T-shirt com 2 tamanhos acima. Dá cá um jeitinho que nem vos digo.
Incómodo 4 – Não poder tomar banho normalmente...basicamente à gato durante a semana e banho permitido aos fins de semana, evitando tirar a riscalhada (o meu peito parece um mapa dos Descobrimentos).
O que considero positivo na radioterapia?
Positivo 1 – O facto de já estar a fazer radioterapia é bom sinal. Já cá cheguei.
Positivo 2 - A imagem mental que visualizo durante o “churrasco”. As malditas células tumorais a desfazerem-se todas, quais bolas de sabão no ar!!!
Positivo 3 – A simpatia e boa disposição naquela clínica. Desde a receção, às consultas semanais com o Dr. Tomé, às sessões diárias com a Vânia e Cláudia, enfim, reina a boa disposição e o foco no paciente.
Positivo 4 – A pele começa a sentir os efeitos, mas ainda não sinto a vermelhidão que algumas pessoas relataram para me assustar.
Amanhã começa já outra das fases pós-cirurgia.
Há quem a chame de quimioterapia, mas na prática é imunoterapia. Às 9h lá estarei eu no Hospital da Arrábida. Eu sabia de antemão que o anti-corpo Herceptin seria para continuar até perfazer 1 ano, mas inocentemente julgava que seria só depois da radio. È já amanhã. Recomeça o martírio do hemograma, aprovação e “injeta” o anti-corpo durante 2 horas. Bendito cateter que salvaguarda as veias dos braços.
Este tratamento vai ser administrado numa base de 3 em 3 semanas, por 9 meses e julgo que o vou tolerar bem. Já fiz 3 meses deste medicamento, em conjugação com a quimio, e não tem os mesmos efeitos pesados. Como eu costumo dizer, é apenas cardio-tóxico, nada mais!! O coração aguenta, se a mente colaborar.
Bjinho
PS. Se quiserem saber mais acerca do Herceptin, que é feito, pasmem-se, de células do ovário do Hamster Chinês, acedam a informação em PT ou em ENG.
Claro que têm razão, por mais que eu tente disfarçar. Já são muitos meses nesta luta e o meu corpinho de “sereia” não é de ferro. A minha vida tem sido um vaivém Aveiro-Porto e uma constante luta mental contra o medo que o cancro nos cria e que nos impede, por vezes, de sermos clarividentes.
Não me consigo concentrar em nada de útil. Estou de baixa (valores fantásticos na categoria de bolseiro) mas não tenho tido tempo para nada que considere útil, sinto o tempo a esgotar-se e eu parada a vê-lo passar.
Já completei uma dúzia de tratamentos de radioterapia. Hoje, com a sessão nr. 13, iniciar-se-á o meu count down. Até aqui sempre a somar, agora vamos descontar até chegar à última sessão. Muita gente me pergunta como é a radioterapia. Pois bem:
O equipamento é algo deste género, não tenho fotos do "meu". Num dia que não seja necessário fazer as marcações, vulgo "riscalhada", em 10 minutos estou pronta a apanhar o comboio de volta para a santa cidade de Aveiro. Para já, não sinto nada além de uma breve sensação de calor na zona de incidência.
![]() |
| Equipamento de radioterapia_Acelerador |
O que me incomoda na radioterapia?
Incómodo 1 – TER de fazer radioterapia (piadinha)!
Incómodo 2 – Viagens diárias ao Porto. Ontem estava um calor abrasador e no comboio tenho sempre pontaria para companhias que (tal como eu), não devem tomar um bom banho há dias.
Incómodo 3 - A roupa. Convém andar vestido apenas com algodão e nada de muita pressão no peito, pelo que ando com uma camisola de algodão, soutien por cima e depois camisa/T-shirt com 2 tamanhos acima. Dá cá um jeitinho que nem vos digo.
Incómodo 4 – Não poder tomar banho normalmente...basicamente à gato durante a semana e banho permitido aos fins de semana, evitando tirar a riscalhada (o meu peito parece um mapa dos Descobrimentos).
O que considero positivo na radioterapia?
Positivo 1 – O facto de já estar a fazer radioterapia é bom sinal. Já cá cheguei.
Positivo 2 - A imagem mental que visualizo durante o “churrasco”. As malditas células tumorais a desfazerem-se todas, quais bolas de sabão no ar!!!
Positivo 3 – A simpatia e boa disposição naquela clínica. Desde a receção, às consultas semanais com o Dr. Tomé, às sessões diárias com a Vânia e Cláudia, enfim, reina a boa disposição e o foco no paciente.
Positivo 4 – A pele começa a sentir os efeitos, mas ainda não sinto a vermelhidão que algumas pessoas relataram para me assustar.
Amanhã começa já outra das fases pós-cirurgia.
Há quem a chame de quimioterapia, mas na prática é imunoterapia. Às 9h lá estarei eu no Hospital da Arrábida. Eu sabia de antemão que o anti-corpo Herceptin seria para continuar até perfazer 1 ano, mas inocentemente julgava que seria só depois da radio. È já amanhã. Recomeça o martírio do hemograma, aprovação e “injeta” o anti-corpo durante 2 horas. Bendito cateter que salvaguarda as veias dos braços.
Este tratamento vai ser administrado numa base de 3 em 3 semanas, por 9 meses e julgo que o vou tolerar bem. Já fiz 3 meses deste medicamento, em conjugação com a quimio, e não tem os mesmos efeitos pesados. Como eu costumo dizer, é apenas cardio-tóxico, nada mais!! O coração aguenta, se a mente colaborar.
Bjinho
PS. Se quiserem saber mais acerca do Herceptin, que é feito, pasmem-se, de células do ovário do Hamster Chinês, acedam a informação em PT ou em ENG.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Açúcar
Aqui estou eu, depois daquela bomba de açúcar que ingeri ontem, a beber um sumo de cenoura e laranja, acabadinho de fazer, acompanhado de uma padinha torrada (as saborosas padinhas da Eça de Queiroz, claro).
Quem me acompanha no Facebook, viu a desgraça de ontem. Shame on me!
Os açucares refinados são uma das piores coisas que podemos ingerir, pois as células tumorais são viciadas em açúcar...tipo algumas pessoas que eu conheço. O açúcar funciona como um combustível perigoso, mas não só para o cancro, mas também para tantas outras doenças da nossa sociedade. Apenas o facto de não colocarmos o pacote de açucar no café já é muito bom.
Se beberem 3 cafés por dia, com os pacotes a variarem de 6 a 9 grs, podem ingerir só aí metade da quantidade de açúcar considerada segura, sendo que a OMS recomenda a ingestão máxima de 50g de açúcar/dia. A nossa média tuga anda nos 96g/dia.
Amigos da UA, logo quando forem beber um cafézinho ao bar da Reitoria, a D. Manuela hoje não vos dá açúcar :)
Pois, grande lata! E perguntam-me porque raio comi um crepe com bola de gelado de leite creme, com caramelo e amêndoa? Podia dizer que a culpa foi do little brother, que ele tinha insistido e quase forçado a comer. Mas não, simplesmente apeteceu-me. De vez em quando, sabe bem quebrar as regras. A vida já tem sido amarga o suficiente.
Continuo a viajar diariamente para a Invicta. Confesso que ando mais cansada do que esperava. Não creio que sejam efeitos da radioterapia, porque ainda só fiz 9 sessões e tratam-me muito bem por lá :)
Penso que é mesmo das viagens e da obrigação de ter de sair todos os dias, apesar da boa companhia (o Gabriel García Márquez tem-me acompanhado).
Fisicamente, ainda que cansada, mantenho o peso, que felizmente tem sido mais ou menos constante. Apesar de ser bombardeado com tanta porcaria, o meu 1,56cm de gente ainda se vai aguentando bem. O facto de ser relativamente nova dá-me vantagens na luta, por um lado, e por outro traz algumas desvantagens, tipo um sistema hormonal muito ativo que terá de ser combatido com terapia anti-hormonal. Preparem-se para as variações de humor!
E por falar em terapia, em breve iniciarei a imunoterapia, aprovada já pelo seguro. De 3 em 3 semanas, lá estarei eu no Hospital da Arrábida a “ingerir” o Herceptin. As injeções não foram aprovadas, terei de ser eu a suportar, mas enfim, no meio disto tudo, vão-se os anéis e ficam os dedos.
Espero que se mantenham comigo, apesar de andar preguiçosa para escrever.
Bjinho
Quem me acompanha no Facebook, viu a desgraça de ontem. Shame on me!
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| Crepe na Farggi |
Os açucares refinados são uma das piores coisas que podemos ingerir, pois as células tumorais são viciadas em açúcar...tipo algumas pessoas que eu conheço. O açúcar funciona como um combustível perigoso, mas não só para o cancro, mas também para tantas outras doenças da nossa sociedade. Apenas o facto de não colocarmos o pacote de açucar no café já é muito bom.
Se beberem 3 cafés por dia, com os pacotes a variarem de 6 a 9 grs, podem ingerir só aí metade da quantidade de açúcar considerada segura, sendo que a OMS recomenda a ingestão máxima de 50g de açúcar/dia. A nossa média tuga anda nos 96g/dia.
Amigos da UA, logo quando forem beber um cafézinho ao bar da Reitoria, a D. Manuela hoje não vos dá açúcar :)
Pois, grande lata! E perguntam-me porque raio comi um crepe com bola de gelado de leite creme, com caramelo e amêndoa? Podia dizer que a culpa foi do little brother, que ele tinha insistido e quase forçado a comer. Mas não, simplesmente apeteceu-me. De vez em quando, sabe bem quebrar as regras. A vida já tem sido amarga o suficiente.
Continuo a viajar diariamente para a Invicta. Confesso que ando mais cansada do que esperava. Não creio que sejam efeitos da radioterapia, porque ainda só fiz 9 sessões e tratam-me muito bem por lá :)
Penso que é mesmo das viagens e da obrigação de ter de sair todos os dias, apesar da boa companhia (o Gabriel García Márquez tem-me acompanhado).
Fisicamente, ainda que cansada, mantenho o peso, que felizmente tem sido mais ou menos constante. Apesar de ser bombardeado com tanta porcaria, o meu 1,56cm de gente ainda se vai aguentando bem. O facto de ser relativamente nova dá-me vantagens na luta, por um lado, e por outro traz algumas desvantagens, tipo um sistema hormonal muito ativo que terá de ser combatido com terapia anti-hormonal. Preparem-se para as variações de humor!
E por falar em terapia, em breve iniciarei a imunoterapia, aprovada já pelo seguro. De 3 em 3 semanas, lá estarei eu no Hospital da Arrábida a “ingerir” o Herceptin. As injeções não foram aprovadas, terei de ser eu a suportar, mas enfim, no meio disto tudo, vão-se os anéis e ficam os dedos.
Espero que se mantenham comigo, apesar de andar preguiçosa para escrever.
Bjinho
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Radioterapia
Radioterapia
Depois de uns dias de “blog-exclusão”, volto hoje. Como escrevo por vontade, e não por obrigação, passam-se dias sem dar ares da minha graça.
Com a definição do plano de tratamento (com base na biópsia), com a recuperação da cirurgia e com dias mais escuros na mente (malditos números e maldita vontade de saber tudo acerca do cancro inflamatório), não me sentia impelida a escrever. Tenho de estar bem para a Rita, mas para o resto do mundo não preciso de fingir.
Há dias em que até cansa só de olhar para o plano de tratamento que tenho pela frente ainda. Radio, Herceptin, Tamoxifeno, injeções...e isto num plano ideal de recuperação. Há dias e dias realmente. Dias de acordar bem disposta, como hoje. Levar a pestinha júnior à escola e saber que ela ali fica bem entregue e feliz. É menos uma preocupação, e que preocupação saber que os nossos filhos estão bem.
De lá segui para o Porto com o charmoso. Ele ia a uma reunião e eu fiquei, qual dama abandonada, a ler num jardim (S. Lázaro, penso eu.) Passou-se bem o tempo. Infelizmente deu para reparar que andavam lá tantas pessoas sozinhas, com um ar triste e pesado. É um dos erros das sociedades modernas. Não sabemos cuidar.
E, depois de devidamente almoçados, lá seguimos para o Centro Quadrantes, a unidade de radioterapia onde vou ser seguida. Segundo o meu oncologista, era urgente iniciar a radioterapia, para não dar hipóteses a células que tenham ficado na parede torácica. O bicho adora espalhar-se e adora ser teimoso e dissimulado.
A primeira sessão de radioterapia já está feita. Venham as próximas 24 (sim, 24...).
Correu tudo bem. Muitas medições, simulações e depois de muita “riscalhada” no peito, a sessão decorreu pacificamente. Foram extremamente simpáticos e atenciosos, como aliás o meu oncologista havia dito que seriam.
Vou-lhe dar luta com outras armas também. Muitos anti-oxidantes, muita água com pH elevado, muita comida verde e claro em breve irei visitar a minha naturopata para, se necessário, ajustarmos o tratamento a esta nova fase do combate. Acima de tudo, vou-lhe tentar dar também muito combate psicológico. Se ele é forte, eu também sou e terei mais aliados com toda a certeza.
Fiquei muito feliz com uma notícia que recebi ontem. Minha querida Ana Maria Rocha, espero que o regresso à nossa universidade tenha sido acompanhado por muito carinho e muitos abraços e beijinhos. Um dia destes passarei para a chatear :)
Beijinho e obrigada por acompanharem.
Vera
Depois de uns dias de “blog-exclusão”, volto hoje. Como escrevo por vontade, e não por obrigação, passam-se dias sem dar ares da minha graça.
Com a definição do plano de tratamento (com base na biópsia), com a recuperação da cirurgia e com dias mais escuros na mente (malditos números e maldita vontade de saber tudo acerca do cancro inflamatório), não me sentia impelida a escrever. Tenho de estar bem para a Rita, mas para o resto do mundo não preciso de fingir.
Há dias em que até cansa só de olhar para o plano de tratamento que tenho pela frente ainda. Radio, Herceptin, Tamoxifeno, injeções...e isto num plano ideal de recuperação. Há dias e dias realmente. Dias de acordar bem disposta, como hoje. Levar a pestinha júnior à escola e saber que ela ali fica bem entregue e feliz. É menos uma preocupação, e que preocupação saber que os nossos filhos estão bem.
De lá segui para o Porto com o charmoso. Ele ia a uma reunião e eu fiquei, qual dama abandonada, a ler num jardim (S. Lázaro, penso eu.) Passou-se bem o tempo. Infelizmente deu para reparar que andavam lá tantas pessoas sozinhas, com um ar triste e pesado. É um dos erros das sociedades modernas. Não sabemos cuidar.
E, depois de devidamente almoçados, lá seguimos para o Centro Quadrantes, a unidade de radioterapia onde vou ser seguida. Segundo o meu oncologista, era urgente iniciar a radioterapia, para não dar hipóteses a células que tenham ficado na parede torácica. O bicho adora espalhar-se e adora ser teimoso e dissimulado.
A primeira sessão de radioterapia já está feita. Venham as próximas 24 (sim, 24...).
Correu tudo bem. Muitas medições, simulações e depois de muita “riscalhada” no peito, a sessão decorreu pacificamente. Foram extremamente simpáticos e atenciosos, como aliás o meu oncologista havia dito que seriam.
Vou-lhe dar luta com outras armas também. Muitos anti-oxidantes, muita água com pH elevado, muita comida verde e claro em breve irei visitar a minha naturopata para, se necessário, ajustarmos o tratamento a esta nova fase do combate. Acima de tudo, vou-lhe tentar dar também muito combate psicológico. Se ele é forte, eu também sou e terei mais aliados com toda a certeza.
Fiquei muito feliz com uma notícia que recebi ontem. Minha querida Ana Maria Rocha, espero que o regresso à nossa universidade tenha sido acompanhado por muito carinho e muitos abraços e beijinhos. Um dia destes passarei para a chatear :)
Beijinho e obrigada por acompanharem.
Vera
terça-feira, 1 de julho de 2014
B&B
Banho
Uma coisa insignificante para muitos de nós, até ao dia em que nos vemos privado dele. Não pensem que estive desde o dia da cirurgia sem cuidados de higiene, mas banho, com água a correr no chuveiro (nada de imersão, claro), foi hoje. Acabou de acontecer e soube bem.
A minha querida cirurgiã deu-me ontem o seu avalo para o banho. Pontos fora, cicatriz a descoberto e banho. Já disse que bem que soube, certo?
Biópsia
Ontem a Dra. Teresa também me disse outras coisas...chegaram os resultados da análise do bicho. Ela leu o relatório em voz alta para eu acompanhar...escusado será dizer que chegou ao fim e eu já tinha mudado de cor umas 500 vezes. Estava sozinha com ela (little brother Nelson na sala de espera) e a minha capacidade para entender “mediquês” ainda é limitada (apesar de eu tentar acompanhar via segundas opiniões ou artigos científicos tudo o que me fazem e propõem). É positivo o relatório no seu global. As estruturas neoplásicas ainda se identificaram nos retalhos analisados, mas já residualmente e é, segundo consta, normal que lá estejam neste tipo de bicho.
Propôs assim que seu seguisse o caminho traçado, o da radioterapia + imunoterapia+hormonoterapia, mas quem decide agora é a oncologia. Volto na sexta-feira para o meu oncologista. Limpeza de cateter com a minha querida enfermeira Maria José e consulta com o Dr. Leal da Silva. Espero que ele faça aquele sorriso de alívio ao ler o relatório. Será um bom sinal, o de que estamos no caminho certo.
Até sexta ainda terei de moderar o meu entusiasmo. Apesar da opinião da cirurgiã, é o oncologista que melhor saberá o próximo passo. Wish me luck...
Obrigado, mais uma vez, a todos os que têm estado presentes neste meu caminho de recuperação.
E obrigada a ti em especial, cujo nome não direi, que me deixaste hoje uma flor na porta de casa. Que a quimioterapia não volte às nossas vidas e que sejamos felizes com os nossos filhos e família por muitos e longos anos.
Uma coisa insignificante para muitos de nós, até ao dia em que nos vemos privado dele. Não pensem que estive desde o dia da cirurgia sem cuidados de higiene, mas banho, com água a correr no chuveiro (nada de imersão, claro), foi hoje. Acabou de acontecer e soube bem.
A minha querida cirurgiã deu-me ontem o seu avalo para o banho. Pontos fora, cicatriz a descoberto e banho. Já disse que bem que soube, certo?
Biópsia
Ontem a Dra. Teresa também me disse outras coisas...chegaram os resultados da análise do bicho. Ela leu o relatório em voz alta para eu acompanhar...escusado será dizer que chegou ao fim e eu já tinha mudado de cor umas 500 vezes. Estava sozinha com ela (little brother Nelson na sala de espera) e a minha capacidade para entender “mediquês” ainda é limitada (apesar de eu tentar acompanhar via segundas opiniões ou artigos científicos tudo o que me fazem e propõem). É positivo o relatório no seu global. As estruturas neoplásicas ainda se identificaram nos retalhos analisados, mas já residualmente e é, segundo consta, normal que lá estejam neste tipo de bicho.
Propôs assim que seu seguisse o caminho traçado, o da radioterapia + imunoterapia+hormonoterapia, mas quem decide agora é a oncologia. Volto na sexta-feira para o meu oncologista. Limpeza de cateter com a minha querida enfermeira Maria José e consulta com o Dr. Leal da Silva. Espero que ele faça aquele sorriso de alívio ao ler o relatório. Será um bom sinal, o de que estamos no caminho certo.
Até sexta ainda terei de moderar o meu entusiasmo. Apesar da opinião da cirurgiã, é o oncologista que melhor saberá o próximo passo. Wish me luck...
Obrigado, mais uma vez, a todos os que têm estado presentes neste meu caminho de recuperação.
E obrigada a ti em especial, cujo nome não direi, que me deixaste hoje uma flor na porta de casa. Que a quimioterapia não volte às nossas vidas e que sejamos felizes com os nossos filhos e família por muitos e longos anos.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Ups and downs
É disso que se trata. Tenho os meus ups and downs, como qualquer pessoa.
Esta semana tem sido mais para o down. Que o digam as pessoas que me tentaram ligar várias vezes...sem paciência para repetir a conversa com a minha cirurgiã. Sorry...
Precisava de assertividade, de não ter de ser eu a decidir certas coisas, mas terei de ser, porque é de mim e do meu corpo que estamos a falar. Felizmente tenho ainda algum tempo para me inteirar de toda a informação possível, de procurar segundas e terceiras opiniões para que a minha decisão seja o mais fundamentada possível e eu possa descansar sabendo que tomei a opção mais correta.
É lamentável que a nível nacional o apoio tarde (ou se calhar não exista). Depois do meu contacto inicial, aguardo há duas semanas por uma chamada de volta por parte da entidade/ instituição que apoia as pessoas com cancro no nosso país. Felizmente as pessoas do IBC (EUA) substituíram essa parte.
As boas notícias nisto tudo é que já tenho cirurgia marcada para meados de junho. A mama está praticamente pronta a operar (=sair), o que é um alívio brutal. Só de pensar em mais quimio, revolta-se-me o estômago, pernas, coluna, etc etc....
Comprei ontem mais um livro (tivesse eu possibilidades, o meu ganha-pão seria tão diferente!) e logo ao folhear li algo muito interessante. Citando: “aceito o diagnóstico, não o prognóstico”.
A luta vai continuar depois da cirurgia. Depois de cicatrizar (ai credinho, morfina please), virá a radioterapia. É mais uma maneira de matar as células cancerígenas que possam ficar na área da cirurgia. Ainda não sei onde vou fazer, sequer se o seguro vai conseguir cobrir o tratamento, mas uma coisa de cada vez. Primeiro corte e costura, depois o churrasco.
Apesar do meu mau humor esta semana, continuo a ser brindada com miminhos, até uma orquídea recebi ontem. Luísa e Elsa, vocês já deviam saber que eu tenho mais jeito para as couves do que para orquídeas. Afinal, eu consegui matar um bonsai! Aliás, já foram dois...
Obrigada...
vera
Ps. O livro...
Esta semana tem sido mais para o down. Que o digam as pessoas que me tentaram ligar várias vezes...sem paciência para repetir a conversa com a minha cirurgiã. Sorry...
Precisava de assertividade, de não ter de ser eu a decidir certas coisas, mas terei de ser, porque é de mim e do meu corpo que estamos a falar. Felizmente tenho ainda algum tempo para me inteirar de toda a informação possível, de procurar segundas e terceiras opiniões para que a minha decisão seja o mais fundamentada possível e eu possa descansar sabendo que tomei a opção mais correta.
É lamentável que a nível nacional o apoio tarde (ou se calhar não exista). Depois do meu contacto inicial, aguardo há duas semanas por uma chamada de volta por parte da entidade/ instituição que apoia as pessoas com cancro no nosso país. Felizmente as pessoas do IBC (EUA) substituíram essa parte.
As boas notícias nisto tudo é que já tenho cirurgia marcada para meados de junho. A mama está praticamente pronta a operar (=sair), o que é um alívio brutal. Só de pensar em mais quimio, revolta-se-me o estômago, pernas, coluna, etc etc....
Comprei ontem mais um livro (tivesse eu possibilidades, o meu ganha-pão seria tão diferente!) e logo ao folhear li algo muito interessante. Citando: “aceito o diagnóstico, não o prognóstico”.
A luta vai continuar depois da cirurgia. Depois de cicatrizar (ai credinho, morfina please), virá a radioterapia. É mais uma maneira de matar as células cancerígenas que possam ficar na área da cirurgia. Ainda não sei onde vou fazer, sequer se o seguro vai conseguir cobrir o tratamento, mas uma coisa de cada vez. Primeiro corte e costura, depois o churrasco.
Apesar do meu mau humor esta semana, continuo a ser brindada com miminhos, até uma orquídea recebi ontem. Luísa e Elsa, vocês já deviam saber que eu tenho mais jeito para as couves do que para orquídeas. Afinal, eu consegui matar um bonsai! Aliás, já foram dois...
Obrigada...
vera
Ps. O livro...
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