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quarta-feira, 12 de março de 2025

Soneca, costura e steri-strips

 Há 8 dias atrás, estava eu na azáfama de pré-cirurgia. Documentos e exames médicos, organizar o dia em que ia estar fora, transportes e dormida da Rita em casa da amiga, porque a entrada no Hospital da Arrábida era cedo. Por mais experiência que se tenha, há ali sempre um nervoso miudinho que se instala no dia anterior e que se tenta camuflar com as verborreias do costume..."é só mais um corte"!

Pois então, mais uma ida ao bloco porquê?
Segundo o Nuno, eu gosto e tinha saudades do bloco. Sadomasoquismo, segundo ele. 

Só que não...não é gosto pelo bloco, mas também não se pode dizer que me cause estranheza nem qualquer sentimento de aversão. É o que é, é o que tem de ser.

Uma espécie de quisto que se formou na última cirurgia de reconstrução e que se manteve aqui, mais ou menos, sossegadito até novembro passado. Mas quando infeta e cresce e cria calor no peito, a sensação é algo estranha e de desassossegar até as almas mais sossegadas.  Especialmente as almas que tiveram cancro inflamatório da mama e cujos sintomas envolvem calor, inflamação e alguma dor. 

Uma ida ao oncologista sossegou os ânimos na altura, uma ecografia mostrou tecidos nada suspeitos...antibiótico, anti-inflamatórios e bota para casa. Só que voltou a manifestar-se pouco depois novamente e ultimamente lembrava-me da sua existência de forma pouco simpática. 

Gosto pouco que me incomodem e não o convidei a instalar-se. Portanto, mais um corte, mais uma cicatriz em cima da outra e mais uns dias a dormir sem posição e a ganhar calo num certo sítio. Lembrava-me um destes dias que dormi mais de 3 meses de barriga para cima, semi-sentada, quando fiz a  primeira grande cirurgia. Portanto, há que aguentar agora uns dias.

O dito cujo foi para análise, como todos os tecidos que são retirados e em breve vou saber que o "nódulo de citoesteatonecrose" não passava disso mesmo...uma cena com nome feio no meu peito. 

E, com isto, voltei a descobrir que com cicatrizes frescas se devem evitar a tosse, os movimentos bruscos ou a vontade de ser independente e de fazer tudo sozinha. Pior do que tudo, é mesmo tentar controlar os meus "espirros silenciosos" e toda a turbulência que causam nos meus steri-strips!
O Olaf entende-me bem!


Para quem está na luta, coragem e boa disposição.
O cancro não gosta de hormonas felizes. 

Beijinho

vera

 Ps. Para o meu sobrinho M., 2 entradas no blog e ainda só estamos em março! Este ano promete!!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Tensão q.b.

Uma ida ao cirurgião plástico é um momento de tensão.

Tensão q.b., entenda-se,  porque as preocupações não são estéticas no meu caso. Há uns quilos a mais, estupidamente concentrados em alguns sítios, mas convivo bem com eles. Esta tensão vai depois desvanecendo ao longo do dia e chega-se ao fim do dia com a sensação de ter ido ao Porto a pé.

Passados 3 anos voltei ao sítio onde senti mais dores na vida...e voltei com um sorriso nas trombas. É preciso ser parva e esquecer que houve momentos em que me apetecia bater em alguém!

Com o covid, fui adiando a consulta de seguimento, mas devemos começar o ano a limpar assuntos pendentes e esse era um deles.

Uns quistos derivados do "lipofilling" precisavam do olhar clínico. Assim que o tiveram, ficaram felizes por saber que não os vamos incomodar nem com aspirações nem com cirurgias. É mesmo para deixar o organismo tratar disso, com o tempo que precisam, com a calma que exigem e com a descontração de quem já olha para os quistos com ar de "Achas que me incomodas depois de tudo o que já vivemos?"

Keep it simple!

Beijinho.





quinta-feira, 6 de setembro de 2018

2 anos em obras

Há 2 anos atrás, neste mesmo dia - 6 de setembro,  comecei a estudar a reconstrução pós-mastectomia no caso do cancro inflamatório . Lembro-me de estar aqui sentada no sofá a ler artigos científicos, a sublinhar frases e a destacar números. Taxas de sucesso, de rejeição, número de cirurgias, efeitos secundários e maleitas que seriam inevitáveis, tempos de recuperação, etc, etc...

Com a mania chata que tenho de perceber o que me vão fazer, reuni toda a informação na minha cabecinha para a conversa com os 3 plásticos diferentes que consultei...Sim, 3 plásticos, porque os 2 primeiros indicaram-me soluções opostas. Tive de desempatar com um 3º, que acabou por se tornar o meu cirurgião.

Já passaram 2 anos...é impressionante. Depois de 3 cirurgias, muitas sessões de fisioterapia, muitas dores e incómodo, cortes e recortes, ainda sou uma obra inacabada, mas temos de deixar o corpo sarar e seguir o seu rumo. Na minha última visita ao Porto, com o objetivo de fazer a minha primeira tatuagem, não reuni as condições mínimas a nível de cicatrizes para avançar com essa fase, pelo que o tatuador me recomendou esperar mais uns tempos.

Foi giro entrar num espaço de tatuagens e quebrar preconceitos...ver caveiras, ossos, fotografias de pessoas todas tatuadas, imagens fora da minha realidade, mas encontrei também muita sinceridade, carinho e um toque humano, que me fez sentir que é ali que pertenço e é ali que devo estar para esta fase. Com este cancro, ganhei a noção que as pessoas fazem a diferença nestas andanças. Se confiarmos em quem nos acompanha, temos metade da jornada percorrida.

Daqui a uns tempos, queria ver se dava a obra por terminada. Já parece mais a obra de Santa Engrácia...


Bjinho,
Vera

sábado, 4 de agosto de 2018

Cicatrizes e afins...

Cheguei a uma conclusão nos últimos dias. Cortes no corpo, por mais pequenos que sejam, não gostam de calor.

Retirei uma "cena" da cabeça na quinta-feira, um mísero quisto sebáceo que já existia antes do cancro e que lhe "sobreviveu". Andava a adiar, porque houve sempre coisas mais importantes, mas na quinta lá fui eu tirar a "cena".

Sorri quando a médica me disse que:
- vai ficar com uma pequena cicatriz, uns 4 cms,
- vou ter de a espetar na cabeça, umas duas ou três picadinhas,
-vai sentir um pouco de dor depois, porque ainda é um corte jeitoso,
- vou ter de rapar cabelo.

Enfim...pensei eu cá para comigo...só isso?  Venham eles:))

Retiramos o quisto, tenho uma pista de aterragem na cabeça, vários pontos e a comichão da cicatrização a começar a irritar-me com o calor, mas tudo bem. Até porque devia ser das poucas zonas livres sem cicatrizes.

Bjinho
Vera

domingo, 29 de abril de 2018

Os chamados "cagaços"

A minha vida enquanto sobrevivente oncológico recente é vivida com a intensidade possível, com a noção do dever e do poder nas medidas certas, com a certeza que o mais importante da minha vida é a minha família e tudo o que a eles diz respeito.

A minha vida enquanto sobrevivente oncológico recente também tem os chamados "cagaços". Nas últimas 3 semanas comecei a notar algo diferente no peito.... Há 2 semanas, depois daqueles dias a tentar convencer-me que estava a sentir coisas, acabei por ir fazer uma ecografia e uma mamografia. Não vale a pena ignorar o que se consegue apalpar :)

Algo me dizia que não era "mau", mas mesmo assim, fora de normal. O medo que algo volte e nos leve desta vida é forte e será sempre um companheiro a respeitar. Ter medo faz-me viver mais e melhor, faz-me viver as coisas com outra visão. Faz-me sair a horas do trabalho para ir buscar a minha filha à escola, faz-me ter prazer em acompanhá-la nas 1001 atividades, faz-me entender melhor as prioridades no dia-a-dia.

O cagaço tomou a forma de pequenos caroços/ massas, que começaram a surgir nas zonas "trabalhadas" na cirurgia de fevereiro. Realmente, esta cirurgia ainda não tinha dado chatices, a pele aguentou-se bem com novos cortes e as marcas destas últimas lipoaspirações desapareceram depressa. Vieram agora as chatices. Os exames mostraram pequenas bolsas de gordura, tipo quistos, que se formaram nos locais onde se fizeram os enxertos de gordura, que possivelmente contém tecido necrótico....basicamente gordura que não foi devidamente absorvida/integrada e o corpo encapsula-a como medida de defesa. O meu cirurgião plástico deu-me o nome médico para isto, mas já nem consegui absorver essa informação. Chamem-lhe o que quiser, menos cancro!

Vamos agora acompanhar isto, se continuar a crescer, poderá ter de ser "aspirado" ou qualquer coisa que me soou a "ouch", mas quero acreditar que o meu organismo se vai livrar disto. Acho que depois de o cirurgião me ter visto na sexta-feira, isto até começou a "desinchar"...ou isso, ou foi mesmo o cagaço que se começou a desvanecer...

Bjinho,
Vera










terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Miau...

Gatos...nunca fui fã de gatos.

Lá por casa havia imensos animais, nunca gatos. Não havia empatia familiar com esses bichanos nessa altura e nunca a criei desde então. Aliado a isso, sou alérgica ao pêlo dos bichos, farto-me de espirrar e fico mesmo aflita se estiver em casa de alguém com gatos. Nada a ver com a limpeza da casa, note-se. Basta o bichano ter andado por lá que a minha real penca dá por ela e desata a espirrar.

Mas pronto, hoje abro uma exceção para a Troubles. Durante o tratamento do cancro, fez questão de se aliar e demonstrar o seu apoio. Agora, nesta fase de reconstrução da normalidade, não é que a bichinha conseguiu transmitir novamente uma bela mensagem e sempre em inglês :)

Digam lá que quem tem amigas destas não é feliz, mesmo com uns atchins pelo meio?
Love you Sisse.


Bjinho,
Vera

Ps. Amanhã é dia de tirar os pontos...fingers crossed, please!

sábado, 3 de fevereiro de 2018

3ª cirurgia


Mais uma cirurgia, desta vez já com o pensamento que é a última (ou deve ser a última consoante os resultados). Aperfeiçoamentos a fazer nestas situações há sempre, mas também temos de saber quando parar, não vá virar uma plastic freak.

Dei entrada no Hospital dos Lusíadas às 7h30, saí por volta das 13h. Quase mais rápido ir ao bloco operatório do que ir às compras. Implicou mais uma anestesia geral, mas bem mais leve desta vez, até porque o tempo no bloco foi bem mais reduzido do que nas vezes anteriores. Demos uns últimos retoques, em jeito de bate-chapas a recuperar uma amolgadela de um carro novo e, tirando um outro acrescento ainda a fazer em breve, vamos dar por encerrada esta fase de reconstrução da mama. É impressionante o trabalho do cirurgião plástico, este esforço para manter na mulher mastectomizada a sensação de pseudo-normalidade.

Perguntaram-me muitas vezes, diretamente, porque estava eu a sofrer isto tudo só por causa de uma mama. Tanta gente que vive só com uma mama, ou sem as duas…seria pelo marido…pela filha…pela sociedade?

Não, foi por mim mesmo, e talvez, em segundo plano, um pouco pela Rita, porque na altura da mastectomia lhe disse que depois o médico fazia outra mama. Era preciso desvalorizar aquele ato naquela altura, tendo ela 4 anos.

Porque passar por 3 cirurgias, duas incluindo lipo-aspirações, para agradar a outros seria mais um sinal para me internarem. Estas coisas doem, deixam-nos todas pisadas e cheias de nódoas negras. Como raio fazem isto só para ficar sem as banhocas? 

 


Tirando o incómodo dos hematomas, os buraquinhos espalhados pela barriga (por onde fazem as lipos) e os pontos no peito, está tudo a correr normalmente e espero recuperar bem melhor e mais depressa desta vez.

Bjinho
Vera 

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Life goes on

Está na altura de regressar à vida ativa e retomar os meus afazeres. Life goes on, como se costuma dizer.  26 dias depois da mastopexia, é caso para dizer que já não há perigo de queda, ainda que mantenha uma zona com algum hematoma e cicatrizes que me parecem verdes e frágeis, mas ainda vai demorar até me dar a sensação que não vai abrir a qualquer momento:)

Normalmente, o meu cirurgião dá-me um tempo de recuperação indicativo e eu desrespeito-o. Devo estar a ficar velha, o corpo já não recupera como antigamente (antes do cancro e todos os tratamentos) e levo um bocadinho mais a recuperar fisicamente. A sensação de cansaço vai-se atenuando e é preciso agora começar a voltar à normalidade para retemperar energias e vitalidade. A ginástica ainda terá de esperar mais uns dias, porque ainda estamos em fase de "libertação" das cicatrizes e é capaz de ser ligeiramente incómodo andar aos saltos.

Continuarei as massagens de drenagem linfática, com a querida Ágata, que por mais simpática que seja, me consegue assustar quando me deita as mãos em cima. É só uma massagem, de facto. Pena é que incide em cicatrizes e hematoma.

Estamos já em novembro. Este ano vai ficar na memória pelas 2 grandes cirurgias neste processo de reconstrução e de recomeço e no próximo ano espero conseguir finalizar o mesmo, já com intervenções menos invasivas e menos exigentes fisicamente.

Perguntei-me várias vezes se este era o caminho a percorrer, se valia a pena todo o sofrimento físico e psicológico. No fim do processo, darei uma resposta mais assertiva, mas neste momento tinha mesmo de o fazer. Por mim e por todos à minha volta, especialmente a Rita.

Em 2014, pouco antes da mastectomia, expliquei-lhe que o médico teria de tirar a mama, porque o "dói-dói" estava lá dentro. Ela tinha 4 anos, pouco entendia de doenças e de mamas, mas sabia que era uma parte de mim. A olho nu, a mama estava normal, por isso ainda mais estranho lhe parecia. Perguntou se eu ficava sem mama e eu disse que depois o médico fazia outra, quanto acabasse de tomar os "remédios maus".

No cancro de mama inflamatório, não é recomendado que se faça reconstrução imediata. A mama afetada tem de ser retirada, os tecidos bem escrutinados e limpos na caixa torácica e eliminar o máximo de pele possível...depois é bombardeada com muita radioterapia. É recomendado esperar no mínimo 2 anos até que se comece a pensar na reconstrução e nunca insisti nesse sentido com o meu oncologista. Demos quase 3 anos ao corpo e à pele para se regenerar, porque fiquei tão queimada que ainda hoje sei exatamente os limites da zona atingida pela radiação. Churrasquinho :)

Enfim, life goes on mesmo. Já estamos quase no fim do ano, o Natal está aí à porta e já posso voltar ao trabalho na segunda. Retenho dos dias bons as coisas boas e dos dias maus as coisas más. Não me consigo esquecer delas, até porque fazem parte deste caminho que não escolhi, mas que tenho de viver.


Bjinho,
Vera

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A amarelar


Terminaram as Lovenoxs, o antibiótico e os “pain killers” e eu cá estou, 11 dias depois da cirurgia e já em regime semi-autónomo.

Para variar, tenho de vigiar as cicatrizes e edemas com algum cuidado, porque como diz uma certa alentejana, este corpinho esbelto já está farto de sofrer e demora um bocadinho mais a recuperar das invasões plásticas. O corpo ainda está pisado, ainda dava umas belas fotos para o catálogo da United Colours of Benetton, mas não há dores (desde que não considere que posso fazer tudo o que quero). 

Informação útil: estou a "amarelar" :)

 

Sinto-me mais equilibrada fisicamente e, apesar de repensar as minhas opções sempre que acordo no recobro toda dorida e zombie, sinto que estou no caminho certo. Sim, no caminho, porque isto ainda não acabou.  Tudo a seu tempo, como deve ser.

Beijinho

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Lovenox

Um Lovenox por dia, não sabe o bem que lhe fazia...menos naquela parte em que tens de espetar a agulha na tua perna!!!


Ps. É apenas enoxaparina, para evitar coágulos após a cirurgia😎

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Secound round: ouch!


Já no conforto de casa, reitero a posição que assumi anteriormente em relação às plásticas….submeter-se a invasões destas só para ficar mais “bonito” pode ser claramente assumido como um sinal de loucura.

Não quero com isto dizer que no meu caso também não exige um pouco de loucura…ou até bastante se virmos bem as coisas. Poderia ter ficado com o corpo que o cancro me deixou, mas a verdade é que passando aquele primeiro impacto de “susto de morte”, a vida faz-nos querer mais qualquer coisa…nem que o qualquer coisa seja só um soutien completo e uma camisola a assentar direito.

Piadas à parte, na segunda-feira, pelas 16h entrei para o bloco, para a segunda grande cirurgia, no que diz respeito à reconstrução mamária por via de retalho abdominal (aka TRAM). Prevista para demorar mais ou menos 1h, acabei por sair do bloco já mais tarde, perto das 18h. Sempre bem recebida no bloco, com uma equipa de enfermagem muito carinhosa…uma delas até se lembrava do meu TRAM…e da pele em mau estado. Yep, sempre bom deixar boas recordações nas pessoas.

O que fui fazer desta vez?
Ora pois, cirurgia de simetrização (vulgo "equilibrar o velho com o novo" ou mastopexia em termos técnicos), retificar algumas cicatrizes e colocar uns pequenos shots de gordura na mama reconstruída para ficar mais “lindinha”. A questão é… de onde vem a gordura num corpo não “cheio”?

Lipoaspiração…o segredo de beleza de muitas senhoras. E eu só vos digo que estou toda pisada. Parece que fui atropelada por um camião. O meu cirurgião escarafunchou os flancos e costas à procura da bendita gordurinha boa…e pelas marcas que deixou, deve ter sido uma aventura.


Felizmente eu estava a dormir. Mais uma anestesia geral, mais uns meses de falhas de memória, nomes que me vou esquecer, coisas que não me vou lembrar de fazer…

Acordei bem da cirurgia e da anestesia, se bem que a noite no hospital foi algo premonitória. Acordei, para variar, de madrugada cheia de sangue…revivi o filme dos pontos rebentados imediatamente, mas não era nas mamas felizmente, eram só uns buraquinhos da barriga a “verter”.

Às 6 da manhã vem a medicação e o barulho dos carros na rua e lá se vai o sono de beleza. Ao contrário da cirurgia anterior (que envolveu o corte na barriga), desta vez levantei-me suavemente com a ajuda do enfermeiro, sem desmaios nem quebras de tensão súbitas. Conseguir ir ao wc é uma vitória.

Quando o médico me vem ver de manhã, vi no olhar dele que algo não estava bem...a mama “velha” estava estranhamente volumosa. Já o tinha sentido quando acordei, mas pensei que fossem paranóias da minha cabeça. Com tanto medo de formar hematoma ou seroma, pensei que estava a imaginar coisas, mas não estava mesmo. Tenho de vigiar bem, tentar colocar algum gelo e caso note mais alguma alteração a nível de cor ou volume, tenho de ir ter com o médico para ele “aspirar”…esta palavra até me deu arrepios….aspirar???

Dormi mal esta noite e não foi só pelas dores nas costas, bacia, barriga e afins… acordei umas 4 vezes para colocar pomada e ver como estava a evoluir. Parece que não houve evolução no sentido negativo, o que é muito bom neste momento. Nem tudo corre bem à primeira, pelo menos comigo. Tem de haver sempre esta emoção.

Com a minha mãe a querer alimentar-me tipo ganso na França, apenas posso dizer que na próxima lipoaspiração, já devo ter gordura para mais “shots” de gordura. 

Obrigado pelas mensagens de apoio.
Beijinho
Vera

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Próxima faca, por favor!

Há por aí quem diga que eu lhe tomei o gosto....andar sempre em médicos, em revisões, em constante sobressalto. Sempre fui de ideias firmes, lá está!

Faço, de facto, revisões muito rotineiras e pouco espaçadas no tempo, porque o cancro inflamatório da mama não é propriamente a coisa mais simpática do mundo e para ter paz de espírito, preciso de seguir esta rotina. 

Por vezes, no caminho para o consultório médico, cruzam-se pensamentos otimistas e pessimistas ao mesmo tempo, entremeados por algumas piadas que se vai ouvindo da rádio, no meu caso das manhãs da Comercial. O sobressalto e o medo levam-me muitas vezes a caminhos do pensamento menos simpáticos. Quem já apanhou o verdadeiro "cagaço", sabe do que falo. Os outros imaginam, ou tentam, ou ignoram pessoas como eu, porque lhes lembramos que são mortais.

 Pois bem, hoje fui a mais uma revisão, desta vez da cirurgia plástica. 6 meses depois do primeiro corte e costura, tenho carta verde para a segunda intervenção, que vai acontecer em breve. Sempre disse que estas questões não me perturbavam como a oncologia, mas hoje senti um estranho "aperto" antes de entrar para a consulta do Dr. Conde. Parecia que ia prestar provas públicas de alguma coisa....e afinal, era o membro que estava a ser avaliado, e não eu:)

Passou, mas não atingiu a nota máxima. Como se esforçou pouco na altura do hematoma e por não ter exigido mais da pele queimada pela radioterapia (denote-se ironia da minha parte), vamos de a trabalhar mais um pouco nesta segunda intervenção, se bem que a maior parte do trabalho do cirurgião será dedicado à simetrização. Desta vez, a cicatriz vai ser em forma de âncora, até porque já estou sem espaço para grandes retas:)

Bota mais uma estadia no hotel:)













Bjinho
vera


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ad eternum.

Sim, presume-se que a fisioterapia me vai acompanhar por muitos anos, e isso será um ótimo sinal, se é que me entendem.

Sessão número 26 desta série pós-reconstrução a começar daqui a bocadinho.  Braço muito mais funcional, aderências e fibroses a cederem lentamente, mas a ceder.

Tenho de ver o copo sempre meio cheio, senão perco a minha sanidade mental. Tanta gente por aí que só vê os copos meio vazios, sem necessidade nenhuma.

Beijinhos
vera


Ps. Ignorando as dores físicas, o que magoa mais na fisioterapia é quando chamam por "vera mónica" no corredor.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Porquê divulgar?

Em 2013 andei às aranhas por causa de um "problema" na mama que não era facilmente identificável, vi médicos a espantarem-se pelo seu rápido crescimento e progressão, senti que era uma espécie de bicho de 7 cabeças a quem um sub-tipo raro de cancro de mama estava a atacar.

Esse sub-tipo é raro, maioritariamente desconhecido e perigosamente rápido a atingir o seu fim. Nestes últimos dias, temos recebido quase diariamente notícias menos boas nos fóruns americanos e britânicos que sigo.

Sei que vale a pena continuar a falar sobre o cancro inflamatório da mama, porque ainda esta semana me disseram que viram o meu post e que não conheciam este "bicho". Mais uma mulher informada, mais uma que estará mais alerta para as alterações do peito.

Já falei em posts anteriores sobre o cancro inflamatório,  também conhecido por mastite carcinomatose... e volto a relembrar os seus sintomas através da imagem. Dizem que valem por 1000 palavras.


Cuidem-se.

Bjinho,
Vera

Ps: As fibroses continuam a ceder, com muito trabalhinho meu, da fisioterapeuta Mónica (CMM Aveiro) e da terapeuta Ágata nos Lusíadas-Porto. Aguenta corpo, já faltou bem mais para atingir uma pseudo-normalidade.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Fibroses, aderências e fisioterapia!

2 meses e 2 dias após a cirurgia e ainda ando entretida com esta vida de "dondoca" das plásticas.

Tinha eu estimado inicialmente que já estaria quase "fit" nesta altura. Deve ser por estas e por outras que ainda não ganhei o Euromilhões. Não acerto lá muito nestas coisas da adivinhação...

As fibroses e aderências têm-me dado o que fazer. Depois de o novo membro estar em condições de ser mexido, iniciamos a fisioterapia diária e as drenagens e massagens para lhe dar alguma flexibilidade e mobilidade, porque formou-se muita fibrose e houve aderências dos tecidos ao músculo peitoral e às costelas. Limitou a amplitude do braço e a sensação de algo não natural no peito. Uma espécie de implante de silicone que não tenho, na verdade.

Entretanto, com a minha querida fisioterapeuta Mónica a massacrar-me diariamente e com os tratamentos de laser e "vácuo" pela simpática Ágata, já se notam bastantes progressos e mais naturalidade nos tecidos "transplantados".

No entanto, ainda vou sofrer mais uns tempos. A fisioterapia vai prolongar-se até que eu consiga parar de ameaçar a integridade física da fisioterapeuta sempre que ela me puxa ou estica certas zonas.

A segunda cirurgia ainda vai demorar, porque este corpinho esbelto precisa de se recompôr primeiro. Comecei já ontem a fazer exercícios para fortalecer a parte muscular e recuperar a forcinha:)

De resto, tal como no cancro, coisas positivas resultam da cirurgia. Já vou sozinha para o Porto, muito ao estilo robocop, com as estradas para o hospital memorizadas. Se um dia tiver de fazer um desvio, alguém me vai buscar lá ao meio, please.

Beijinho,
Vera

Ps- O basquetebol persegue-me desde que a Rita se apaixonou pela modalidade. Diz-me o médico fisiatra na semana passada que eu devia lançar umas bolas de basquetebol para ajudar a libertar os músculos do peito!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

42 dias de...penso!

É isso mesmo...sempre que penso que já se passaram 42 dias após cirurgia, também penso nos "pensos" que tenho feito diariamente. Tem sido dias e dias a fio a fazer penso numa das zonas em que rebentaram os pontos inicialmente e depois o hematoma. Não é que doa, porque de facto não dói ( a não ser aquela parte em que o Dr. Conde me espremeu manualmente e depois a bendita drenagem).

Não dói, mas é chato para caraças. É a prova que não vale a pena planear nada, porque não é a nossa vontade que determina o sucesso ou insucesso das coisas, nem o rumo que queremos tomar. É a própria sorte ao jogo, ou o azar talvez.

Ainda hoje escrevia a uma das minhas amigas americanas (a fundadora do grupo de apoio) que ainda não há "regrets" aqui por este lado, mas não é tudo um mar de rosas, como deveria ser. Por lá também não.  Ela foi operada no mesmo dia que eu e fez reconstrução bi-lateral após vários anos sem sequer equacionar sujeitar-se a esta cirurgia. Estava tudo a correr lindamente com ela e fiquei feliz por ela, porque ela merece tudo de bom. Fomos sempre comunicando e eu ia-lhe enviando fotografias do meu caso para ela acompanhar e aconselhar, como tem feito ao longo destes 3 anos.

Após 42 dias, eu consegui acordar hoje com o penso limpo. Olhei umas 3 vezes para ter a certeza...espero que seja desta, porque sem isto estar resolvido, não podemos avançar para os passos seguintes (drenagem linfática e massagem localizada). Estava para lhe enviar mensagem com essa informação e vejo um post dela com a informação que teve um seroma (=acumulação de líquido) na cicatriz do abdómen.

Olhei para a minha cicatriz abdominal (36 cm de puro prazer) e proibi-a de se armar aos cágados!

Já tive a minha quota parte de pensos! Desinfeta mãos, limpa área, aplica creme, gaze esterilizada, penso a fechar...Qualquer dia tenho equivalência à licenciatura em enfermagem..se os outros têm equivalências, também posso ter, certo?

 

Bjinho,
Vera

 Ps. Amanhã inicio as sessões de fisioterapia para recuperar mobilidade e amplitude no braço direito. Não é que a besta de uma fibrose se foi formar ali bem perto do músculo peitoral e me bloqueia os movimentos? Devo ter mesmo muita sorte ao amor...



sábado, 8 de abril de 2017

Praia e espartilho

Um mês e dois dias após a cirurgia, voltei a ter "vida social", ainda que ainda com um bocado de receio de cair, de alguém me dar um encontrão ou qualquer coisa do género. Não há planos de recuperação perfeitos, tive já algumas complicaçõezitas espontâneas, por isso não quero provocar quaisquer outras. No entanto, hoje foi dia de alguma normalidade pré-operatória.

A Costa Nova hoje estava mais agradável do que em alguns dias de verão. A praia e o sol estavam ótimos, deu até para molhar os pés e tentar aumentar os meus níveis de vitamina D.
Eu, a Rita, o charmoso e o meu "espartilho" a apanhar sol!

Depois de uma reconstrução TRAM, é recomendado o uso de uma cinta (aka espartilho, objeto de tortura, espremedor, torturete, etc.), por um período que pode ir até largos meses após cirurgia, mínimo 3-4 meses, segundo consta. Ainda só passou 1 mês e eu já tenho pena das mulheres da era vitoriana e outras que vestiam coisas apertadas debaixo da roupa por sistema...

Só se pode tirar a cinta para dormir, o que dá uma média de 16h diárias com o estômago colado às costas, costelas a empurrar os pulmões e barriga semi-comprimida a tentar ajustar-se à falta de músculo (uma parte do músculo é usada para "alimentar" a nova zona).

Supostamente é uma questão de hábito e, de facto, consigo caminhar quase direita e sem dores com a "torturete" vestida. Mesmo assim, vestir uma cinta tamanho 32 pode ser uma tarefa herculiana em alguns dias, especialmente nos primeiros dias pós-cirurgia, em que eram precisas duas pessoas para me vestirem a dita cuja. Hoje em dia já a consigo colocar sozinha, em frente ao espelho...enquanto isso, penso em todas as mulheres que usam isto só para ter a cintura mais delgada e imagino que devem estar mesmo desesperadas...só pode.



Bjinhos,
Vera



Ps. Aproveitem o sol e verifiquem os níveis de vitamina D. 
Esta vitamina é muitas vezes desvalorizada pelos médicos, mas interfere em inúmeros processos no nosso organismo, desde controlo de inflamações, articulações, reumatismos, síntese de hormonas, etc.
Mais acerca deste assunto

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Desforra

Depois de nova abertura nas cicatrizes, de o hematoma ter acumulado líquido e de ter tido hoje o prazer de ser "espremida" manualmente pelo cirurgião, tenho apenas a afirmar uma coisa:

Vera - 0 | Hematoma - 1

Amanhã há desforra com nova "espremidela" e drenagem...a ver quem é mais teimoso!
Pena é que o hematoma não sente dor, ao contrário de mim :)

Bjinho
Vera

terça-feira, 21 de março de 2017

Números à sorte....

Um pequeno exercício para o cérebro voltar ao lugar, depois de mais uma anestesia geral.
Números e frases...

1 - Tudo isto por causa de uma mama.
2 - Tudo isto para ter um par.
3 - Não teria gordura corporal para 3, a não ser que aceitasse a oferta de amigos e marido :)
4 - 4 dias de internamento no hospital e não achei demais :(
5 - 5 minutos de brincadeira no bloco operatório antes da dita cuja.
6 - 6 da manhã, hora em que acordei com pontos rebentados.
7 - dia da cirurgia.
8 - 8 dias depois comecei a caminhar sem imitar o Corcunda de Notre Dame.

(...) 

15 - 15 dias pós-cirurgia e já me sento ao computador mais do que 30 minutos, sem ter de me esticar, caminhar ou deitar....

15 - REPETIDO INTENCIONALMENTE - 15 dias sem um banho de gente.

(...)

32  - É o tamanho da cinta que tenho de vestir sempre que quero caminhar, e não é nada fácil de a colocar.


Bjinho,
Vera




domingo, 12 de março de 2017

Retalho e Retalho, Lda.

 
7 dias depois, cá estou eu, uma espécie de “Frankenstina” reconstruída, cheia de pontos, cicatrizes, gaze e adesivo por todo o lado. Só não tenho parafusos…do resto tenho tudo!
Olhando hoje em retrospetiva, estes dias demoraram a passar, caramba!
Em resumo de diário, rápido e com poucos pormenores sórdidos, porque não quero que ninguém desmaie (esta é para a Risy).

Terça-feira, 7 de março
No bloco operatório correu tudo bem. Simpatia e um acolhimento muito carinhoso dissiparam “alguma” ansiedade e receio que por ali pairavam. Musiquinha smooth no bloco, estilo Nip Tuck, pessoal simpático e a transmitir confiança que estava bem entregue. Fui para o bloco às 9 e qualquer coisa, regressei ao quarto 421 pouco depois das 14h, depois de algum tempo no recobro.  A anestesia deve ter sido forte…enjoos e mal-estar geral, sonolência e alguma falta de orientação, mas enfim, faz parte do jogo que eu quis jogar. O charmoso veio para Aveiro relativamente cedo, para a Rita não sentir tanto a ausência e ter companhia no dentista (não vale a pena duplo trauma num só dia).
Por volta do meio da tarde, ao ser observada pelo enfermeiro, apercebemo-nos do primeiro sangramento…um ponto rebentado na zona da axila, muito perto do dreno. Sangue por todo o lado, e eu a prometer à enfermeira uma caixa de ovos moles se tirasse o sangue da cinta e soutien cirúrgicos…100€ cheios de sangue logo na primeira noite….grrrrr…

No meio de alguma gargalhada com a minha aparente descontração, lá me fizeram novo penso, com mais pressão na zona a ver se o ponto se rendia…e sim, de facto este parou de sangrar. Pelas 6 da manhã, sentindo calor e algo estranho no pescoço, reparei no sangue noutra zona, já a escorrer no corpo. Imagem sexy, algo pérfida, mas lá nos rimos…desde que se salve a cinta e o soutien, estamos bem:)

De manhã, o cirurgião plástico esteve a ver o penso, abriu tudo para ver os pontos rebentados e voltamos a fechar. Parecia já estar controlado, pelo que era preciso levantar para evitar coágulos, ativar circulação, ver como me sentia…

Ponto alto do dia: Conversa com a médica anestesista no bloco acerca da medicação que fiz e faço e tretas afins do meu historial clínico. Consegui confundir a senhora, que me perguntou se eu era médica, enfermeira ou se trabalhava no ramo da saúde…qualquer pessoa sabe que o Herceptin reduz a FE, certo??

Ponto baixo do dia: Tirando os vómitos ao fim da tarde/ noite, foi mesmo fazer chichi na aparadeira (vulgo arrastadeira), especialmente depois de termos a zona abdominal toda retalhada e termos de a elevar para nos colocarem um objeto metálico e frio debaixo do corpo…credinho!!

Quarta-feira, 8 de março

Pois, este foi o meu pior dia, de todas as intervenções que já fiz. Apesar de já estar à espera de alguma falta de energia e tensões baixas, uma vez que tinha perdido muito sangue na cirurgia, não imaginava ser uma espécie de boneco de gelatina sempre que me tentavam pôr de pé, ou mesmo sentada. Foi um dia de muitos pontos baixos, muitas dores, desconforto e vontade de andar para trás no tempo. Desmaiei algumas vezes, maldisse os retalhos abdominais, pensei na minha querida prótese fechada no armário, que nunca me tinha dado este mal-estar…estás perdoada, volta!

Sou teimosa, por norma não me queixo de dores, mesmo que as tenha, mas basicamente pedi ao médico para ficar no hospital. E ele realmente assim o fez…com tensão arterial de galinha, sem sequer conseguir fazer chichi sozinha…não pode ir para casa nem suportar a viagem até Aveiro.

A comida do hospital era boa, mas quando chegava o tabuleiro, sempre à hora certa, até se me revoltava o fígado…coitado, com a abdominoplastia está para ali tudo tão encolhido e comprimido que comer era uma espécie de tortura camuflada. Claro que sem comer, o próprio corpo demora mais a recuperar…

Ponto alto do dia: A visita da minha filhota. Pontos rebentados quietinhos e sossegadinhos. Eu a dizer ao enfermeiro que deviam chamar a psiquiatria para quem se submete a abdominoplastias só pela “beleza” do six-pack…tem de ser um problema de foro psiquiátrico.

Ponto baixo do dia: A sensação de desmaio a qualquer coisa que se tente fazer. Um ataque de tosse a meio da noite e a sensação que o umbigo ia sair disparado a qualquer segundo…lágrimas sempre que tossia.


Quinta-feira, 9 de março

O médico neste dia passou apenas à tarde. Já me tinha conseguido levantar e ir ao wc, ainda que acompanhada. Drenos ok, mas tensões ainda baixas, cor amarela e ainda muita falta de energia, pelo que ele recomenda mais um dia internada para poder usufruir daquela bela cama articulada e da sport TV no quarto.

Ponto alto do dia: Ir ao wc sem ajuda e ter uma espécie de banho à gato.

Ponto baixo do dia: a sensação que algum animal tinha morrido debaixo dos lençóis sempre que me mexia…


Sexta-feira, 10 de março

A minha filha liga-me de manhã, antes de ir para a escola e eu quase salto da cama, arranco drenos e espanco o pai da criança…ela diz-me, vitoriosamente que vai de manga curta para a escola…ok, decido que está na altura de pôr de lado as abichanices e ir embora para casa. Faz muita falta uma inspectora nesta casa.

O médico passa e vê que estou com melhor aspecto e passa a alta para o fim da tarde, já com retirada de drenos… nesta fase, o meu irmão Nelson, sempre corajoso a ver os pensos, retira-se suavemente do quarto….ahahaha. É por isto que a humanidade depende das mulheres para continuar o seu ciclo de vida.

Saí do hospital apenas perto das 21h, com ânsia de chegar a casa, mas medo da viagem. Acho que senti todas as irregularidades da estrada, paralelos, altos e baixos e, muito carinhosamente, as tampas de esgoto da EN 109 até chegar a casa.

E desde então, tem sido sempre a melhorar. Tensões mais regularizadas, mais energia, ainda amarela, mas a recuperar no bom caminho. Amanhã nova viagem ao Porto para vermos como está.

Cómico deste fim de semana: as minhas vizinhas Lígia e Andreia a darem-me uma espécie de banho, no qual me vestiram  sacos de lixo para evitar molhar os pensos; a Lígia a lavar-me o cabelo na pia da cozinha, a Margarida que me vem deixar um mimo e o pendura na porta do vizinho…enfim…já me ri bastante, se bem que cada vez que me rio, tenho a sensação que me vou desmembrar em pedaços.

Ah beleza, a quanto obrigas!

Bjinho e obrigado pelas mensagens de apoio.

Presente da Rita :)