Antes que julguem que ando para aí a beber "borradinha", o leite dourado é uma bebida super saborosa, de origem indiana, e que facilmente se experimenta em casa, sem sequer precisarem de comprar a mistura já feita, embora facilite imenso quando temos "preguicite" aguda.
Com origem na medicina ayurvédica, esta bebida fortalece o
sistema imunitário (dá um certo jeito estes dias cá por casa), é anti-inflamatória, ajuda na digestão e tem um sabor muito agradável.
No meu caso, comprei a mistura já feita da Sonnentor (+-8€) e adiciono apenas a bebida vegetal e um pouquinho de óleo de côco para potenciar a absorção da curcumina.
Experimentem.
Bjinho,
Vera
Se quiserem saber mais acerca do leite dourado:
https://www.jasminealimentos.com/alimentacao/leite-dourado-bebida-de-ouro/
https://www.madebychoices.pt/leite-dourado-golden-milk/
https://melhorcomsaude.com/leite-dourado-bebida-pode-mudar-vida/
http://www.heavenlynnhealthy.com/turmeric-latte-golden-milk/
Um cancro de mama diagnosticado aos 33 anos. Não procuro ser mais do que um exemplo de luta, mais uma "Maria" a encarar olhos nos olhos esta doença. Não sou a primeira, gostaria muito de ser a última mulher com esta doença. Infelizmente, não serei. Mas serei mais uma a dar armas às "Marias" que se virem confrontadas com este desencontro da vida.
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domingo, 21 de janeiro de 2018
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
Receitas cá de casa | Bolinhos de arroz
Pois bem, de nada adianta publicar fotos no facebook e não dizer como faço.
Não invento a roda, apenas tento dar um toque mais saudável às coisas, por mim, pela Rita e pelo pai, ambos gulosos.
A receita original dos bolinhos de arroz implica manteiga, leite de vaca e açúcar branco. Foi principalmente aí que mexi, sendo que mantive a farinha de trigo, apesar de ter mexido também nas quantidades :)
Ingredientes já adaptados:
250 grs de farinha de arroz
100 grs de farinha de trigo
3 ovos
2 dl de leite (usei bebida de arroz)
1 c chá de fermento (ou bicarbonato de sódio)
80 grs de açúcar mascavado
80 grs de óleo de côco da Prozis (tem de ser, não é?) ou manteiga de côco da Vaqueiro
raspa de 1 limão
1 pitada de sal
Mexer o açúcar, o óleo e a raspa do limão. Adicionar os ovos um a um e mexer sempre.
Adicionar o leite em fio e envolver as farinhas, fermento e sal. Envolver tudo e deixar descansar 1h.
Depois é só colocar em forminhas de cupcake ou em formas cilíndricas (encher até 2/3), sempre ficarão mais parecidas com os que se compram nas pastelarias. Polvilhar com um bocadinho de açúcar mascavado e levar ao forno 20-25 minutos, a 200º.
Aqui os de casa podem não estar tão bonitos e altinhos, mas os "provadores" aprovaram. Na próxima talvez coloque mais um bocadinho de gordura ou deixe estar menos tempo no forno para ficarem mais húmidos. Deu para uns 20 bolinhos!
Bjinho
vera
Não invento a roda, apenas tento dar um toque mais saudável às coisas, por mim, pela Rita e pelo pai, ambos gulosos.
A receita original dos bolinhos de arroz implica manteiga, leite de vaca e açúcar branco. Foi principalmente aí que mexi, sendo que mantive a farinha de trigo, apesar de ter mexido também nas quantidades :)
Ingredientes já adaptados:
250 grs de farinha de arroz
100 grs de farinha de trigo
3 ovos
2 dl de leite (usei bebida de arroz)
1 c chá de fermento (ou bicarbonato de sódio)
80 grs de açúcar mascavado
80 grs de óleo de côco da Prozis (tem de ser, não é?) ou manteiga de côco da Vaqueiro
raspa de 1 limão
1 pitada de sal
Mexer o açúcar, o óleo e a raspa do limão. Adicionar os ovos um a um e mexer sempre.
Adicionar o leite em fio e envolver as farinhas, fermento e sal. Envolver tudo e deixar descansar 1h.
Depois é só colocar em forminhas de cupcake ou em formas cilíndricas (encher até 2/3), sempre ficarão mais parecidas com os que se compram nas pastelarias. Polvilhar com um bocadinho de açúcar mascavado e levar ao forno 20-25 minutos, a 200º.
Aqui os de casa podem não estar tão bonitos e altinhos, mas os "provadores" aprovaram. Na próxima talvez coloque mais um bocadinho de gordura ou deixe estar menos tempo no forno para ficarem mais húmidos. Deu para uns 20 bolinhos!
Bjinho
vera
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Osteodensitometria e rapariga :)
Tempo de fazer exames semestrais, de ver como anda o corpo. Vai esta donzela, formosa e não segura, buscar os resultados. Quase 3 anos depois, e ainda vou em modo automático buscar os resultados e abrir os mesmos. Será que algum dia esta sensação se vai atenuar?
Comecei há pouco tempo a fazer os exames (a maioria, pelo menos) aqui em Aveiro. Identifico-me na clínica e digo que estou ali para levantar uma ecografia mamária e uma osteodensitometria. Fico à espera, enquanto observo a menina com as unhas gigantescas a tentar apanhar os envelopes (ainda não percebi esta das unhas pontiagudas enormes).
A funcionária pede-me novamente o nome para ver a pilha das osteodensitometrias...e pergunta se é para a minha mãe ou avó....nops, para mim mesmo, respondo eu. E ela, do alto dos seus 20 e poucos anos, diz que não é normal uma rapariga tão jovem como eu pedir este exame e pensou que tinha percebido mal...
Rapariga tão jovem...afinal parece que o creme anti-rugas do Lidl funciona mesmo!
Lá saí eu a sorrir da clínica, ainda com os envelopes fechados...nada como ver o lado bom das coisas.
Ecografia ok, ossos a continuar a perder densidade, fruto da medicação hormonal. Nada a fazer, apenas exercício e suplementação de cálcio e vitamina D para atrasar a perda da massa óssea.
Pequenos e grandes efeitos secundários dos tratamentos oncológicos, mas aqui a rapariga jovem vai-se aguentando:)
Bjinho
vera
Comecei há pouco tempo a fazer os exames (a maioria, pelo menos) aqui em Aveiro. Identifico-me na clínica e digo que estou ali para levantar uma ecografia mamária e uma osteodensitometria. Fico à espera, enquanto observo a menina com as unhas gigantescas a tentar apanhar os envelopes (ainda não percebi esta das unhas pontiagudas enormes).
A funcionária pede-me novamente o nome para ver a pilha das osteodensitometrias...e pergunta se é para a minha mãe ou avó....nops, para mim mesmo, respondo eu. E ela, do alto dos seus 20 e poucos anos, diz que não é normal uma rapariga tão jovem como eu pedir este exame e pensou que tinha percebido mal...
Rapariga tão jovem...afinal parece que o creme anti-rugas do Lidl funciona mesmo!
Lá saí eu a sorrir da clínica, ainda com os envelopes fechados...nada como ver o lado bom das coisas.
Ecografia ok, ossos a continuar a perder densidade, fruto da medicação hormonal. Nada a fazer, apenas exercício e suplementação de cálcio e vitamina D para atrasar a perda da massa óssea.
Pequenos e grandes efeitos secundários dos tratamentos oncológicos, mas aqui a rapariga jovem vai-se aguentando:)
Bjinho
vera
sexta-feira, 31 de março de 2017
Santa ignorância
A minha vontade de conhecer os processos, métodos, medicamentos e efeitos secundários, estilos de vida, alimentação, etc., dá-me a sensação, talvez apenas isso mesmo, de controlar um pouco esta minha vida pós-cancro. Não me deixo guiar pelo cancro, nem deixo que me atormente diariamente. Penso nele qb e dou-lhe a importância que julgo ser a adequada, tendo em conta o sub-tipo de cancro de mama que tive. Stresso quando tenho de stressar e relaxo nas outras alturas.
Neste processo de reconstrução da mama, confesso que a ignorância de muitos dos seus "quês" me fez avançar para o processo de uma forma "light". Não procurei muito ouvir experiências de outras pessoas, nem se encontram facilmente registos dessas experiências. Vergonha, medo de assumir que estamos a fazer uma mama, dor, cicatrizes feias, processos longos e penosos...não sei exatamente qual dos fatores, ou se todos em conjunto contribuem para esta falta de informação. Nunca me coibi de falar do cancro, da mama, dos tratamentos, etc., por isso falar da reconstrução também é normal.
Pelo tipo de intervenção (TRAM), tinha consciência que não seria muito fácil, mas era uma coisa que eu queria fazer e a vontade sobrepôs-se ao medo de arriscar. Eufemismos à parte, agora sei que dói e bastante, mas é um processo evolutivo. Estar consciente que a dor nos acompanha nestes primeiros dias é a primeira coisa a fazer para evitar pensamentos negativos ou angústias desnecessárias. Entender as variações do corpo ao longo do processo de cicatrização também.
Com o passar dos dias, o simples ato de tossir começou a parecer mais pacífico, ao invés do início em que não sabemos se nos vamos desmembrar a cada impulso para tossir ou espirrar. Foi das piores sensações que tive e as que mais dores provocam na fase inicial. No entanto, sendo a tosse um mecanismo de defesa, não a podemos simplesmente suprimir. Algumas lágrimas e algumas dores e a tosse passa.
A variação da cor dos tecidos mexidos também pode assustar. Qualquer pisadura que tenhamos sofre variações de cor, portanto deve dar para imaginar com tanto corte e costura como fica o nosso corpo. Hoje, 24 dias depois da cirurgia, já começo a parecer ter cor de gente nos locais retalhados, mas ainda há muita inflamação nos tecidos e algumas zonas já com fibroses, infelizmente. Com as massagens que faço atualmente e a fisioterapia que começarei em breve, espero conseguir destruir estas fibroses tão indesejáveis nas cirurgias plásticas.
O cansaço começa a desvanecer, mas ainda estou com uma espécie de horário de criança. Depois de jantar, lavar dentes e cama. Não há energia para mais, porque o corpo demora o seu tempo a recuperar da perda de sangue e de mais uma invasão cirúrgica.
Consigo atualmente sentar-me já um bom bocado ao computador, mas ainda não é recomendado estar muito tempo sentada na mesma posição, porque com o enfraquecimento da parede abdominal, facilmente posso ficar com marcas ou tecidos cicatrizados com "formas" estranhas.
Desde ontem, consigo endireitar as costas. Ontem foi dia de me "quebrarem" os pontos internos do abdómen, portanto já estou mais liberta. Quebrar ou partir os pontos é qualquer coisa que não recomendo nem a um inimigo...só não gani porque parecia mal...fiquei-me pelos berros e ameaças à técnica.
No fundo, sabia que isto ia custar, mas estava a leste de muitos destes pormenores. Santa ignorância, porque partir para isto com conhecimento de causa poderia ser motivo para internamento psiquiátrico.
Beijinho,
Vera
Neste processo de reconstrução da mama, confesso que a ignorância de muitos dos seus "quês" me fez avançar para o processo de uma forma "light". Não procurei muito ouvir experiências de outras pessoas, nem se encontram facilmente registos dessas experiências. Vergonha, medo de assumir que estamos a fazer uma mama, dor, cicatrizes feias, processos longos e penosos...não sei exatamente qual dos fatores, ou se todos em conjunto contribuem para esta falta de informação. Nunca me coibi de falar do cancro, da mama, dos tratamentos, etc., por isso falar da reconstrução também é normal.
Pelo tipo de intervenção (TRAM), tinha consciência que não seria muito fácil, mas era uma coisa que eu queria fazer e a vontade sobrepôs-se ao medo de arriscar. Eufemismos à parte, agora sei que dói e bastante, mas é um processo evolutivo. Estar consciente que a dor nos acompanha nestes primeiros dias é a primeira coisa a fazer para evitar pensamentos negativos ou angústias desnecessárias. Entender as variações do corpo ao longo do processo de cicatrização também.
Com o passar dos dias, o simples ato de tossir começou a parecer mais pacífico, ao invés do início em que não sabemos se nos vamos desmembrar a cada impulso para tossir ou espirrar. Foi das piores sensações que tive e as que mais dores provocam na fase inicial. No entanto, sendo a tosse um mecanismo de defesa, não a podemos simplesmente suprimir. Algumas lágrimas e algumas dores e a tosse passa.
A variação da cor dos tecidos mexidos também pode assustar. Qualquer pisadura que tenhamos sofre variações de cor, portanto deve dar para imaginar com tanto corte e costura como fica o nosso corpo. Hoje, 24 dias depois da cirurgia, já começo a parecer ter cor de gente nos locais retalhados, mas ainda há muita inflamação nos tecidos e algumas zonas já com fibroses, infelizmente. Com as massagens que faço atualmente e a fisioterapia que começarei em breve, espero conseguir destruir estas fibroses tão indesejáveis nas cirurgias plásticas.
O cansaço começa a desvanecer, mas ainda estou com uma espécie de horário de criança. Depois de jantar, lavar dentes e cama. Não há energia para mais, porque o corpo demora o seu tempo a recuperar da perda de sangue e de mais uma invasão cirúrgica.
Consigo atualmente sentar-me já um bom bocado ao computador, mas ainda não é recomendado estar muito tempo sentada na mesma posição, porque com o enfraquecimento da parede abdominal, facilmente posso ficar com marcas ou tecidos cicatrizados com "formas" estranhas.
Desde ontem, consigo endireitar as costas. Ontem foi dia de me "quebrarem" os pontos internos do abdómen, portanto já estou mais liberta. Quebrar ou partir os pontos é qualquer coisa que não recomendo nem a um inimigo...só não gani porque parecia mal...fiquei-me pelos berros e ameaças à técnica.
No fundo, sabia que isto ia custar, mas estava a leste de muitos destes pormenores. Santa ignorância, porque partir para isto com conhecimento de causa poderia ser motivo para internamento psiquiátrico.
Beijinho,
Vera
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Chegou o outubro rosa!
Sim, dizem que é o mês rosa, mês da chamada de atenção e afins para o cancro da mama. Um mês que as pessoas que já tiveram cancro de mama sentem de forma mais intensa, mais dolorosa. Para mim, não há outubro rosa, todos os meses são meses rosa. Todos os meses sinto o laço rosa (quase à volta do pescoço).
As marcas físicas estão muito presentes. O cateter ainda está aqui no peito disponível para uso e o processo de "mentalização" para a reconstrução aviva memórias e sentimentos.
E este sentir pode ser tão somente recordar. Recordar que há 2 anos estava esturricada da radioterapia e as cicatrizes estavam tão frescas ainda. Fisicamente estava um trapo, foi muita quimio, cirurgia, radioterapia, imunoterapia e hormonoterapia... tantas terapias que qualquer coisinha me punha cansada e qualquer tentativa de me concentrar em algo útil saía frustrada.
Passados 2 anos, ainda não me sinto a mesma pessoa, aliás nem poderia sentir. O Tico e o Teco sofreram bastante e ainda hoje sinto as sequelas...memória de "Dóri", concentração dificultada, incapacidade de engolir muitos sapos ou guardar rancores mesmo quando me apercebo que me estão a prejudicar...esta se calhar já tinha antes da quimio :)
Quem ouve as palavras "tens cancro", jamais pode voltar a ser a mesma pessoa. E ainda bem...quem consegue sair dele, vive mais desprendido, mais feliz e mais rosa...rosa por todo o lado, mesmo quando o mundo à nossa volta teima em ser mais para o negro, quando as contas se acumulam ou quando vês pessoas boas de coração sempre aflitas e as más sempre na mó de cima.
No fundo, o outubro rosa devia ser uma chamada de atenção, mas com tanta falta de informação que tenho visto, mesmo em pessoas ditas letradas, não sei se 1 mês por ano é suficiente para esta tarefa herculiana.
Ao não esconder, ao partilhar desde o início, vou ajudando a espalhar a palavra, pelo menos relativamente ao cancro inflamatório da mama, desconhecido inclusivamente na comunidade médica. Já tive de explicar a vários profissionais de saúde o que era o cancro inflamatório e já levei respostas do género "oh menina, inflamatórios são todos, porque o cancro envolve inflamação"...E não, não lhe fui às trombas, pacificamente mandei-o ir ao Santo Google. Para quê ensinar quem não quer aprender?
Prevenir é sempre o melhor remédio...vigilância, alimentação, hábitos saudáveis e pouco rancor e azedume nas nossas vidas. O cancro não escolhe idade, sexo, raça, cor de cabelo ou altura...escolhe-te a ti quando quiser, quando lhe apetecer. Se puderes não contribuir para este hóspede indesejado, tanto melhor.
Sejam felizes e larguem os rancores e as amarguras. Tornam-nos ácidos por dentro, literalmente. E imaginem quem adora ambientes ácidos??
Beijinho
Vera
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Eu e as agulhas!
É preciso ter consciência dos limites do nosso corpo e atuar quando achamos que os atingimos. Durante todo o meu percurso de tratamento oncológico, o meu corpinho lindo foi-se aguentando como podia, uns dias melhor, outros pior, mas sempre (ou quase sempre) a rumar no mesmo sentido que a mente.
Não faço quimio desde junho de 2014, a radioterapia desde agosto do mesmo ano e em março de 2015 terminei a imunoterapia. Neste momento encontro-me "apenas" em hormonoterapia, as lindas injeções na barriga e os comprimidos anti-hormonais. São lindos, controlam o meu organismo para que certas células parvas não se consigam alimentar, mas, ao mesmo tempo, provocam-me umas certas dores nas articulações e nos ossos em geral, aliados a um certo desconforto no braço direito provocado pela remoção dos gânglios da axila. Claro está que raramente me queixo e não deixo transparecer com facilidade esses momentos menos bons. Há quem os perceba, claro.
Não quero medicação para estes efeitos, prefiro apostar nas tais mudanças tangíveis e em caminhos alternativos. Ontem fui à minha primeira sessão de acupuntura, muito bem recomendada por uma menina designer. Habituada a uma abordagem mais ocidental, foi surpreendente ver que o caminho pode ser diferente, mas o objetivo é o de ajudar o organismo a recompor-se, a limpar o terreno e a caminhar para uma vida mais saudável.
Hoje passei o dia tranquila, sem sentir incómodo no braço, confiante que na próxima segunda repetirei a sessão. Eu e a minha mãe, para objetivos diferentes, mas num caminho de descoberta da medicina chinesa. Para quem conhece a minha mãe, imaginem-na com agulhas espetadas na cabeça e a barafustar com o Dr. Pedro que eu não como carne, nem laticínios, nem nada que "faz bem".
Não pude reclamar muito, porque pouco tempo depois tinha uma agulha espetada no nariz...mas enfim, tendo em conta a injeção que levo todos os meses na barriga, estas agulhas da acupuntura são minúsculas e realmente não senti dor alguma.
Vou confiar que vai resultar, que me vai atenuar os efeitos da medicação e me vai melhorar o sistema imunitário, porque se não acreditarmos no tratamento, independentemente de qual a sua origem ou orientação, aí de certo não funcionará. Um espírito positivo vale por dois :)
Beijinho a quem me acompanha.
Vera
Não faço quimio desde junho de 2014, a radioterapia desde agosto do mesmo ano e em março de 2015 terminei a imunoterapia. Neste momento encontro-me "apenas" em hormonoterapia, as lindas injeções na barriga e os comprimidos anti-hormonais. São lindos, controlam o meu organismo para que certas células parvas não se consigam alimentar, mas, ao mesmo tempo, provocam-me umas certas dores nas articulações e nos ossos em geral, aliados a um certo desconforto no braço direito provocado pela remoção dos gânglios da axila. Claro está que raramente me queixo e não deixo transparecer com facilidade esses momentos menos bons. Há quem os perceba, claro.
Não quero medicação para estes efeitos, prefiro apostar nas tais mudanças tangíveis e em caminhos alternativos. Ontem fui à minha primeira sessão de acupuntura, muito bem recomendada por uma menina designer. Habituada a uma abordagem mais ocidental, foi surpreendente ver que o caminho pode ser diferente, mas o objetivo é o de ajudar o organismo a recompor-se, a limpar o terreno e a caminhar para uma vida mais saudável.
Hoje passei o dia tranquila, sem sentir incómodo no braço, confiante que na próxima segunda repetirei a sessão. Eu e a minha mãe, para objetivos diferentes, mas num caminho de descoberta da medicina chinesa. Para quem conhece a minha mãe, imaginem-na com agulhas espetadas na cabeça e a barafustar com o Dr. Pedro que eu não como carne, nem laticínios, nem nada que "faz bem".
Não pude reclamar muito, porque pouco tempo depois tinha uma agulha espetada no nariz...mas enfim, tendo em conta a injeção que levo todos os meses na barriga, estas agulhas da acupuntura são minúsculas e realmente não senti dor alguma.
Vou confiar que vai resultar, que me vai atenuar os efeitos da medicação e me vai melhorar o sistema imunitário, porque se não acreditarmos no tratamento, independentemente de qual a sua origem ou orientação, aí de certo não funcionará. Um espírito positivo vale por dois :)
Beijinho a quem me acompanha.
Vera
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Mudanças tangíveis
Há mudanças que todos nós podemos fazer em prol da nossa saúde, especialmente quando a sentimos escapar por entre os dedos. Quando fui diagnosticada, assumi um papel interveniente e ativo na minha recuperação. Levar com estatísticas e probabilidades pouco abonatórias pôs-me a matutar...como ajudar o organismo, o meu corpo a aguentar com tanta agressão (=tratamentos) e ainda ter força para se auto-regenerar?
A alimentação é uma das grandes armas de que todos dispomos. Li muito, pesquisei muito e questionei muito os meus hábitos alimentares atuais e passados (há quem defenda que os primeiros anos da nossa vida são marcantes para a nossa saúde futura). Mesmo antes de consultar a minha querida nutricionista, já havia começado a eliminar algumas coisas da minha dieta. Os laticínios, as carnes vermelhas, o açúcar branco, os intensificadores de sabor ou adoçantes sintéticos, entre outras pérolas da alimentação moderna.
Fui aplicando estes e outros cortes cá em casa e os nossos palatos vão-se habituando a novos sabores, a novas receitas, a novos métodos e a uma melhor seleção dos produtos que ingerimos. A carne vermelha deixou de ter lugar, comemos as brancas e, sempre que possível, de origem conhecida. Deixar o conhecido pode ser, por vezes, uma chatice. Parece que só sabemos cozinhar carne e peixe...
No sábado passado, dei mais um avanço no sentido da mudança. Passei o dia num curso de Alimentação e Nutrição Vegetariana. Nesta primeira sessão, foram abordados alguns conceitos de nutrição que já me eram familiares, mas aprendi imenso. Na próxima sessão, mais alguns conceitos teóricos e práticos para quem quer adoptar um estilo de vida mais saudável. No fundo, é uma abordagem holística da alimentação atual que ajuda a compreender muitas das doenças modernas.
De facto, somos o que comemos, como disse o Hipócrates, pai da medicina, há 2500 anos. E estaria ele errado ao afirmar que o "alimento seja o vosso primeiro medicamento?
Bjinho,
Vera
A alimentação é uma das grandes armas de que todos dispomos. Li muito, pesquisei muito e questionei muito os meus hábitos alimentares atuais e passados (há quem defenda que os primeiros anos da nossa vida são marcantes para a nossa saúde futura). Mesmo antes de consultar a minha querida nutricionista, já havia começado a eliminar algumas coisas da minha dieta. Os laticínios, as carnes vermelhas, o açúcar branco, os intensificadores de sabor ou adoçantes sintéticos, entre outras pérolas da alimentação moderna.
Fui aplicando estes e outros cortes cá em casa e os nossos palatos vão-se habituando a novos sabores, a novas receitas, a novos métodos e a uma melhor seleção dos produtos que ingerimos. A carne vermelha deixou de ter lugar, comemos as brancas e, sempre que possível, de origem conhecida. Deixar o conhecido pode ser, por vezes, uma chatice. Parece que só sabemos cozinhar carne e peixe...
No sábado passado, dei mais um avanço no sentido da mudança. Passei o dia num curso de Alimentação e Nutrição Vegetariana. Nesta primeira sessão, foram abordados alguns conceitos de nutrição que já me eram familiares, mas aprendi imenso. Na próxima sessão, mais alguns conceitos teóricos e práticos para quem quer adoptar um estilo de vida mais saudável. No fundo, é uma abordagem holística da alimentação atual que ajuda a compreender muitas das doenças modernas.
De facto, somos o que comemos, como disse o Hipócrates, pai da medicina, há 2500 anos. E estaria ele errado ao afirmar que o "alimento seja o vosso primeiro medicamento?
Bjinho,
Vera
![]() |
| Jantar de ontem: cogumelos Shiitake no wok em bastante azeite, com mistura de legumes (tomate, brócolos, alho francês, cenoura, batata-doce, abóbora, alho e salsa), a acompanhar com feijão vermelho. |
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
O meu dia de aniversário
23h20...ainda é oficialmente o meu dia de aniversário. Apenas agora me consegui sentar no sofá, estou mortinha de cansaço e amanhã é dia de trabalho. Hoje tive de pedir um dia de férias, para poder manter a tradição de não ir trabalhar neste dia. É dose nascer oficialmente num dia e oficiosamente noutro. Mas, quem disse que a vida é perfeita?
O meu pai, lá nos anos 80 do século passado (isto dito assim até soa mal...), foi registar esta bela filha já uns tempos depois de nascida...estão a ver no que deu, certo?
Resumindo o meu aniversário, podíamos dizer que:
- Antecipei o dia de aniversário com uma noite na Régua com os primos :) Nós adoramos e queremos repetir...com menos frio por favor.
- Tive um dia muito bom, com o charmoso e a Rita num passeio pela Guarda e o "Forno da Mimi", em Viseu, para um belo almoço.
- Tive uma chegada a casa menos boa, quando descobri que a arca congeladora tinha avariado, quase cheia de legumes preparadinhos para o inverno, peixe, carne, etc...Foi um tal de despachar para salvar o que ainda se podia salvar e fazer muito molhinho de tomate (sim, tinha passado dias a cortar tomate maduro para congelar) e deitar fora o que não dava para usar mesmo...
- Tive uma visita da D. Alda, que, para variar, engendrou um mega-esquema para me preparar um presente fantástico, com a cumplicidade de muitos amigos, família, conhecidos e desconhecidos...não há palavras, devia mesmo ir para a polícia secreta, porque eu não dei por nada...MUITO OBRIGADA por isto, e por tudo. Gostei muito! Vou ler todas agora com calma e acho que sem chorar...
- Tive a vizinhança a irromper-me pela casa adentro com uma espécie de bolo sem açúcar e a cantar-me os parabéns...valha-me que cantam muito bem, porque o bolo estava assim, a modos que, intragável, mas a intenção foi maravilhosa. Obrigada vizinhança-família!
- Tive, aliás, tenho....todas as mensagens que recebi por sms, facebook, email....tudo por ler e por responder. Andei desligada do mundo hoje, faz bem desligar das tecnologias e andar assim, semi-livre pelo interior, onde tudo me pareceu mais calmo, menos stressante e muiiiito mais frio.
Sei que muita gente me quer bem e fico feliz por isso. Espero que algum dia, quando precisarem, eu possa retribuir um pouco deste carinho que tenho recebido.
Bem haja a todos.
Hoje fiz 35 anos. Para o ano, 36 e por aí em diante. Que me acompanhem todos, com saúde, amor e paz.
Beijinho e obrigada a todos.
Vera
PS. Não sou muito de demonstrar afetos, ou aliás de os verbalizar, mas gosto muito de vocês. Espero conseguir demonstrá-los em gestos e aprender a fazê-lo por palavras. Dizem que nunca é tarde para aprender!
O meu pai, lá nos anos 80 do século passado (isto dito assim até soa mal...), foi registar esta bela filha já uns tempos depois de nascida...estão a ver no que deu, certo?
Resumindo o meu aniversário, podíamos dizer que:
- Antecipei o dia de aniversário com uma noite na Régua com os primos :) Nós adoramos e queremos repetir...com menos frio por favor.
- Tive um dia muito bom, com o charmoso e a Rita num passeio pela Guarda e o "Forno da Mimi", em Viseu, para um belo almoço.
- Tive uma chegada a casa menos boa, quando descobri que a arca congeladora tinha avariado, quase cheia de legumes preparadinhos para o inverno, peixe, carne, etc...Foi um tal de despachar para salvar o que ainda se podia salvar e fazer muito molhinho de tomate (sim, tinha passado dias a cortar tomate maduro para congelar) e deitar fora o que não dava para usar mesmo...
- Tive uma visita da D. Alda, que, para variar, engendrou um mega-esquema para me preparar um presente fantástico, com a cumplicidade de muitos amigos, família, conhecidos e desconhecidos...não há palavras, devia mesmo ir para a polícia secreta, porque eu não dei por nada...MUITO OBRIGADA por isto, e por tudo. Gostei muito! Vou ler todas agora com calma e acho que sem chorar...
- Tive a vizinhança a irromper-me pela casa adentro com uma espécie de bolo sem açúcar e a cantar-me os parabéns...valha-me que cantam muito bem, porque o bolo estava assim, a modos que, intragável, mas a intenção foi maravilhosa. Obrigada vizinhança-família!
- Tive, aliás, tenho....todas as mensagens que recebi por sms, facebook, email....tudo por ler e por responder. Andei desligada do mundo hoje, faz bem desligar das tecnologias e andar assim, semi-livre pelo interior, onde tudo me pareceu mais calmo, menos stressante e muiiiito mais frio.
Sei que muita gente me quer bem e fico feliz por isso. Espero que algum dia, quando precisarem, eu possa retribuir um pouco deste carinho que tenho recebido.
Bem haja a todos.
Hoje fiz 35 anos. Para o ano, 36 e por aí em diante. Que me acompanhem todos, com saúde, amor e paz.
Beijinho e obrigada a todos.
Vera
PS. Não sou muito de demonstrar afetos, ou aliás de os verbalizar, mas gosto muito de vocês. Espero conseguir demonstrá-los em gestos e aprender a fazê-lo por palavras. Dizem que nunca é tarde para aprender!
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Refeições do dia-a-dia
Ainda acerca da alimentação, costumam perguntar-me o que eu como cá em casa, tendo em conta as minhas "esquisitices". Sendo assim, cá vai.
Hoje a couve galega é rainha cá em casa. Caldo verde para começar, seguido de batatinha cozida com mais da dita couve e uma espécie de bacalhau com broa desconstruído, como dizem os modernos.
Beijinho
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Comida e bom senso
Há quem diga que é complicado comer à minha beira hoje em dia...especialmente aquelas meninas que comem um pastel de nata a acompanhar o café depois de almoço. Aparentemente, devo lançar olhares reprovadores e as natas caem mal na minha companhia :)
A questão da alimentação tem sido cada vez mais discutida em praça pública e tem gerado muita polémica. Para mim, enquanto pessoa que teve um cancro e faz tratamento para evitar a sua recidiva, é fundamental encarar a alimentação como um dos vetores para a minha vida a longo prazo.
Ontem assisti ao debate na televisão acerca da questão da alimentação, nomeadamente da carne e enchidos e fiquei algo desiludida com a informação prestada. Tive a sensação de que estavam todos os interlocutores com medo de afrontar a indústria da carne e dos enchidos, uma coisa estranha. A meio da conversa, intervenções desconexas de pessoas que não pareciam entender nada do que diziam...enfim, não será assim que se fomenta uma educação alimentar. Sinceramente, não devia estar assim tão surpreendida. Já vi coisas bem piores, vindas de nutricionistas e aparentemente a sociedade aceita sem interrogar, porque a "dra." disse que era assim.
Se pesquisarmos, e para isso é preciso saber fazê-lo, encontramos provas, testemunhos, orientações e referências saudáveis para comermos o melhor possível, num mundo em que quase nada é naturalmente produzido. É no equilíbrio que está o ganho.
Vivi toda a minha infância e adolescência numa aldeia nas encostas da Serra da Freita, com os meus pais a praticarem uma agricultura de subsistência, que nos garantia a maior parte da nossa alimentação, uma vez que ali não havia grandes alternativas (nem dinheiro). Sempre comemos muita carne, criada lá em casa, mas sim, não deixa de ser carne vermelha, enchidos, etc... e mesmo assim, não acredito que tenha sido isso, per se, a provocar-me o cancro.
Apesar disso, depois de muita pesquisa e conselho da minha nutricionista, cortei a carne vermelha, os laticínios, alguns conservantes e intensificadores de sabor e o açúcar, principalmente o branco. Não é fácil, principalmente num mundo de consumo em que quase tudo leva conservantes, é produzido industrialmente e cujo único fim é o lucro. Gasta-se muito mais dinheiro quando se tenta levar uma alimentação mais natural e mais saudável. A minha esperança é que, num futuro próximo, o preço deste tipo de alimentos vá descendo à medida que a procura aumenta.
Como eu costumo dizer, mais vale gastar dinheiro na alimentação do que na farmácia.
Beijinho
vera
PS. Se algum dia me virem a comer uma coisa doce ou qualquer coisa do género, não se pasmem nem me mandem internar. Não sou santa nem quero viver até aos 110 anos. Basta até aos 100 :)
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Dizem que é rosa...
O mês de outubro é rosa...o mês da dita prevenção do cancro da mama, mas sempre que eu vejo um laço rosa apetece-me estrangular o dito cujo. Um cancro não tem nada de rosa, pelo menos nada daquele rosa associado ao mundo das princesas e dos contos de fada. A quimioterapia, a mastectomia, a radioterapia, a imunoterapia e a hormonoterapia (tantas terapias neste corpinho) não são nada rosa...nem rosa claro, nem rosa choque.
Fico meia indignada quando vejo as campanhas relativas à prevenção, porque sei que nem sempre funciona assim na "vida real". Fico furiosa quando me dizem que os médicos de família não passam os exames, não valorizam sinais, não dão a devida atenção às queixas. Felizmente tenho aqui em Ílhavo uma médica de família fantástica, que ao sentir o meu peito duro ao toque na altura teve um pressentimento, porque sem caroço ninguém pensa que pode ser cancro. Mesmo noutras situações, tem sido uma verdadeira médica de família, ao contrário de outros tempos lá em Vale de Cambra.
Azedumes à parte, é tudo muito bonito, toda a gente fala em prevenção e orgulhosamente mostra o laço rosa. Mas e atitude? Ir ao médico, fazer os exames, praticar exercício e tentar levar uma vida mais saudável?
Sei que já influenciei algumas pessoas a estarem mais atentas, a fazerem os exames e a cuidarem melhor de si (até mesmo evitando escapadelas à cozinha antes de ir dormir, não é loirinha?), mas gostava de ver mais. Quero que que se cuidem, que peçam ecografias mamárias (a mamografia é outra coisa), que se informem se sentirem algo de estranho...sintam e conheçam o vosso corpo, porque ele dá sinal se algo estiver errado.
Não quero dar sermões a ninguém. Apenas gostava que sentissem o laço rosa de maneira diferente da minha.
Bjinho,
vera
Fico meia indignada quando vejo as campanhas relativas à prevenção, porque sei que nem sempre funciona assim na "vida real". Fico furiosa quando me dizem que os médicos de família não passam os exames, não valorizam sinais, não dão a devida atenção às queixas. Felizmente tenho aqui em Ílhavo uma médica de família fantástica, que ao sentir o meu peito duro ao toque na altura teve um pressentimento, porque sem caroço ninguém pensa que pode ser cancro. Mesmo noutras situações, tem sido uma verdadeira médica de família, ao contrário de outros tempos lá em Vale de Cambra.
Azedumes à parte, é tudo muito bonito, toda a gente fala em prevenção e orgulhosamente mostra o laço rosa. Mas e atitude? Ir ao médico, fazer os exames, praticar exercício e tentar levar uma vida mais saudável?
Sei que já influenciei algumas pessoas a estarem mais atentas, a fazerem os exames e a cuidarem melhor de si (até mesmo evitando escapadelas à cozinha antes de ir dormir, não é loirinha?), mas gostava de ver mais. Quero que que se cuidem, que peçam ecografias mamárias (a mamografia é outra coisa), que se informem se sentirem algo de estranho...sintam e conheçam o vosso corpo, porque ele dá sinal se algo estiver errado.
Não quero dar sermões a ninguém. Apenas gostava que sentissem o laço rosa de maneira diferente da minha.
Bjinho,
vera
![]() |
| Ok, admito. Estes laços rosa eu adorei...no casamento da princesa Sisse. |
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Brincadeiras na cozinha
Desde que o cancro entrou na minha vida que a alimentação se tornou um ritual quase sagrado. Digo quase, porque em nada devemos ser exagerados ou extremistas. Perdemos o balanço se quisermos ser perfeitos demais.
Neste sábado fui ao Mcdonalds com a Rita e as vizinhas...era a ladies'night cá na rua! Tirando a tara pelo brinquedo do Happy Meal, a Rita só consegue comer os douradinhos e as batatas e às vezes a sopa. Não é, de todo, o melhor sítio para comermos. É melhor nem pensar no que ingerimos ali, até porque é raro fazê-lo e assim devia ser para toda a gente.
Cá por casa, tentamos comer o mais "saudável" possível agora, ou pelo menos eu tento fazê-lo e incutir esses valores na Rita. Já para o charmoso, começo a pensar se não será um caso perdido...ehehehe
Este fim de semana fizémos Nutella sem porcarias, como diz a Rita. Está forte, mais forte do que a "tradicional", mas na próxima diminuirei a quantidade de cacau. Depois um bolo vegetariano, sem produtos de origem animal. Não tenho nada contra ovos, nada mesmo, mas apeteceu-me variar um bocadinho. Finalizamos o domingo com uns cogumelos Shiitake que a minha prima me deu e que estavam maravilhosos apenas com azeite e alho na sertã.
Dizia-me uma das minhas companhias preferidas para o café depois de almoço que só nos conseguimos dedicar à cozinha enquanto não temos filhos em idade escolar com trabalhos de casa. Talvez seja assim, mas acima de tudo, acho que é preciso gostar. Quer eu, quer o charmoso, gostamos de cozinhar, por isso não o vemos como uma obrigação, mais um prazer, uma forma de desanuviar.
Hoje andei "azeda" o dia todo, por isso o jantar foi mais "trabalhoso", quase em homenagem às eleições de ontem. A minha terapia de hoje foi preparar um coelho caseiro com legumes e cogumelos na púcara. O barro no forno dá-lhe um sabor diferente e os legumes cozinhados assim ficam ótimos. Acompanhei com arroz de açafrão e couves da minha horta.
Podia dissertar sobre as vantagens do açafrão, da couve galega, das carnes brancas...MAS não me apetece hoje.
Falei há uns dias acerca da Ana. Ela começou hoje o seu tratamento de quimioterapia e vai ser uma lutadora incansável. Quando somos fortes, não é a idade que determina a nossa capacidade de lutar. É a coragem que mostramos nestes momentos que nos faz acreditar que somos capazes. E tu vais ser capaz. Espero que esta fase menos boa sirva igualmente para unir a família, porque nestes momentos são eles a tua linha da frente na batalha. Um abraço para ti.
Fiquei muito feliz há minutos atrás. Uma simples mensagem de facebook da Rita, uma jovem que também apanhou um susto na vida e que ainda recupera dele. Estamos todos a torcer por ti. Que este teu desencontro com a vida seja apenas isso, um desencontro. Muita força!!
Beijinho
vera
Neste sábado fui ao Mcdonalds com a Rita e as vizinhas...era a ladies'night cá na rua! Tirando a tara pelo brinquedo do Happy Meal, a Rita só consegue comer os douradinhos e as batatas e às vezes a sopa. Não é, de todo, o melhor sítio para comermos. É melhor nem pensar no que ingerimos ali, até porque é raro fazê-lo e assim devia ser para toda a gente.
Cá por casa, tentamos comer o mais "saudável" possível agora, ou pelo menos eu tento fazê-lo e incutir esses valores na Rita. Já para o charmoso, começo a pensar se não será um caso perdido...ehehehe
Este fim de semana fizémos Nutella sem porcarias, como diz a Rita. Está forte, mais forte do que a "tradicional", mas na próxima diminuirei a quantidade de cacau. Depois um bolo vegetariano, sem produtos de origem animal. Não tenho nada contra ovos, nada mesmo, mas apeteceu-me variar um bocadinho. Finalizamos o domingo com uns cogumelos Shiitake que a minha prima me deu e que estavam maravilhosos apenas com azeite e alho na sertã.
Dizia-me uma das minhas companhias preferidas para o café depois de almoço que só nos conseguimos dedicar à cozinha enquanto não temos filhos em idade escolar com trabalhos de casa. Talvez seja assim, mas acima de tudo, acho que é preciso gostar. Quer eu, quer o charmoso, gostamos de cozinhar, por isso não o vemos como uma obrigação, mais um prazer, uma forma de desanuviar.
Hoje andei "azeda" o dia todo, por isso o jantar foi mais "trabalhoso", quase em homenagem às eleições de ontem. A minha terapia de hoje foi preparar um coelho caseiro com legumes e cogumelos na púcara. O barro no forno dá-lhe um sabor diferente e os legumes cozinhados assim ficam ótimos. Acompanhei com arroz de açafrão e couves da minha horta.
Podia dissertar sobre as vantagens do açafrão, da couve galega, das carnes brancas...MAS não me apetece hoje.
Falei há uns dias acerca da Ana. Ela começou hoje o seu tratamento de quimioterapia e vai ser uma lutadora incansável. Quando somos fortes, não é a idade que determina a nossa capacidade de lutar. É a coragem que mostramos nestes momentos que nos faz acreditar que somos capazes. E tu vais ser capaz. Espero que esta fase menos boa sirva igualmente para unir a família, porque nestes momentos são eles a tua linha da frente na batalha. Um abraço para ti.
Fiquei muito feliz há minutos atrás. Uma simples mensagem de facebook da Rita, uma jovem que também apanhou um susto na vida e que ainda recupera dele. Estamos todos a torcer por ti. Que este teu desencontro com a vida seja apenas isso, um desencontro. Muita força!!
Beijinho
vera
terça-feira, 2 de junho de 2015
Folículo parvo & vit. D
Desde o meu último post que penso diariamente em escrever, mas o cansaço vence à noite. Continuo fisicamente em modo "low battery", mas a "coisa" há-de eventualmente se resolver por si. Às vezes dou por mim a pensar num acontecimento, em algo que li ou vi e que daria uma bela entrada neste "belo" blog. Mas como não escrevo logo, e à noite preguiço, vão-se passando assim as ideias. Fica para o livro, como me dizem os mais crentes.
Tirando a parte física, estou bem. Estes dias pós-análises são sempre algo incertos, pelo menos até chegar o marcador. Por coincidências da vida (e coincidências de muito mau gosto), apareceu-me mais uma espécie de caroço na axila que foi irradiada, no dia em que fui à consulta no Porto. Claro está que nos passa tudo pelo cérebro. Nos fóruns que acompanho, há relatos constantes de recidivas, por isso o medo acompanha-nos diariamente.
Foi pior da primeira vez, há uns 3 meses atrás, até cheguei a contactar o meu oncologista. Vale-me sempre a sua assertividade e simpatia.SIM, já é a segunda vez que isto acontece e não tem piada nenhuma, sra. axila. Acontece que durante a radioterapia, a pele ficou com queimaduras e ao cicatrizar parece ter "bloqueado" os poros/ folículos. Também era suposto que todos os folículos morressem com o "churrasco", mas há sobreviventes e por vezes dão estes magníficos sinais de vida.
Por magia quase, chega o marcador com valores normais e eu quase deixo de sentir o bendito folículo. Ai esta cabecinha faz cada filme, só me entende quem por lá passou.
Por falar em cabecinha, esta está a precisar de vitamina D e para a semana espero conseguir contribuir para aumentar esta vitamina no meu corpo. Apesar de não poder apanhar sol à vontade (nem à vontadinha sequer), preciso de sol nas pernas e de Vigantol.
Estou com défice de vit. D e logo esta que é tão importante no nosso organismo. A função mais abrangente da vitamina D é o equilíbrio do funcionamento do sistema imunitário. Tenho visto muitos artigos em que relatam a importância dela no processo de tratamento de cancros variados. Esta vitamina interfere ativamente no processo de diferenciação celular, evitando que as células se tornem cancerígenas. É por isto que comecei a monitorizar também a sua presença no meu organismo, e surpreendentemente, os meus valores roçavam o limite de défice extremo. A falta de sol durante todo o ano de 2014 não ajudou em nada, claro.
Quando forem ao vosso médico de família pedir análises ao sangue, peçam para ver a vit. D.
É uma coisa simples e barata, e o seu equilíbrio no nosso organismo pode ajudar a prevenir certas doenças, incluindo depressão.
Bjinho
vera
PS: Se quiserem saber mais sobre vit. D, leiam aqui
Tirando a parte física, estou bem. Estes dias pós-análises são sempre algo incertos, pelo menos até chegar o marcador. Por coincidências da vida (e coincidências de muito mau gosto), apareceu-me mais uma espécie de caroço na axila que foi irradiada, no dia em que fui à consulta no Porto. Claro está que nos passa tudo pelo cérebro. Nos fóruns que acompanho, há relatos constantes de recidivas, por isso o medo acompanha-nos diariamente.
Foi pior da primeira vez, há uns 3 meses atrás, até cheguei a contactar o meu oncologista. Vale-me sempre a sua assertividade e simpatia.SIM, já é a segunda vez que isto acontece e não tem piada nenhuma, sra. axila. Acontece que durante a radioterapia, a pele ficou com queimaduras e ao cicatrizar parece ter "bloqueado" os poros/ folículos. Também era suposto que todos os folículos morressem com o "churrasco", mas há sobreviventes e por vezes dão estes magníficos sinais de vida.
Por magia quase, chega o marcador com valores normais e eu quase deixo de sentir o bendito folículo. Ai esta cabecinha faz cada filme, só me entende quem por lá passou.
Por falar em cabecinha, esta está a precisar de vitamina D e para a semana espero conseguir contribuir para aumentar esta vitamina no meu corpo. Apesar de não poder apanhar sol à vontade (nem à vontadinha sequer), preciso de sol nas pernas e de Vigantol.
Estou com défice de vit. D e logo esta que é tão importante no nosso organismo. A função mais abrangente da vitamina D é o equilíbrio do funcionamento do sistema imunitário. Tenho visto muitos artigos em que relatam a importância dela no processo de tratamento de cancros variados. Esta vitamina interfere ativamente no processo de diferenciação celular, evitando que as células se tornem cancerígenas. É por isto que comecei a monitorizar também a sua presença no meu organismo, e surpreendentemente, os meus valores roçavam o limite de défice extremo. A falta de sol durante todo o ano de 2014 não ajudou em nada, claro.
Quando forem ao vosso médico de família pedir análises ao sangue, peçam para ver a vit. D.
É uma coisa simples e barata, e o seu equilíbrio no nosso organismo pode ajudar a prevenir certas doenças, incluindo depressão.
Bjinho
vera
PS: Se quiserem saber mais sobre vit. D, leiam aqui
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Inevitabilidade
É inegável que a palavra "cancro" assusta muita gente. Vê-se nos rostos das pessoas, na maneira como falam dele e nos tratam, a nós, os "afetados" por ele. O rótulo deve ficar connosco para sempre, e que esse sempre seja muito tempo :)
Hoje, um pouco por todo o país, foi dia de prestar homenagem a uma pessoa que muito fez pela ciência em Portugal, falecida na sexta-feira passada. Desta vez, não omitiram a palavra, pelo menos que li acerca do assunto. De facto, o prof. Mariano Gago não sofria de "doença prolongada", disseram mesmo cancro. Estranho como se mascaram as coisas para parecerem mais leves, menos susceptíveis de ferir os ouvidos mais sensíveis.
Foi um gesto simpático por parte das universidades e centros de investigação por todo o país. Enquanto aguardávamos pela hora marcada para a homenagem, em suposto silêncio, dei por mim a pensar enquanto estava a olhar para aquela gente toda ali reunida por uma pessoa que morreu. O cancro assusta toda a gente, agitando as consciências, nem que seja apenas por um bocadinho até uma coisa trivial nos fazer esquecer do "bicho".
Tirando isso, cabe a todos nós agir para evitar o dito cujo. Quantas mulheres dali fazem os exames à mama regularmente, quantos acima dos 50 anos fazem colonscopias, quantos fumam cigarros atrás de cigarros? Mesmo que apenas reduzamos a probabilidade de contrair cancro em 1%, é menos esse o risco que corremos. Ganhamos em saúde e em anos de vida se nos auto-controlarmos e soubermos entender o nosso corpo e os sinais que ele nos dá.
Sente-se o cancro como uma inevitabilidade, quase como um abutre a pairar as cabeças e a decidir onde vai cair. Não tem de ser assim e era nisso que eu matutava enquanto a minha companhia me dizia que eu estava a apanhar muito sol :)
Adoro o sol e preciso de vit. D.
Todos precisamos.
Bjinho
Vera
domingo, 1 de março de 2015
O bolo de chocolate
Este bolo de chocolate vegetariano, sem produtos de origem
animal, trouxe-nos ótimos momentos este fim de semana. Só acabou hoje, porque
cá em casa os doces rendem muito agora.
Com a visita dos sogros na sexta-feira, aproveitei que a Rita tinha adormecido para preparar uma sobremesa. Por norma, tento não preparar sobremesas com muito açúcar, por isso fui buscar esta receita a um livro de cozinha vegetariana da Gabriela Oliveira, no qual todas as receitas excluem os açucares brancos, e quando necessário incluem o amarelo, o mel ou stevia…qualquer outro açúcar, que não o branco.
Com a visita dos sogros na sexta-feira, aproveitei que a Rita tinha adormecido para preparar uma sobremesa. Por norma, tento não preparar sobremesas com muito açúcar, por isso fui buscar esta receita a um livro de cozinha vegetariana da Gabriela Oliveira, no qual todas as receitas excluem os açucares brancos, e quando necessário incluem o amarelo, o mel ou stevia…qualquer outro açúcar, que não o branco.
Aqui o meu charmoso costuma queixar-se do facto de eu não
conseguir seguir as receitas à risca…faz parte do meu caráter. No entanto, alterei
pouca coisa nesta. A receita dizia para usar bebida de soja, mas como é um
alimento “proibido” na minha alimentação, substitui por aveia. Reduzi a
quantidade de açúcar, de óleo e de fermento, porque me parecia exagerado, e a massa já me
parecia estar bem ligada. Mania de opinar J
Usei um cacau quase puro, que deu ao bolo um travo forte e
semi-amargo. A receita diz que se pode usar chocolate em pó, mas eu prefiro o cacau.
Quanto mais puro e menos trabalhado, melhor para todos. Preparei também uma cobertura de chocolate e leite de aveia,
com 1 c. de sopa de açúcar mascavado. Estava muito boa, a bebida de aveia liga
muito bem com o chocolate.
Confesso que estava na expetativa da primeira garfada na
sexta-feira, mas começaram todos a dizer que estava bom, até que se aperceberam
que era um bolo sem ovos, sem manteiga e aí começaram os defeitos (brincadeirinha). O bolo rendeu imenso. Deu para sexta, para os babysitters Sónia e Miguel no sábado à tarde, para o jantar de sábado à noite com as amigas cá em casa e só hoje a minha maior crítica (a Rita) comeu o último pedaço deliciada. Será caso para repetir.
Esta é a receita da massa:
1 cháv. e meia de farinha de trigo
meia chávena de farinha de trigo integral
1 cháv. e meia de açucar amarelo
1 c. sopa de linhaça
5 c. sopa de cacau em pó
1 c. sopa de fermento em pó
1 c. café de bicarbonato de sódio
1 cháv. e meia de bebida vegetal
meia chávena de óleo
1 c. sobremesa de sumo de limão
1 c. sobremesa de sumo de limão
Usem a mesma chávena para as medidas. Experimentem e digam-me se correu bem. Como vêm, é possível comer mais saudável, sem deixar de comer um bom bolo de chocolate de vez em quando.
Bjinho
vera
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
A entrevista
Eu e a D. Ana estamos lindas na foto. Carinho mútuo.
Quando me pediram para escrever sobre o meu cancro para o jornal da universidade, não hesitei em aceitar.
Só perguntei qual a extensão do texto...não vá dar muito trabalho à edição do texto. Escrever sobre o que se passou, e passa, comigo não me custa. Custa é limitar as palavras.
Só perguntei qual a extensão do texto...não vá dar muito trabalho à edição do texto. Escrever sobre o que se passou, e passa, comigo não me custa. Custa é limitar as palavras.
Vou tomar a liberdade de postar aqui o texto que enviei, com as guidelines assinaladas a negrito.
"Acerca do meu cancro:
O diagnóstico de um cancro mexe com toda a nossa estrutura física,
emocional e espiritual. Mexe connosco, com a nossa família, amigos, vizinhos,
colegas de trabalho, e por incrível que pareça, até com desconhecidos, porque
um lenço ou uma careca ainda assustam muita gente.
Quando me foi diagnosticado cancro de mama inflamatório aos 33 anos, com uma filha de apenas 3 anos, não me restou senão lutar, agarrar-me às melhores probabilidades deste cancro tão raro e agressivo e acreditar no médico que me acompanha. Não deixei de investigar, de ler muito e de tentar acompanhar o que se fazia a nível de investigação neste tipo específico de cancro e de aprender a ajudar na luta “convencional” a nível de alimentação e suplementos nutricionais.
Quando me foi diagnosticado cancro de mama inflamatório aos 33 anos, com uma filha de apenas 3 anos, não me restou senão lutar, agarrar-me às melhores probabilidades deste cancro tão raro e agressivo e acreditar no médico que me acompanha. Não deixei de investigar, de ler muito e de tentar acompanhar o que se fazia a nível de investigação neste tipo específico de cancro e de aprender a ajudar na luta “convencional” a nível de alimentação e suplementos nutricionais.
Felizmente tem sido uma luta desigual, porque o cancro está sozinho e eu
tive imensa gente comigo na luta. A minha esfera protetora conseguiu
proteger-me, ajudar-me a suportar os efeitos secundários da quimioterapia, da
mastectomia e da radioterapia. Não me esqueço dos piores momentos do ano de
2014, do medo, do pânico de que a quimioterapia não resultasse, das dores da
cirurgia, das queimaduras da radioterapia. No entanto, regressada ao trabalho e
vendo em retrospetiva o ano passado, as primeiras recordações são as das
surpresas, dos presentes, dos mimos, do companheirismo e da amizade que senti ao
longo do ano. Não consigo dizer que venci esta guerra, porque o cancro é
matreiro, é uma doença crónica. Fica, acima de tudo, a sensação que esta
batalha é ganha no dia-a-dia.
Pré-diagnóstico: Antes da doença aparecer, havia já
alguma preocupação, ou com exames de despiste por antecedentes familiares, ou
com a alimentação, ou com exercício físico?
Em relação à minha
vida pré-cancro, não considero que tivesse uma vida sedentária, mas a prática regular
de exercício era muito recente. Tinha começado a frequentar na altura o ginásio
2 x por semana apenas uns meses antes. A nível de alimentação, não posso dizer
que cometesse muitos erros, mas não tinha claramente a consciência alimentar
que tenho hoje. No que diz respeito a cuidados médicos, desde o nascimento da
filha em 2010 que fazia ecografias de 6 em 6 meses devido à densidade do tecido
mamário, mas apenas como prática preventiva, porque não havia antecedentes
familiares. Nada na minha vida me fazia sequer pensar em ter um cancro tão
agressivo e tão nova.
Diagnóstico: Numa altura em que se prevê que os números
de casos de pessoas com cancro aumentem substancialmente, confirma-se que o
segredo do sucesso do tratamento passa por um diagnóstico precoce?
É essencial o
diagnóstico precoce, sem dúvida. Esse eu tive, mesmo que isso no meu caso não
signifique muito, porque quando o cancro de mama inflamatório é diagnosticado,
a doente já se encontra pelo menos no estadio III da doença.
No entanto, o
sucesso do tratamento passa por outro vetor: o tempo de ação. É igualmente
essencial que o tratamento seja iniciado num espaço de dias, depois de
diagnosticado e estadiado. Da minha experiência com o nosso sistema público de
saúde, depois de semanas a fio à espera, recomendo que sejamos pró-ativos. Se
eu não tivesse procurado alternativas, provavelmente não leriam esta história.
Tratamento: Este processo deixa mazelas muito mais
profundas do que aquelas perceptíveis ao olhar, nomeadamente nas mulheres. Como
é que se lida com a perda de cabelo e de outras características tão diretamente
relacionadas com a condição de mulher?
Quando se trata de
uma questão de vida ou morte e a vontade de sobreviver para ver os filhos
crescerem é mais forte, a perda de cabelo ou da mama tornam-se meros efeitos
secundários. Eu continuei a ser eu, mesmo depois de perder o cabelo, as
sobrancelhas, as pestanas…continuei a brincar com a minha filha, a querer estar
com pessoas, a gozar com a minha careca e a emprestar a peruca à minha filha.
As cicatrizes e marcas físicas estão cá e lembram-nos dessa luta, mas também
nos lembram que estamos vivos. São marcos femininos, mas nestas alturas pesa-se
o que é verdadeiramente importante: a vida.
Pós- tratamento: Passada a fase dolorosa, chega a altura
de voltar à rotina e encarar o mundo, agora talvez com outros olhos. Quais as
principais mudanças, visíveis ou não, na vida de quem vence o cancro?
É difícil avaliar a
nossa mudança. Será bem aceite dizer que mudamos para melhor?
Fisicamente a luta
deixou as suas marcas, algumas debilidades e cansaço, e, pelo lado positivo, um
corte de cabelo novo. Psicologicamente, sinto-me mais calma, com mais
ponderação. Sei que a cada decisão que tome, a nível pessoal ou profissional, a
experiência do cancro me vai fazer pensar primeiro na vida que eu quero para
mim e para a minha família, nas prioridades e na necessidade de viver todos os
dias com alegria.
Mensagem: Se alguém soubesse agora que lhe tinha sido
diagnosticado cancro e te pedisse um conselho, o que lhe dirias?
Falar. Libertar. Desmistificar.
Sei que choquei algumas pessoas com o blog que mantenho desde o diagnóstico. Suscitei críticas positivas e negativas, mas o blog cumpriu o seu objetivo: ajudar a tolerar a minha vida com cancro. Não somos todos iguais, mas se falarmos do cancro, ele torna-se menos tabu, deixa de nos assustar tanto. Decidi falar abertamente sobre a minha experiência e fez-me bem. Faz-me bem."
Sei que choquei algumas pessoas com o blog que mantenho desde o diagnóstico. Suscitei críticas positivas e negativas, mas o blog cumpriu o seu objetivo: ajudar a tolerar a minha vida com cancro. Não somos todos iguais, mas se falarmos do cancro, ele torna-se menos tabu, deixa de nos assustar tanto. Decidi falar abertamente sobre a minha experiência e fez-me bem. Faz-me bem."
Obrigado UA.
Bjinho
PS1...Antes que me acusem de ser funcionária pública a publicar em hora de serviço, já piquei o ponto :)
PS2...Disponível aqui: http://uaonline.ua.pt/pub/detail.asp?c=41478
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Dia Mundial da Luta contra o Cancro
Amanhã é o Dia Mundial da Luta contra o Cancro.
Este ano o mote é "vencer o cancro está ao nosso alcance". Era bom se fosse assim tão simples, tão fácil de conseguir. Muito do sucesso no combate ao cancro está na prevenção, na mudança de estilos de vida, na adopção de uma vida mais "zen", menos stressante.
Depois de passarmos por um cancro, acho que todos mudamos nesse sentido. Ficamos mais responsáveis a nível alimentar, mais conscientes dos limites físicos e mais "zens" também, em certo sentido. Já não é qualquer coisa que nos tira do sério, abstraímo-nos mais facilmente do mundano e das "nhoquices" do dia-a-dia. Sentimos mais a vida, porque também a sentimos a fugir das nossas mãos.
Hoje em conversa com uma senhora muito querida, que já o venceu por duas vezes, ela dizia-me que não desejava esta situação nem a amigos, nem a inimigos. Compreendo e concordo totalmente. Com toda a investigação e esforço que se dedica ao combate ao cancro, espero que um dia se consiga curar como uma outra doença qualquer, que se saiba que há aquele "remédio" para aquele problema.
Entretanto, resta-nos a nós, que já conhecemos a realidade do cancro, alertar e tentar despertar consciências. Exames de prevenção e acompanhamento médico adequado não fazem mal a ninguém. Todo o cuidado é pouco. Fico feliz por saber que, ao saber do meu caso, outras mulheres se tornaram mais auto-conscientes e procuraram saber mais acerca do assunto, alterando hábitos de alimentação.
Como eu disse no início do meu blog, há mais de um ano, se eu contribuísse para ajudar uma "Maria", ficaria feliz. Já ajudei muitas, algumas com cancro, e sinto que posso ajudar outras. Mais que não seja, sei ouvir e entender o que estão a sentir.
Estou em falta com a informação sobre o óleo de côco. São só 21h20,mas já estou na cama. A minha "beleza física" hoje sente-se particularmente cansada. Devem ter sido os flashes da sessão fotográfica de hoje. Amanhã há novidades. Gente boa na nossa universidade!
Beijinhos e força para quem está na luta.
Este ano o mote é "vencer o cancro está ao nosso alcance". Era bom se fosse assim tão simples, tão fácil de conseguir. Muito do sucesso no combate ao cancro está na prevenção, na mudança de estilos de vida, na adopção de uma vida mais "zen", menos stressante.
Depois de passarmos por um cancro, acho que todos mudamos nesse sentido. Ficamos mais responsáveis a nível alimentar, mais conscientes dos limites físicos e mais "zens" também, em certo sentido. Já não é qualquer coisa que nos tira do sério, abstraímo-nos mais facilmente do mundano e das "nhoquices" do dia-a-dia. Sentimos mais a vida, porque também a sentimos a fugir das nossas mãos.
Hoje em conversa com uma senhora muito querida, que já o venceu por duas vezes, ela dizia-me que não desejava esta situação nem a amigos, nem a inimigos. Compreendo e concordo totalmente. Com toda a investigação e esforço que se dedica ao combate ao cancro, espero que um dia se consiga curar como uma outra doença qualquer, que se saiba que há aquele "remédio" para aquele problema.
Entretanto, resta-nos a nós, que já conhecemos a realidade do cancro, alertar e tentar despertar consciências. Exames de prevenção e acompanhamento médico adequado não fazem mal a ninguém. Todo o cuidado é pouco. Fico feliz por saber que, ao saber do meu caso, outras mulheres se tornaram mais auto-conscientes e procuraram saber mais acerca do assunto, alterando hábitos de alimentação.
Como eu disse no início do meu blog, há mais de um ano, se eu contribuísse para ajudar uma "Maria", ficaria feliz. Já ajudei muitas, algumas com cancro, e sinto que posso ajudar outras. Mais que não seja, sei ouvir e entender o que estão a sentir.
Estou em falta com a informação sobre o óleo de côco. São só 21h20,mas já estou na cama. A minha "beleza física" hoje sente-se particularmente cansada. Devem ter sido os flashes da sessão fotográfica de hoje. Amanhã há novidades. Gente boa na nossa universidade!
Beijinhos e força para quem está na luta.
domingo, 25 de janeiro de 2015
Low battery
Quase a entrar na 3ª semana de trabalho pós-cancro. Ainda de pé, mas sinto algum cansaço físico. Durante a semana até ando bem, mas quando se chega a sexta, ando em modo "low battery" e para ajudar, esta sexta houve tratamento no hospital.
A medicação anti-hormonal também interfere com o sono. Não conseguir descansar em condições não ajuda, mas nada que não se tolere. Este fim de semana tem sido muito soft, para recuperar energias. Ontem fui passear à praia, com a filhota, mano e cunhadinha. Hoje estou eu e ela a ver um filme e a comer pipocas (eu não, apesar de serem caseiras e sem corantes), enquanto um pão caseiro coze.
Tenho andado sem inspiração e sem tempo para escrever, mas sinto falta. Parece que se tornou uma maneira de desabafar, de continuar esta minha jornada anti-cancro. Torna-se mais fácil publicar no facebook, mais rápido. No entanto, é aqui que se aprofunda.
Cada vez mais tenho certeza que temos de viver o dia-a-dia, apreciar as pequenas coisas, abandonar o materialismo. Foi o que o meu oncologista me recomendou na sexta-feira passada. Viver a vida normalmente, não me lembrar do cancro constantemente...deixá-lo no ano 2014.
Ora, eu até concordo. Só não sei muito bem é como fazer isso. Ele está presente, deixou marcas, deixou cansaço. Mas, acima de tudo, deixou uma vontade de o combater, de não o deixar voltar. A alimentação é apenas uma das formas de luta, mas é uma das variáveis mais facilmente controladas.
Vou tentar explorar mais esta vertente aqui. Se ajudarmos uma só pessoa a mudar, já terá valido o esforço.
Bjinhos,
Vera
PS1. Menos um Herceptin. Parece que ainda ontem o comecei a "tomar". Se correr tudo bem, ao completar 12 meses de tratamento, "c'est fini"... pelo menos esta!
PS2. Cá estou eu na "box", com a minha mantinha. Continuo muito bem tratada e mimada no Hospital daArrábida. O enf. Luís chama-me "Verinha mágica". Lembrou-me de uma outra menina, lá bem longe na Bélgica, que me chamava assim. Beijinho Andreia.
PS3. Para quem acha que comer salmão de manhã é mau, experimentem o tahini....:)
A medicação anti-hormonal também interfere com o sono. Não conseguir descansar em condições não ajuda, mas nada que não se tolere. Este fim de semana tem sido muito soft, para recuperar energias. Ontem fui passear à praia, com a filhota, mano e cunhadinha. Hoje estou eu e ela a ver um filme e a comer pipocas (eu não, apesar de serem caseiras e sem corantes), enquanto um pão caseiro coze.
Tenho andado sem inspiração e sem tempo para escrever, mas sinto falta. Parece que se tornou uma maneira de desabafar, de continuar esta minha jornada anti-cancro. Torna-se mais fácil publicar no facebook, mais rápido. No entanto, é aqui que se aprofunda.
Cada vez mais tenho certeza que temos de viver o dia-a-dia, apreciar as pequenas coisas, abandonar o materialismo. Foi o que o meu oncologista me recomendou na sexta-feira passada. Viver a vida normalmente, não me lembrar do cancro constantemente...deixá-lo no ano 2014.
Ora, eu até concordo. Só não sei muito bem é como fazer isso. Ele está presente, deixou marcas, deixou cansaço. Mas, acima de tudo, deixou uma vontade de o combater, de não o deixar voltar. A alimentação é apenas uma das formas de luta, mas é uma das variáveis mais facilmente controladas.
Vou tentar explorar mais esta vertente aqui. Se ajudarmos uma só pessoa a mudar, já terá valido o esforço.
Bjinhos,
Vera
PS1. Menos um Herceptin. Parece que ainda ontem o comecei a "tomar". Se correr tudo bem, ao completar 12 meses de tratamento, "c'est fini"... pelo menos esta!
PS2. Cá estou eu na "box", com a minha mantinha. Continuo muito bem tratada e mimada no Hospital daArrábida. O enf. Luís chama-me "Verinha mágica". Lembrou-me de uma outra menina, lá bem longe na Bélgica, que me chamava assim. Beijinho Andreia.
PS3. Para quem acha que comer salmão de manhã é mau, experimentem o tahini....:)
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Livre-passe
Hoje terminou a 2ª revisão.
É oficial, regresso no dia 12 de janeiro de 2015 ao Gabinete de Apoio à Investigação da Universidade de Aveiro:)
Quanto à revisão, a nutricionista ficou feliz por eu ter perdido massa gorda...uns míseros 200grs de massa gorda, mas se ela ficou feliz, eu também fico. Mais conselhos, estratégias e simpatia da Dra. Daniela. Só me rodeio de gente simpática:)
O cardiologista verificou hoje a "máquina" e está tudo ok. Apesar de bombardeado pelo Herceptin, que é cardio-tóxico, ele tem resistido. Se tudo correr bem, só terá de aguentar mais 3 meses.
O oftalmologista diz que tenho de aumentar a graduação, mas isso nem me incomoda. Aproveito e compro uns óculos novos, que estes tresandam a cancro :)
Coincidência engraçada: faz hoje 1 ano que tomei a primeira dose de quimioterapia. Como o ano passou depressa, isto visto agora claro. Houve alturas em que parecia estar tudo tão parado, tão lento. Mas já passou 1 ano desde que experimentei a "groselha" na veia.
Lembro-me de ir receosa no carro com o Nuno, os dois mudos. Tal como por magia, ligou-me a minha querida Ana Maria, a nossa rececionista e amiga guerreira. Estava bem disposta, alegre e ligou-me durante a quimioterapia dela. Se ela estava assim tão "porreira", eu também ia ficar bem. Deu-me alento e coragem, mesmo sem o saber. Ligou na hora certa. Nunca me esqueci disso e ainda não lhe agradeci pessoalmente :)
Hoje, como estava no Hospital da Arrábida, fui ao meu oncologista pedir receituário da medicação e, claro, partilhar um bocado do meu dia com ele. Sempre sorridente e simpático este meu anjo da guarda.
Enfim, revisão dos 34000 completa. Segunda-feira retomo a minha vida profissional, que deixei para trás no início da quimioterapia. Foi para mim essencial parar, ter tempo para o corpo sofrer o embate, para recuperar de umas para as outras, cumprindo sempre o calendário dos tratamentos para não dar hipótese ao bicho.
Interessante como a vida nos prega surpresas destas e nos ensina a respeitar o seu próprio ritmo. Isto não acaba aqui, conforme devem entender. Ainda há tratamentos de 3 em 3 semanas, além do que faço em casa, ainda há check-ups trimestrais (a probabilidade de recidiva é altíssima) mas acima de tudo, continua a haver vontade de viver e de sorrir para a vida.
Aproveitem a vida e mantenham-se por cá. A vida continua, o blog também.
bjinho
É oficial, regresso no dia 12 de janeiro de 2015 ao Gabinete de Apoio à Investigação da Universidade de Aveiro:)
Quanto à revisão, a nutricionista ficou feliz por eu ter perdido massa gorda...uns míseros 200grs de massa gorda, mas se ela ficou feliz, eu também fico. Mais conselhos, estratégias e simpatia da Dra. Daniela. Só me rodeio de gente simpática:)
O cardiologista verificou hoje a "máquina" e está tudo ok. Apesar de bombardeado pelo Herceptin, que é cardio-tóxico, ele tem resistido. Se tudo correr bem, só terá de aguentar mais 3 meses.
O oftalmologista diz que tenho de aumentar a graduação, mas isso nem me incomoda. Aproveito e compro uns óculos novos, que estes tresandam a cancro :)
Coincidência engraçada: faz hoje 1 ano que tomei a primeira dose de quimioterapia. Como o ano passou depressa, isto visto agora claro. Houve alturas em que parecia estar tudo tão parado, tão lento. Mas já passou 1 ano desde que experimentei a "groselha" na veia.
Lembro-me de ir receosa no carro com o Nuno, os dois mudos. Tal como por magia, ligou-me a minha querida Ana Maria, a nossa rececionista e amiga guerreira. Estava bem disposta, alegre e ligou-me durante a quimioterapia dela. Se ela estava assim tão "porreira", eu também ia ficar bem. Deu-me alento e coragem, mesmo sem o saber. Ligou na hora certa. Nunca me esqueci disso e ainda não lhe agradeci pessoalmente :)
Hoje, como estava no Hospital da Arrábida, fui ao meu oncologista pedir receituário da medicação e, claro, partilhar um bocado do meu dia com ele. Sempre sorridente e simpático este meu anjo da guarda.
Enfim, revisão dos 34000 completa. Segunda-feira retomo a minha vida profissional, que deixei para trás no início da quimioterapia. Foi para mim essencial parar, ter tempo para o corpo sofrer o embate, para recuperar de umas para as outras, cumprindo sempre o calendário dos tratamentos para não dar hipótese ao bicho.
Interessante como a vida nos prega surpresas destas e nos ensina a respeitar o seu próprio ritmo. Isto não acaba aqui, conforme devem entender. Ainda há tratamentos de 3 em 3 semanas, além do que faço em casa, ainda há check-ups trimestrais (a probabilidade de recidiva é altíssima) mas acima de tudo, continua a haver vontade de viver e de sorrir para a vida.
Aproveitem a vida e mantenham-se por cá. A vida continua, o blog também.
bjinho
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Superstições
Costumamos ouvir que não acreditamos em bruxas, mas que as há, há, certo?
Pois, com o chamado Pão do Vaticano aconteceu a mesma coisa cá em casa. A minha cunhada trouxe-me uma porção da massa, conforme manda a regra para não quebrar a dita corrente. Sou um bocado suspeita nestas coisas, nunca acreditei nestas ditas correntes da sorte, mas o que é certo é que o pão sabe muito bem (ela trouxe também uma fatia para eu provar). Não tinha nada a perder e juntamente com a Rita, o pão foi-se fazendo.
Numa tentativa de tornar o pão mais saudável e compatível com o regime alimentar que sigo, juntei bagas de goji, lascas de côco e nozes de Soure (obrigada Ana Carina).
No sábado era dia de cozer o pão. Com tanta farinha branca e açúcar, ainda com óleo à mistura, só pensava na bomba hiper-calórica que ia fabricar. Mas enfim, dias não são dias e preparei tudo. Cozeu bem, ficou um cheiro maravilhoso e de aspeto estava muito bonito.
Fiz a minha parte. Dei três porções e aguardo feedback das felizes contempladas :)
Bjinho,
************************
O que se diz acerca do PÃO DO VATICANO
Este pão trará boa sorte a toda a família. Aquele que coze o pão tem um desejo realizado.
Apenas deve fazer este pão uma vez na vida. Começa na 2º feira. É importante que o fermento NÃO esteja no frigorífico. Coloque a massa numa taça ou bacia de vidro e cubra com um pano de cozinha. Só pode mexer com uma colher de pau, nunca com talheres de metal ou com as mãos.
·2ª feira: Junte 250g de açúcar – Não mexer
·3ª feira: junte 250ml de leite fervido (deixe arrefecer antes de usar)– não mexer
·4ª feira: junte 250g de farinha – não mexer
·5ª feira: hoje pode mexer tudo – apenas com uma colher de pau
·6ª feira: junte 250g de açúcar, 250ml de leite fervido e arrefecido e 250g de farinha. Mexer ao redor e ajustar para 4 porções. Dar 3 porções. A 4ª fica para si e é com ela que faz o pão.
·Sábado: Para a 4ª porção junte 250g de farinha, ½ colher de sopa de bicarbonato de sódio, ½ pacote (ou uma colher de sopa) de fermento em pó, 3 ovos, açúcar baunilhado qb, 250ml de óleo, nozes picadas grosseiramente, ½ colher de sopa de canela, 3 punhados de passas, pedaços de maçã e raspas de chocolate. Unte uma forma e ligue o forno a 180º C.
Pois, com o chamado Pão do Vaticano aconteceu a mesma coisa cá em casa. A minha cunhada trouxe-me uma porção da massa, conforme manda a regra para não quebrar a dita corrente. Sou um bocado suspeita nestas coisas, nunca acreditei nestas ditas correntes da sorte, mas o que é certo é que o pão sabe muito bem (ela trouxe também uma fatia para eu provar). Não tinha nada a perder e juntamente com a Rita, o pão foi-se fazendo.
Numa tentativa de tornar o pão mais saudável e compatível com o regime alimentar que sigo, juntei bagas de goji, lascas de côco e nozes de Soure (obrigada Ana Carina).
No sábado era dia de cozer o pão. Com tanta farinha branca e açúcar, ainda com óleo à mistura, só pensava na bomba hiper-calórica que ia fabricar. Mas enfim, dias não são dias e preparei tudo. Cozeu bem, ficou um cheiro maravilhoso e de aspeto estava muito bonito.
Fiz a minha parte. Dei três porções e aguardo feedback das felizes contempladas :)
Bjinho,
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O que se diz acerca do PÃO DO VATICANO
Este pão trará boa sorte a toda a família. Aquele que coze o pão tem um desejo realizado.
Apenas deve fazer este pão uma vez na vida. Começa na 2º feira. É importante que o fermento NÃO esteja no frigorífico. Coloque a massa numa taça ou bacia de vidro e cubra com um pano de cozinha. Só pode mexer com uma colher de pau, nunca com talheres de metal ou com as mãos.
·2ª feira: Junte 250g de açúcar – Não mexer
·3ª feira: junte 250ml de leite fervido (deixe arrefecer antes de usar)– não mexer
·4ª feira: junte 250g de farinha – não mexer
·5ª feira: hoje pode mexer tudo – apenas com uma colher de pau
·6ª feira: junte 250g de açúcar, 250ml de leite fervido e arrefecido e 250g de farinha. Mexer ao redor e ajustar para 4 porções. Dar 3 porções. A 4ª fica para si e é com ela que faz o pão.
·Sábado: Para a 4ª porção junte 250g de farinha, ½ colher de sopa de bicarbonato de sódio, ½ pacote (ou uma colher de sopa) de fermento em pó, 3 ovos, açúcar baunilhado qb, 250ml de óleo, nozes picadas grosseiramente, ½ colher de sopa de canela, 3 punhados de passas, pedaços de maçã e raspas de chocolate. Unte uma forma e ligue o forno a 180º C.
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