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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Regresso

Hoje foi dia de regresso à Universidade de Aveiro.

Um ano depois, eis que volto à minha secretária, ao meu local de trabalho. Tirando o facto de o computador já não me reconhecer e de passar o dia sem acesso ao mesmo, estava tudo à minha espera. Beijinhos, abraços, simpatia. No gabinete, flores e até um bolo de maçã com pouco açúcar :)

Como diria o outro, se não fosse o trabalho e até pareceria que estava em casa. Um dia pelo qual ansiava há muito. Vou precisar de me atualizar e de me ambientar novamente ao frenesim, mas com muito gosto o farei.

Quando estamos habituados a uma rotina e automatizados nas nossas funções e relações, não valorizamos a nossa presença nessa rotina. Se há rotina, é porque temos condições para lá estar, para dela fazer parte. Nada no nosso universo nos fez saltar dela para a doença, para a incerteza e medo.

Por isso, quando me perguntavam hoje se eu estava preparada para voltar aquela rotina, a minha resposta foi mesmo a de que eu estava ansiosa para voltar. Quero voltar a entrar na rotina, ainda que admita que não sou a mesma Vera. A perspectiva muda, altera-se a partir de alguns momentos da nossa vida. A minha mudou, sem dúvida, e acho que para melhor.

Não termino o post sem agradecer novamente à minha Sisse pela surpresa de ontem. Mais um kit fantástico. Só de ti mesmo se pode esperar tamanha amizade e carinho.

Do livro que me deste, sobre as coisas importantes da vida, retiro esta frase que te dedico:

"Eu digo sempre que o melhor do mundo é ter amigos de verdade (...)."
in, Winnie ensina-me a AMIZADE

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

'Aceita e sorri'

Aceitar. Sorrir.

Este livro foi-me oferecido na semana passada pela minha "fada dos livros" :)
Curiosamente tinha-o encomendado nessa mesma manhã, por isso vou devolver um deles à fada, porque ela também precisa de exemplos de força e coragem nesta fase da vida.

Senti curiosidade de ler a história desta princesinha, apesar de infelizmente ela já ter partido. A coragem desta mãe é qualquer coisa do outro mundo, sem palavras mesmo.


Aceitar um diagnóstico deste calibre é dose. É dose para um adulto que o recebe, deve ser horrível para uma mãe de uma criança de 4 anos. Espero sinceramente que a mãe Vanessa consiga sentir nela todo o amor da sua filha Leonor e o perpetue ao ajudar outras crianças. Só assim se justificará tanto sofrimento, impossível de imaginar sequer.

Se puderem, comprem o livro. São mais ou menos 13€. É uma das maneiras de ajudar a mãe Vanessa a ajudar outras crianças e famílias na mesma situação. Vejam mais informação  no Facebook

Em pequenos gestos tornamo-nos mais humanos e mais felizes.

Vera




segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Livros e livrinhos

Comprei hoje mais um livro acerca do cancro, neste caso mais especificamente sobre nutrição e cancro (mais livros, diz o Nuno...). De facto, aquilo que comemos pode influenciar o destino de uma célula aparvalhada que decida sobreviver no nosso organismo.



Com acesso a cada vez mais e melhor informação, cabe-nos a nós atuar e modificar pequenos hábitos. Ingiram menos açucar, menos comidas processadas, menos aditivos e conservantes. Tudo isso altera o nosso equilíbrio, provoca um "desgoverno" interno...e para desgoverno já nos basta o nosso país :)

Tenho andado bem, depois da floculite. Ter saído de casa uns dias com a famelga fez-me bem à cabeça. Há dias em que tudo nos faz lembrar cancro. Parece que a própria casa transpira cancro, por isso fez-nos bem sair, estar uns dias fora e eles aproveitaram bem a piscina e praia quentinha (sem o nosso vento).

A viagem fez-se por fases, porque fico muito cansada, mas nada que uma paragem na capital não tenha ajudado a tolerar. Aproveitei para ler muito. Finalmente peguei nos livros que a minha vizinha simpaticamente me trouxe para variar o estilo e os autores. Para já, Fernanda, o teu gosto literário está aprovado :)

Amanhã há novo tratamento de imunoterapia durante a manhã e à tarde consulta de dermatologia para ver a pele. Estou meia "sarapintada" com as manchas que as borbulhas deixaram, mas nada de muito feio ou melhor, nada que me consiga desviar da trajetória.

O que me poderá hoje tirar o sono?
Saber que amanhã terei "aquela" conversa com o meu querido oncologista acerca da avaliação do estado atual e plano de seguimento, bem como acerca do regresso à suposta normalidade.

Wish me luck :)
Bjinho

PS. No sábado libertei muitas hormonas felizes num certo evento. Como é bom ver os nossos amigos felizes :)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Cansaço

Num mês em que supostamente recuperamos energia para o ano todo, eu continuo com baterias em baixo, sem as conseguir recarregar. A idade é um posto!

Com uma agenda social algo preenchida no final da semana passada, foi no sábado que a bateria quase descarregou em casa dos amigos "beans", com a minha alegre vizinhança. Estava fisicamente exausta, mas a alegria daquela gente toda acaba por nos contagiar e lá resisti até às 23h...(as minhas noitadas agora são assim). Quando estamos rodeados de gente boa, sentimo-nos com mais força.

Tirando isso, a recuperar dos efeitos da radioterapia. Algumas feridas abertas, tipo queimadura, mas já estava a contar com elas. Incomodam mais do que propriamente a dor que causam (para já).

Amanhã é dia de voltar à carga com o anti-corpo (Herceptin) e de voltar a estar com o meu querido oncologista e enfermeira. Sabe bem ser tratada por profissionais deste género. Pena que nem todos os profissionais nesta área tão delicada sabem tratar e cuidar o doente no seu todo. Torna o processo muito mais fácil.

E entretanto, a luta literária continua...


Bjinho e aproveitem bem os últimos dias de agosto!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Livro & lágrima

Uma pessoa muito próxima foi passar 15 dias à Alemanha, para desenferrujar a língua. De lá enviou-me três postais, não fosse eu esquecer-me que ela continua firme e hirta na determinação de me acompanhar durante este meu processo de "redescoberta". Trouxe-me o melhor presente que me podem dar, um livro. Um livro que, por acaso, quase me fez chorar no comboio, em frente a umas quantas pessoas, mas ok, eu perdoo-te, tia Sisse.

É uma história simples de uma mulher que se viu confrontada com um primeiro cancro de mama aos 34 e depois com recidiva 12 anos mais tarde. Relata de uma maneira directa e simples todos os fantasmas que assombram quem sofre, ou vê sofrer alguém com esta doença.


Nada de novo, especialmente para mim que já li tantos sobre o assunto. Então o que fez brotar a lágrima?
Simplesmente a descrição que a autora faz quando se apercebe que tem cancro de mama, com um filho de dois anos apenas e em plena quadra natalícia. Pareceu-me tudo tão familiar...apenas muda a idade da criança de 2 para 3.

Pela Rita, e sempre por ela principalmente, a quadra natalícia de 2013 foi passada com a maior naturalidade possível. Houve jantar e almoço de Natal com a família, presentes e diversão. Por dentro, sabe Deus como eu estava, mas tinha de sorrir e de lhe proporcionar o melhor que tínhamos. 

Com 3 anos, o entendimento da vida é ainda relativo e ficar marcada por uma coisa destas assusta-me. Por este motivo, tenho tentado levar este cancro de uma maneira transparente e simplificada, ainda que choque algumas pessoas. Como eu dizia hoje à Stela, a fisioterapeuta que me está a ajudar a recuperar os movimentos do braço e músculo, se nós falarmos acerca do bicho, ele torna-se menos peludo e menos assustador.

Porque, tal como a autora do livro, o medo de deixar de estar aqui para ver os filhos crescerem e para os ajudar a compreenderem as amarguras e as alegrias da vida, é maior do que o medo da nossa morte em si, ainda que estritamente ligados. Estranho, não é?

Pois, foi assim que brotou a lágrima no comboio, prontamente seca com o frio polar que se faz sentir lá dentro.

Já fui menos lamechas :(
Bjinho


Ps. A radioterapia ainda vai durar até terça-feira, mas estamos quase no fim. A pele aguentou-se estoicamente, ainda que agora já muito avermelhada, tipo escaldão de gente parva que não usa protetor solar. 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Ups and downs

É disso que se trata. Tenho os meus ups and downs, como qualquer pessoa.

Esta semana tem sido mais para o down. Que o digam as pessoas que me tentaram ligar várias vezes...sem paciência para repetir a conversa com a minha cirurgiã. Sorry...

Precisava de assertividade, de não ter de ser eu a decidir certas coisas, mas terei de ser, porque é de mim e do meu corpo que estamos a falar. Felizmente tenho ainda algum tempo para me inteirar de toda a informação possível, de procurar segundas e terceiras opiniões para que a minha decisão seja o mais fundamentada possível e eu possa descansar sabendo que tomei a opção mais correta.

É lamentável que a nível nacional o apoio tarde (ou se calhar não exista). Depois do meu contacto inicial, aguardo há duas semanas por uma chamada de volta por parte da entidade/ instituição que apoia as pessoas com cancro no nosso país. Felizmente as pessoas do IBC (EUA) substituíram essa parte.

As boas notícias nisto tudo é que já tenho cirurgia marcada para meados de junho. A mama está praticamente pronta a operar (=sair), o que é um alívio brutal. Só de pensar em mais quimio, revolta-se-me o estômago, pernas, coluna, etc etc....

Comprei ontem mais um livro (tivesse eu possibilidades, o meu ganha-pão seria tão diferente!) e logo ao folhear li algo muito interessante. Citando: “aceito o diagnóstico, não o prognóstico”.

A luta vai continuar depois da cirurgia. Depois de cicatrizar (ai credinho, morfina please), virá a radioterapia. É mais uma maneira de matar as células cancerígenas que possam ficar na área da cirurgia. Ainda não sei onde vou fazer, sequer se o seguro vai conseguir cobrir o tratamento, mas uma coisa de cada vez. Primeiro corte e costura, depois o churrasco.

Apesar do meu mau humor esta semana, continuo a ser brindada com miminhos, até uma orquídea recebi ontem. Luísa e Elsa, vocês já deviam saber que eu tenho mais jeito para as couves do que para orquídeas. Afinal, eu consegui matar um bonsai! Aliás, já foram dois...

Obrigada...
vera

Ps. O livro...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Força de vontade


Recebi ontem um livro intitulado 'Força de vontade', por James Patterson e Hal Friedman. É uma história de luta, não contra cancro, mas contra um síndroma que não é tão "famoso" como o dito cujo.

Interessa reter a força de vontade, a esfera protetora que esta criança teve, quando as probabilidades estavam contra ela.

 O meu obrigado à D. Alda e a Celina por mais este mimo :)
Assim ainda me estragam....


A luta verídica de uma família contra um mistério clínico agonizante.
Uma história de triunfo contra todas as expectativas.
Um relato poderoso sobre o poder do amor e da determinação.

Uma manhã, quando tinha quase cinco anos, Cory Friedman acordou a sentir uma vontade incontrolável de abanar a cabeça. A partir desse dia, a sua vida transformou-se numa agonia de tiques irrefreáveis e involuntários. Cory embarcou então numa odisseia que se prolongou por treze anos, de tratamento em tratamento, à procura de uma luz ao fundo do túnel.
Cory, a quem foi diagnosticado a síndrome de Tourette, viveu longos anos sob um regime médico duro e em permanente mutação que o deixou a sentir-se como uma verdadeira cobaia. Rapidamente passou a ser a ser difícil distinguir os tiques sintomáticos da sua doença dos que eram efeitos secundários das inúmeras combinações de medicamentos a que foi sujeito ao longo da sua penosa caminhada pela infância e adolescência. A única certeza de Cory era a de que continuava a piorar. Mas com o amor da sua família e o apoio de alguns professores e profissionais dedicados, Cory lutou pela sua vida e alcançou feitos incríveis em que poucos apostavam.
Força de Vontade é a história verídica e emotiva da batalha de Cory pela sobrevivência, contra as maiores adversidades. Escrito por James Patterson e pelo pai de Cory, Hal Friedman, com o ritmo absorvente de um thriller, é o relato comovente da coragem, determinação e triunfo final de uma família a braços com uma situação desesperante.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

De volta às teclas...


Já se passaram uns bons dias desde que me aventurei na escrita, na resposta às inúmeras mensagens e tentativas de contacto. Acreditem que eu, mais do que ninguém, o lamento.  Lamento não responder, não poder dar atenção a quem me quer bem, mas esta terceira quimio deixou-me ko.

Há que admitir os factos. Desta vez, ela levou a melhor. Conseguiu colocar o meu estômago em lugares fisicamente impossíveis (ex. na garganta) e o meu nariz hiper apurado! O meu querido oncologista já me havia dito que a toxicidade ia permanecendo no corpo e me ia “assombrar” um dia destes. Pois, bem, já deu o ar da sua graça e não é NADA divertido.

Felizmente ontem já acordei melhor e hoje espero ter um bom dia.
E tive, de facto,  um bom dia na terça, quando fui com a minha querida Sisse (Sandra para os comuns mortais) ao Hospital da Arrábida levar mais uma dose.

Chovia torrencialmente em Ílhavo quando ela me veio buscar. Aqui por casa, o meu irmão já estava cá para tomar conta da pestinha júnior, porque o Nuno estava em Madrid. Lá foram as madames, serenas e seguras, tirando a chuva e fraca visibilidade, mas os carros que a Sandra conduz são verdadeiros “estiques” (quem dos tempos de estágio não se lembra de empurrar o Peugeot 205?).

A sessão começou com um sorriso de orelha a orelha e olhos semi-molhados (há que manter a aparência de dureza!). Ao que parece, anda por aí um grupo de meninas que resolveu me presentear com uma coisa simples, mas que me fez sentir muito, muito acarinhada. Meninas e menino, um menino que eu nunca julguei fazer estas figurinhas...mas que com isto me deu uma das maiores provas de amizade que já recebi. Love you back carecão J

Já ouviram falar dos calendários da Pirelli? Aquelas modelos todas xpto? Pois bem, nada disso no calendário que me ofereceram. Apenas fotos de pessoas que se preocupam comigo e vale muito, muito mais do que imagens de siliconadas J



Uma mensagem pessoal a todas as minhas modelos do calendário:

Janeiro – Lurdes: o ar pacífico que transmites na foto em África do Sul, teu país natal, é fantástico. Sentes-te em casa J
Sofia: sempre com um ar calmo, a transmitir uma serenidade que te foi sempre inerente
J

Fevereiro -  Eliane & Laura: a tua filha é muito, muito mais bonita do que tu J Adorei o pormenor das T-shirts iguais com a mensagem.

Março – Rita Pessoa: esta foto está fantástica mesmo. Até a enfermeira soltou uma gargalhada quando a viu. Obrigado pela mensagem forte. Sabes do que falas e isso significa muito.

Abril - Daniela: minha algarvia emprestada favorita. Obrigada pela sms logo de manhã. Voltarei à tua serra assim que estiver recomposta. Adoro a Serra da Estrela no Verão J

Maio - a minha Rita: é o mês da minha menina. Fotos lindas dela que vocês arranjaram.

Junho - Andreia: minha estrangeira favorita. Essa tua terra natal um dia ainda vai conhecer os meus olhos verdes. Espero que estejas bem.
Susana LB: Acabaste de ser mãe e ainda assim arranjaste tempo para me mandares uma mensagem. O José Pedro nem sabe o que lhe calhou na rifa J

Julho - Frô, nosso Paulinho e Joana: que foto linda dos três.  Trilhamos muitos caminhos juntas, rimos, choramos e vamos vencendo as batalhas. É assim mesmo. Um beijo forte para a tua mãe.

Agosto - Katrin: tão perto aqui de casa e com as nossas vidas agitadas, ainda não conheço a tua filha. É linda como o pai!

Setembro – Sandra e João:  estou(supostamente) interdita de mostrar esta imagem, mas ADOREI. Tive de olhar umas 500 vezes para conseguir acreditar que alguém fez esta figura. Sandra, de ti espero tudo mesmo, mas dele foi mesmo inacreditável. Adorei, do fundo do coração J

Outubro - Rita Pessoa- Mais uma vez, uma foto que mostra a garra e determinação com que persegues os teus objetivos. O pinheiro nem sabe com quem se meteu...ehehehe
Troubles: tu sabes que eu não gosto de gatos, tenho alergia a gatos e só de pensar em gatos fico com comichão. Mas obrigada pela mensagem no Scrables. Foi com algum trabalho que escreveste em inglês, mas está muito bom.
Joana Porto:  quem diria que não gostas de aparecer em fotos e ias mandar a foto de um gato! Sim, onde está o bicho...o bicho está a levar porrada, pena é que eu também apanho!

Novembro - Joana Velho: a pacífica, a senhora que me traz o churrasco do Ribeirinho e vem almoçar comigo, nos dias em que pres(sente) que estou sozinha. Energias positivas sim, sempre. Churrasco também J

Dezembro - um apanhado de bons tempos. Fotos daqueles jantares de curso no Café Convívio (febras com cogumelos...), dos tempos de Erasmus na Alemanha, do diploma nas mãos e de carinhas tão novas e cheias de esperanças e ingenuidade própria da idade.

Bem, como o ano só tem 12 meses, a mensagem final que me deixaram, resume tudo o que me quiseram transmitir. Obrigada a todas, adoro-vos J

"What Cancer Cannot Do"
Cancer is so limited...


It cannot cripple love.

It cannot shatter hope.

It cannot corrode faith.

It cannot destroy peace.

It cannot kill friendship.

It cannot suppress memories.

It cannot silence courage.

It cannot invade the soul.

It cannot steal eternal life.

It cannot conquer the Spirit.

Author: Unknown



sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

‘A Arte da Guerra’


Aqui está um título que não figura na minha estante. Já disse umas quantas vezes que o ia comprar e ler, mas ainda não o fiz. Há livros que compro, quase por impulso, para mais tarde ler, quando chegar a altura certa. Claro que antes do nascimento da Rita, tinha mais “impulsos” destes, mas ainda os vou tendo.

Quando ficou determinado o dia em que ia iniciar quimio, tive um destes impulsos. Ainda era cedo para ir fazer uma surpresa à Rita na piscina e já era tarde para ir ao trabalho. Precisava de comprar uma máquina de fazer sumos toda xpto para a fase que se ia iniciar, daí ter estacionado em frente ao MediaMarkt. Entrei, vi preços das máquinas (decidi instantaneamente ficar pela fraquinha que tenho em casa), comprei 2 livros e saí.

Fiquei sentada no carro quase 1h30. Um dos livros que comprei foi o da Fernanda Serrano. O outro da Clotilde Ferreira, uma mestre de yoga. Fui lendo na diagonal a história da Fernanda Serrano, fui-me identificando, e ali fiquei, estacionada naquele parque tão “encantador”. As pessoas iam passando, olhavam e continuavam nas suas vidas agitadas.

Não sei o que me espanta mais. Se eu a chorar dentro de um carro com 10 anos e a precisar de estofos novos, se aquela gente toda a passar e a evitar olhar para poderem seguir despreocupadamente com as suas vidas. Aliás, acho que me espanta mais o facto de eu estar a chorar dentro de um carro, num estacionamento público e sem qualquer “pudor”. Sim, às vezes também me espanto!

De resto, o choro não me tem acompanhado nesta jornada. Não digo que não chegará o dia em que chore baba e ranho, mas tenho sido poupadinha no gasto de água. Já fui gentilmente “acusada” de causar dilúvios por sítios mais variados como Cantanhede, Inglaterra, Algarves....por aí. Tendo em conta que o nosso governo ainda nos pode taxar mais qualquer coisinha, há que poupar no que temos garantido para já. Sei que estes dilúvios e desidratações acontecem por me terem muito carinho e sinto-me quase honrada por assim o merecer. Espero, ao mesmo tempo, poder arrancar de alguns aqueles sorrisos inocentes e simples que iluminam o coração.

Porque numa luta como esta, há dias menos bons e admitir isto é um passo para ganhar a guerra. Esta semana não foi muito dourada. Com a Rita adoentada por casa, a segunda sessão de quimio foi mais pesada de digerir. O recuperar foi mais lento, as chamadas demoram a ser devolvidas, mas acreditem que não o faço por mal. Para atender e não dar atenção, prefiro mesmo não atender.  Hoje já devolvi algumas e conto amanhã restabelecer contacto com os restantes almas terráqueas e com os 1500 emails por ler. Há uma amiga lá na UA que maldiz todas as tecnologias. Por ela, ainda estávamos na era do pombo correio, e claro com uma costela alentejana!

De resto, vou aliando armas e estratégias diferentes para dar cabo do “bicho”. Tratamento naturopata, alimentação mais direccionada, quimio e hormonas felizes. E que melhor do que vencer uma guerra valendo-me de todas as armas…