Pois bem, de nada adianta publicar fotos no facebook e não dizer como faço.
Não invento a roda, apenas tento dar um toque mais saudável às coisas, por mim, pela Rita e pelo pai, ambos gulosos.
A receita original dos bolinhos de arroz implica manteiga, leite de vaca e açúcar branco. Foi principalmente aí que mexi, sendo que mantive a farinha de trigo, apesar de ter mexido também nas quantidades :)
Ingredientes já adaptados:
250 grs de farinha de arroz
100 grs de farinha de trigo
3 ovos
2 dl de leite (usei bebida de arroz)
1 c chá de fermento (ou bicarbonato de sódio)
80 grs de açúcar mascavado
80 grs de óleo de côco da Prozis (tem de ser, não é?) ou manteiga de côco da Vaqueiro
raspa de 1 limão
1 pitada de sal
Mexer o açúcar, o óleo e a raspa do limão. Adicionar os ovos um a um e mexer sempre.
Adicionar o leite em fio e envolver as farinhas, fermento e sal. Envolver tudo e deixar descansar 1h.
Depois é só colocar em forminhas de cupcake ou em formas cilíndricas (encher até 2/3), sempre ficarão mais parecidas com os que se compram nas pastelarias. Polvilhar com um bocadinho de açúcar mascavado e levar ao forno 20-25 minutos, a 200º.
Aqui os de casa podem não estar tão bonitos e altinhos, mas os "provadores" aprovaram. Na próxima talvez coloque mais um bocadinho de gordura ou deixe estar menos tempo no forno para ficarem mais húmidos. Deu para uns 20 bolinhos!
Bjinho
vera
Um cancro de mama diagnosticado aos 33 anos. Não procuro ser mais do que um exemplo de luta, mais uma "Maria" a encarar olhos nos olhos esta doença. Não sou a primeira, gostaria muito de ser a última mulher com esta doença. Infelizmente, não serei. Mas serei mais uma a dar armas às "Marias" que se virem confrontadas com este desencontro da vida.
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
Quase no fim
O ano de 2017 está quase a terminar. Para mim, em especial, mais um ano significa vida e esperança...de dezembro de 2013 com um diagnóstico de cancro violento a dezembro de 2017 com a vida a correr quase normalmente e a refazer-me das "feridas de guerra".
Parece que começou ainda ontem, mas a verdade é que, dia
após dia, a vida corre e leva o seu
rumo, como bem quer e entende. Não nos cabe a nós decidir o seu rumo, apenas vivê-la
o melhor que podemos e sabemos. Conheço
muita gente que ainda se julga capaz de a dominar e de decidir o seu rumo, como
se de um deus poderoso se tratasse. Não invejo essa gente…um dia aprenderão a
viver um dia de cada vez.
Assim espero o meu 2018. Com muita saúde, um dia de cada
vez, para todos.
Bjinho e bom 2018
Vera
Ps.- Consulta de rotina correu bem, apesar de estarmos já a ponderar um novo tratamento preventivo para "atrasar" os efeitos secundários da medicação hormonal. É caso para dizer que vou voltar a meter para a veia daqui a uns tempos, mas o que tem de ser, tem muita força :)
sábado, 25 de novembro de 2017
O tal do ministro!
Reconheço que pode não ser bem verdade, que por vezes o jornalismo interpreta as declarações, adapta-as a um discurso sensacionalista, cujo objetivo é vender. Feito este aparte, quando li a notícia do tal ministro indiano, lembrei-me de alguns nomes menos simpáticos para "elogiar" tal pessoa.
Dizer que ter cancro é uma questão de azar...ok, há cientistas que o dizem e que publicaram inclusivamente um artigo científico na Science sobre o assunto e que foi muito falado na imprensa, aqui há uns 2 anos atrás (link Público) .
Azar, sim, com azar eu concordo. A sorte não deve querer lá muita coisa quando escolhe alguém para ser injetado com líquidos que destroem a medula, que nos conseguem pôr o estômago em lugares estranhos, que nos fazem sentir sem força sequer para subir um lance de escadas sem arfar. Acho que a sorte não deve conhecer os prazeres de ser queimado por uma máquina de radioterapia...nem de sofrer com as cirurgias...nem deve sequer saber o que é ter de olhar para a família e dizer que temos cancro. Sim, a sorte não tem nada a ver com cancro. E se diz na Science que é azar, quem sou eu para discordar...
Azar sim, castigo divino é que já me parece um bocadinho exagerado, sr. Ministro!
Bjinho,
Vera
Ps: Fazendo o follow-up da cirugia, continuamos a tratar das cicatrizes e estamos agora mais alerta a outra situação. Alguns pontos internos decidiram "fagocitar", ou seja, formaram-se pequenos caroços ou cápsulas em volta dos pontos internos e provavelmente estão a acumular "lixo". Vamos dar algum tempo para o corpo se livrar disto, antes de pensar noutras estratégias. Se corresse tudo bem à primeira, não seria mesmo comigo. Deve ser do karma!
Dizer que ter cancro é uma questão de azar...ok, há cientistas que o dizem e que publicaram inclusivamente um artigo científico na Science sobre o assunto e que foi muito falado na imprensa, aqui há uns 2 anos atrás (link Público) .
Azar, sim, com azar eu concordo. A sorte não deve querer lá muita coisa quando escolhe alguém para ser injetado com líquidos que destroem a medula, que nos conseguem pôr o estômago em lugares estranhos, que nos fazem sentir sem força sequer para subir um lance de escadas sem arfar. Acho que a sorte não deve conhecer os prazeres de ser queimado por uma máquina de radioterapia...nem de sofrer com as cirurgias...nem deve sequer saber o que é ter de olhar para a família e dizer que temos cancro. Sim, a sorte não tem nada a ver com cancro. E se diz na Science que é azar, quem sou eu para discordar...
Azar sim, castigo divino é que já me parece um bocadinho exagerado, sr. Ministro!
Bjinho,
Vera
Ps: Fazendo o follow-up da cirugia, continuamos a tratar das cicatrizes e estamos agora mais alerta a outra situação. Alguns pontos internos decidiram "fagocitar", ou seja, formaram-se pequenos caroços ou cápsulas em volta dos pontos internos e provavelmente estão a acumular "lixo". Vamos dar algum tempo para o corpo se livrar disto, antes de pensar noutras estratégias. Se corresse tudo bem à primeira, não seria mesmo comigo. Deve ser do karma!
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
Life goes on
Está na altura de regressar à vida ativa e retomar os meus afazeres. Life goes on, como se costuma dizer. 26 dias depois da mastopexia, é caso para dizer que já não há perigo de queda, ainda que mantenha uma zona com algum hematoma e cicatrizes que me parecem verdes e frágeis, mas ainda vai demorar até me dar a sensação que não vai abrir a qualquer momento:)
Normalmente, o meu cirurgião dá-me um tempo de recuperação indicativo e eu desrespeito-o. Devo estar a ficar velha, o corpo já não recupera como antigamente (antes do cancro e todos os tratamentos) e levo um bocadinho mais a recuperar fisicamente. A sensação de cansaço vai-se atenuando e é preciso agora começar a voltar à normalidade para retemperar energias e vitalidade. A ginástica ainda terá de esperar mais uns dias, porque ainda estamos em fase de "libertação" das cicatrizes e é capaz de ser ligeiramente incómodo andar aos saltos.
Continuarei as massagens de drenagem linfática, com a querida Ágata, que por mais simpática que seja, me consegue assustar quando me deita as mãos em cima. É só uma massagem, de facto. Pena é que incide em cicatrizes e hematoma.
Estamos já em novembro. Este ano vai ficar na memória pelas 2 grandes cirurgias neste processo de reconstrução e de recomeço e no próximo ano espero conseguir finalizar o mesmo, já com intervenções menos invasivas e menos exigentes fisicamente.
Perguntei-me várias vezes se este era o caminho a percorrer, se valia a pena todo o sofrimento físico e psicológico. No fim do processo, darei uma resposta mais assertiva, mas neste momento tinha mesmo de o fazer. Por mim e por todos à minha volta, especialmente a Rita.
Em 2014, pouco antes da mastectomia, expliquei-lhe que o médico teria de tirar a mama, porque o "dói-dói" estava lá dentro. Ela tinha 4 anos, pouco entendia de doenças e de mamas, mas sabia que era uma parte de mim. A olho nu, a mama estava normal, por isso ainda mais estranho lhe parecia. Perguntou se eu ficava sem mama e eu disse que depois o médico fazia outra, quanto acabasse de tomar os "remédios maus".
No cancro de mama inflamatório, não é recomendado que se faça reconstrução imediata. A mama afetada tem de ser retirada, os tecidos bem escrutinados e limpos na caixa torácica e eliminar o máximo de pele possível...depois é bombardeada com muita radioterapia. É recomendado esperar no mínimo 2 anos até que se comece a pensar na reconstrução e nunca insisti nesse sentido com o meu oncologista. Demos quase 3 anos ao corpo e à pele para se regenerar, porque fiquei tão queimada que ainda hoje sei exatamente os limites da zona atingida pela radiação. Churrasquinho :)
Enfim, life goes on mesmo. Já estamos quase no fim do ano, o Natal está aí à porta e já posso voltar ao trabalho na segunda. Retenho dos dias bons as coisas boas e dos dias maus as coisas más. Não me consigo esquecer delas, até porque fazem parte deste caminho que não escolhi, mas que tenho de viver.
Bjinho,
Vera
Normalmente, o meu cirurgião dá-me um tempo de recuperação indicativo e eu desrespeito-o. Devo estar a ficar velha, o corpo já não recupera como antigamente (antes do cancro e todos os tratamentos) e levo um bocadinho mais a recuperar fisicamente. A sensação de cansaço vai-se atenuando e é preciso agora começar a voltar à normalidade para retemperar energias e vitalidade. A ginástica ainda terá de esperar mais uns dias, porque ainda estamos em fase de "libertação" das cicatrizes e é capaz de ser ligeiramente incómodo andar aos saltos.
Continuarei as massagens de drenagem linfática, com a querida Ágata, que por mais simpática que seja, me consegue assustar quando me deita as mãos em cima. É só uma massagem, de facto. Pena é que incide em cicatrizes e hematoma.
Estamos já em novembro. Este ano vai ficar na memória pelas 2 grandes cirurgias neste processo de reconstrução e de recomeço e no próximo ano espero conseguir finalizar o mesmo, já com intervenções menos invasivas e menos exigentes fisicamente.
Perguntei-me várias vezes se este era o caminho a percorrer, se valia a pena todo o sofrimento físico e psicológico. No fim do processo, darei uma resposta mais assertiva, mas neste momento tinha mesmo de o fazer. Por mim e por todos à minha volta, especialmente a Rita.
Em 2014, pouco antes da mastectomia, expliquei-lhe que o médico teria de tirar a mama, porque o "dói-dói" estava lá dentro. Ela tinha 4 anos, pouco entendia de doenças e de mamas, mas sabia que era uma parte de mim. A olho nu, a mama estava normal, por isso ainda mais estranho lhe parecia. Perguntou se eu ficava sem mama e eu disse que depois o médico fazia outra, quanto acabasse de tomar os "remédios maus".
No cancro de mama inflamatório, não é recomendado que se faça reconstrução imediata. A mama afetada tem de ser retirada, os tecidos bem escrutinados e limpos na caixa torácica e eliminar o máximo de pele possível...depois é bombardeada com muita radioterapia. É recomendado esperar no mínimo 2 anos até que se comece a pensar na reconstrução e nunca insisti nesse sentido com o meu oncologista. Demos quase 3 anos ao corpo e à pele para se regenerar, porque fiquei tão queimada que ainda hoje sei exatamente os limites da zona atingida pela radiação. Churrasquinho :)
Enfim, life goes on mesmo. Já estamos quase no fim do ano, o Natal está aí à porta e já posso voltar ao trabalho na segunda. Retenho dos dias bons as coisas boas e dos dias maus as coisas más. Não me consigo esquecer delas, até porque fazem parte deste caminho que não escolhi, mas que tenho de viver.
Bjinho,
Vera
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
A amarelar
Terminaram as Lovenoxs, o antibiótico e os “pain killers” e
eu cá estou, 11 dias depois da cirurgia e já em regime semi-autónomo.
Para variar, tenho de vigiar as cicatrizes e edemas com
algum cuidado, porque como diz uma certa alentejana, este corpinho esbelto já
está farto de sofrer e demora um bocadinho mais a recuperar das invasões
plásticas. O corpo ainda está pisado, ainda dava umas belas fotos para o
catálogo da United Colours of Benetton, mas não há dores (desde que não
considere que posso fazer tudo o que quero).
Informação útil: estou a "amarelar" :)
Sinto-me mais equilibrada fisicamente e, apesar de repensar
as minhas opções sempre que acordo no recobro toda dorida e zombie, sinto que
estou no caminho certo. Sim, no caminho, porque isto ainda não acabou. Tudo a seu tempo, como deve ser.
Beijinho
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Lovenox
Um Lovenox por dia, não sabe o bem que lhe fazia...menos naquela parte em que tens de espetar a agulha na tua perna!!!
Ps. É apenas enoxaparina, para evitar coágulos após a cirurgia😎
Ps. É apenas enoxaparina, para evitar coágulos após a cirurgia😎
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
Secound round: ouch!
Já no conforto de casa, reitero a posição que assumi
anteriormente em relação às plásticas….submeter-se a invasões destas só para
ficar mais “bonito” pode ser claramente assumido como um sinal de loucura.
Não quero com isto dizer que no meu caso também não exige um
pouco de loucura…ou até bastante se virmos bem as coisas. Poderia ter ficado
com o corpo que o cancro me deixou, mas a verdade é que passando aquele
primeiro impacto de “susto de morte”, a vida faz-nos querer mais qualquer
coisa…nem que o qualquer coisa seja só um soutien completo e uma camisola a
assentar direito.
Piadas à parte, na segunda-feira, pelas 16h entrei para o
bloco, para a segunda grande cirurgia, no que diz respeito à reconstrução
mamária por via de retalho abdominal (aka TRAM). Prevista para demorar mais ou
menos 1h, acabei por sair do bloco já mais tarde, perto das 18h. Sempre bem
recebida no bloco, com uma equipa de enfermagem muito carinhosa…uma delas até
se lembrava do meu TRAM…e da pele em mau estado. Yep, sempre bom deixar boas
recordações nas pessoas.
O que fui fazer desta vez?
Ora pois, cirurgia de simetrização (vulgo "equilibrar o velho
com o novo" ou mastopexia em termos técnicos), retificar algumas cicatrizes e colocar
uns pequenos shots de gordura na mama reconstruída para ficar mais “lindinha”. A
questão é… de onde vem a gordura num corpo não “cheio”?
Lipoaspiração…o segredo de beleza de muitas senhoras. E eu
só vos digo que estou toda pisada. Parece que fui atropelada por um camião. O
meu cirurgião escarafunchou os flancos e costas à procura da bendita gordurinha
boa…e pelas marcas que deixou, deve ter sido uma aventura.
Felizmente eu estava a dormir. Mais uma anestesia geral,
mais uns meses de falhas de memória, nomes que me vou esquecer, coisas que não
me vou lembrar de fazer…
Acordei bem da cirurgia e da anestesia, se bem que a noite
no hospital foi algo premonitória. Acordei, para variar, de madrugada cheia de
sangue…revivi o filme dos pontos rebentados imediatamente, mas não era nas
mamas felizmente, eram só uns buraquinhos da barriga a “verter”.
Às 6 da manhã vem a medicação e o barulho dos carros na rua
e lá se vai o sono de beleza. Ao contrário da cirurgia anterior (que envolveu o
corte na barriga), desta vez levantei-me suavemente com a ajuda do enfermeiro,
sem desmaios nem quebras de tensão súbitas. Conseguir ir ao wc é uma vitória.
Quando o médico me vem ver de manhã, vi no olhar dele que
algo não estava bem...a mama “velha” estava estranhamente volumosa. Já o tinha
sentido quando acordei, mas pensei que fossem paranóias da minha cabeça. Com
tanto medo de formar hematoma ou seroma, pensei que estava a imaginar coisas,
mas não estava mesmo. Tenho de vigiar bem, tentar colocar algum gelo e caso
note mais alguma alteração a nível de cor ou volume, tenho de ir ter com o
médico para ele “aspirar”…esta palavra até me deu arrepios….aspirar???
Dormi mal esta noite e não foi só pelas dores nas costas,
bacia, barriga e afins… acordei umas 4 vezes para colocar pomada e ver como
estava a evoluir. Parece que não houve evolução no sentido negativo, o que é
muito bom neste momento. Nem tudo corre bem à primeira, pelo menos comigo. Tem
de haver sempre esta emoção.
Com a minha mãe a querer alimentar-me tipo ganso na França,
apenas posso dizer que na próxima lipoaspiração, já devo ter gordura para mais “shots”
de gordura.
Obrigado pelas mensagens de apoio.
Beijinho
Vera
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