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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Próxima faca, por favor!

Há por aí quem diga que eu lhe tomei o gosto....andar sempre em médicos, em revisões, em constante sobressalto. Sempre fui de ideias firmes, lá está!

Faço, de facto, revisões muito rotineiras e pouco espaçadas no tempo, porque o cancro inflamatório da mama não é propriamente a coisa mais simpática do mundo e para ter paz de espírito, preciso de seguir esta rotina. 

Por vezes, no caminho para o consultório médico, cruzam-se pensamentos otimistas e pessimistas ao mesmo tempo, entremeados por algumas piadas que se vai ouvindo da rádio, no meu caso das manhãs da Comercial. O sobressalto e o medo levam-me muitas vezes a caminhos do pensamento menos simpáticos. Quem já apanhou o verdadeiro "cagaço", sabe do que falo. Os outros imaginam, ou tentam, ou ignoram pessoas como eu, porque lhes lembramos que são mortais.

 Pois bem, hoje fui a mais uma revisão, desta vez da cirurgia plástica. 6 meses depois do primeiro corte e costura, tenho carta verde para a segunda intervenção, que vai acontecer em breve. Sempre disse que estas questões não me perturbavam como a oncologia, mas hoje senti um estranho "aperto" antes de entrar para a consulta do Dr. Conde. Parecia que ia prestar provas públicas de alguma coisa....e afinal, era o membro que estava a ser avaliado, e não eu:)

Passou, mas não atingiu a nota máxima. Como se esforçou pouco na altura do hematoma e por não ter exigido mais da pele queimada pela radioterapia (denote-se ironia da minha parte), vamos de a trabalhar mais um pouco nesta segunda intervenção, se bem que a maior parte do trabalho do cirurgião será dedicado à simetrização. Desta vez, a cicatriz vai ser em forma de âncora, até porque já estou sem espaço para grandes retas:)

Bota mais uma estadia no hotel:)













Bjinho
vera


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Dia do fisioterapeuta

Parece que agora há dias para tudo e mais um par de botas atualmente.
Dia do João, do Pedro, da Maria e do Manuel....e hoje é dia do fisioterapeuta, segundo consta.

Pois, parece que vou ter de elogiar a minha fisioterapeuta, senão ela depois vinga-se de mim e acreditem...com pequenos gestos que me pareciam inofensivos há uns tempos, apetece-me berrar em certas alturas, ou simplesmente bater-lhe com o braço que está livre, mas...tenho mesmo de me controlar para evitar ofensas corporais à terapeuta.



Vou tendo sempre sorte com as pessoas que encontro nesta aventura do cancro (exceptuando a equipa médica do hospital onde me tentei tratar inicialmente). E com a fisioterapia também tive essa sorte. Pessoas que aliam a capacidade técnica à boa vontade, à simpatia e à amizade com os pacientes.

A Stela, logo após a mastectomia e radioterapia, que tinha imenso cuidado comigo para não rasgar ainda mais a pele e me fazia sempre ficar bem disposta com o seu bom humor e capacidade de ver o copo sempre meio-cheio (e não meio-vazio). Ainda hoje a Rita me fala da massagem que a Stela lhe ensinou a fazer às mãos da mamã.

Mais recente, a Mónica tem ajudado a libertar movimentos, tecidos e outras coisas estranhas derivadas da reconstrução mamária. O fisioterapeuta desempenha um papel fundamental nestes processos, e ainda que fisicamente às vezes, ela me leve a querer espancá-la, a verdade é que a evolução sente-se de forma contínua e é com esse foco que a visito 3x por semana. Por isso, e pelos seus lindos olhos :)

Obrigado a ambas, porque de facto não é preciso ser só bom tecnicamente. É preciso saber cuidar e ser boa pessoa para o paciente se sentir seguro convosco.

Beijinho,

Vera

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Osteodensitometria e rapariga :)

Tempo de fazer exames semestrais, de ver como anda o corpo. Vai esta donzela, formosa e não segura, buscar os resultados. Quase 3 anos depois, e ainda vou em modo automático buscar os resultados e abrir os mesmos. Será que algum dia esta sensação se vai atenuar?

Comecei há pouco tempo a fazer os exames (a maioria, pelo menos) aqui em Aveiro.  Identifico-me na clínica e digo que estou ali para levantar uma ecografia mamária e uma osteodensitometria. Fico à espera, enquanto observo a menina com as unhas gigantescas a tentar apanhar os envelopes (ainda não percebi esta das unhas pontiagudas enormes).

A funcionária pede-me novamente o nome para ver a pilha das osteodensitometrias...e pergunta se é para a minha mãe ou avó....nops, para mim mesmo, respondo eu. E ela, do alto dos seus 20 e poucos anos, diz que não é normal uma rapariga tão jovem como eu pedir este exame e pensou que tinha percebido mal...

Rapariga tão jovem...afinal parece que o creme anti-rugas do Lidl funciona mesmo!

Lá saí eu a sorrir da clínica, ainda com os envelopes fechados...nada como ver o lado bom das coisas.
Ecografia ok, ossos a continuar a perder densidade, fruto da medicação hormonal. Nada a fazer, apenas exercício e suplementação de cálcio e vitamina D para atrasar a perda da massa óssea.

Pequenos e grandes efeitos secundários dos tratamentos oncológicos, mas aqui a rapariga jovem vai-se aguentando:)
Bjinho
vera

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Estados de espírito

Já lá vão umas semanitas desde o último post no blog. Cansaço, falta de tempo, falta de vontade para me sentar no pc à noite, falta de vontade de partilhar alguns momentos e estados de espírito. Nem sempre me sinto com vontade de partilhar, ao contrário do que algumas pessoas pensam. Ter este blog para mim é uma maneira de partilhar a existência do cancro de mama inflamatório, de alertar, de fazer com que as pessoas tenham mais cuidado com a sua saúde.

Sim, é um facto que também satisfaz curiosidade mórbida de certas pessoas. A essas, os meus mais sinceros cumprimentos irónicos. Às que olham para mim a tentar jogar o "find the difference", faço-vos um gesto mentalmente. Às que me fazem perguntas diretamente, obrigado pela sinceridade. Prefiro essa abordagem. 

O mês de junho foi estranhamente cansativo. Voltei ao trabalho, e apesar de não ter um trabalho fisicamente exaustivo, houve dias em que parecia ter sido atropelada por uma Bulldozer...cá entre nós, eu acho que o meu cérebro deve ter a mania que ainda tenho 25 anos e que recuperar de cirurgias e anestesias é canja!

A verdade é que pouco depois de um mês de trabalho, parei já uma semana e apesar de ter chovido a maior parte dos dias e de ter compromissos com dentistas e afins, soube muito bem este interregno para recuperar energia. Ando em "low battery mode", mas isto recupera-se agora com o sol e o calor.

Fez na sexta-feira 4 meses que fui operada. Recuando no tempo, lembro-me agora que 3 dias depois já conseguia ir ao wc sozinha, sem tombar para o lado tipo gelatina. Tenho de apontar no meu caderninho mental que para a próxima cirurgia tenho de aprender a cair melhor, assim de uma maneira mais à Hollywood :)

De resto, tudo tem seguido o curso natural. Mantenho a fisioterapia, agora 3 vezes por semana, com uma fisioterapeuta muito querida, aqui em Aveiro. Por motivos de força maior, tive de interromper por agora os outros tratamentos no Porto...não dá para conciliar tudo, deixei de tentar ser uma super-mulher e não tenho amigos no BES. Vamos aqui afinando o que se pode e preparando o corpo para a próxima cirurgia.

Pode ser que no próximo verão já possa fazer praia...sim, as mamas reconstruídas podem ir à água!

Bjinhos,
Vera



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ad eternum.

Sim, presume-se que a fisioterapia me vai acompanhar por muitos anos, e isso será um ótimo sinal, se é que me entendem.

Sessão número 26 desta série pós-reconstrução a começar daqui a bocadinho.  Braço muito mais funcional, aderências e fibroses a cederem lentamente, mas a ceder.

Tenho de ver o copo sempre meio cheio, senão perco a minha sanidade mental. Tanta gente por aí que só vê os copos meio vazios, sem necessidade nenhuma.

Beijinhos
vera


Ps. Ignorando as dores físicas, o que magoa mais na fisioterapia é quando chamam por "vera mónica" no corredor.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Aparências

Lição do dia: não julgar um livro pela capa!

Hoje de manhã, estou eu na fisioterapia a fazer os meus exercícios e vejo um senhor já nos seus 70  anos, ou mais talvez, na bicicleta de mãos sem saber ligar a dita cuja.

Aqui a boa samaritana levanta-se e vai lá ajudar o senhor a iniciar o exercício. Volto as costas e penso que ele vai iniciar devagarinho, com pouca vontade de completar o exercício, como muitos dos outros pacientes que lá vejo.

Tinha eu terminado esse exercício com cerca de 77 rpm, sem o meu braço se queixar, e eis que quando me volto a sentar no meu exercício, vejo o senhor a "pedalar" a alta velocidade (78-79 rpm), cheio de vida e com um à vontade natural.

Amanhã vou ter de me esforçar, pelo menos para o conseguir acompanhar e não perder a corrida!

:)
Vera

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Porquê divulgar?

Em 2013 andei às aranhas por causa de um "problema" na mama que não era facilmente identificável, vi médicos a espantarem-se pelo seu rápido crescimento e progressão, senti que era uma espécie de bicho de 7 cabeças a quem um sub-tipo raro de cancro de mama estava a atacar.

Esse sub-tipo é raro, maioritariamente desconhecido e perigosamente rápido a atingir o seu fim. Nestes últimos dias, temos recebido quase diariamente notícias menos boas nos fóruns americanos e britânicos que sigo.

Sei que vale a pena continuar a falar sobre o cancro inflamatório da mama, porque ainda esta semana me disseram que viram o meu post e que não conheciam este "bicho". Mais uma mulher informada, mais uma que estará mais alerta para as alterações do peito.

Já falei em posts anteriores sobre o cancro inflamatório,  também conhecido por mastite carcinomatose... e volto a relembrar os seus sintomas através da imagem. Dizem que valem por 1000 palavras.


Cuidem-se.

Bjinho,
Vera

Ps: As fibroses continuam a ceder, com muito trabalhinho meu, da fisioterapeuta Mónica (CMM Aveiro) e da terapeuta Ágata nos Lusíadas-Porto. Aguenta corpo, já faltou bem mais para atingir uma pseudo-normalidade.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

42 dias de...penso!

É isso mesmo...sempre que penso que já se passaram 42 dias após cirurgia, também penso nos "pensos" que tenho feito diariamente. Tem sido dias e dias a fio a fazer penso numa das zonas em que rebentaram os pontos inicialmente e depois o hematoma. Não é que doa, porque de facto não dói ( a não ser aquela parte em que o Dr. Conde me espremeu manualmente e depois a bendita drenagem).

Não dói, mas é chato para caraças. É a prova que não vale a pena planear nada, porque não é a nossa vontade que determina o sucesso ou insucesso das coisas, nem o rumo que queremos tomar. É a própria sorte ao jogo, ou o azar talvez.

Ainda hoje escrevia a uma das minhas amigas americanas (a fundadora do grupo de apoio) que ainda não há "regrets" aqui por este lado, mas não é tudo um mar de rosas, como deveria ser. Por lá também não.  Ela foi operada no mesmo dia que eu e fez reconstrução bi-lateral após vários anos sem sequer equacionar sujeitar-se a esta cirurgia. Estava tudo a correr lindamente com ela e fiquei feliz por ela, porque ela merece tudo de bom. Fomos sempre comunicando e eu ia-lhe enviando fotografias do meu caso para ela acompanhar e aconselhar, como tem feito ao longo destes 3 anos.

Após 42 dias, eu consegui acordar hoje com o penso limpo. Olhei umas 3 vezes para ter a certeza...espero que seja desta, porque sem isto estar resolvido, não podemos avançar para os passos seguintes (drenagem linfática e massagem localizada). Estava para lhe enviar mensagem com essa informação e vejo um post dela com a informação que teve um seroma (=acumulação de líquido) na cicatriz do abdómen.

Olhei para a minha cicatriz abdominal (36 cm de puro prazer) e proibi-a de se armar aos cágados!

Já tive a minha quota parte de pensos! Desinfeta mãos, limpa área, aplica creme, gaze esterilizada, penso a fechar...Qualquer dia tenho equivalência à licenciatura em enfermagem..se os outros têm equivalências, também posso ter, certo?

 

Bjinho,
Vera

 Ps. Amanhã inicio as sessões de fisioterapia para recuperar mobilidade e amplitude no braço direito. Não é que a besta de uma fibrose se foi formar ali bem perto do músculo peitoral e me bloqueia os movimentos? Devo ter mesmo muita sorte ao amor...