terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Miau...

Gatos...nunca fui fã de gatos.

Lá por casa havia imensos animais, nunca gatos. Não havia empatia familiar com esses bichanos nessa altura e nunca a criei desde então. Aliado a isso, sou alérgica ao pêlo dos bichos, farto-me de espirrar e fico mesmo aflita se estiver em casa de alguém com gatos. Nada a ver com a limpeza da casa, note-se. Basta o bichano ter andado por lá que a minha real penca dá por ela e desata a espirrar.

Mas pronto, hoje abro uma exceção para a Troubles. Durante o tratamento do cancro, fez questão de se aliar e demonstrar o seu apoio. Agora, nesta fase de reconstrução da normalidade, não é que a bichinha conseguiu transmitir novamente uma bela mensagem e sempre em inglês :)

Digam lá que quem tem amigas destas não é feliz, mesmo com uns atchins pelo meio?
Love you Sisse.


Bjinho,
Vera

Ps. Amanhã é dia de tirar os pontos...fingers crossed, please!

sábado, 3 de fevereiro de 2018

3ª cirurgia


Mais uma cirurgia, desta vez já com o pensamento que é a última (ou deve ser a última consoante os resultados). Aperfeiçoamentos a fazer nestas situações há sempre, mas também temos de saber quando parar, não vá virar uma plastic freak.

Dei entrada no Hospital dos Lusíadas às 7h30, saí por volta das 13h. Quase mais rápido ir ao bloco operatório do que ir às compras. Implicou mais uma anestesia geral, mas bem mais leve desta vez, até porque o tempo no bloco foi bem mais reduzido do que nas vezes anteriores. Demos uns últimos retoques, em jeito de bate-chapas a recuperar uma amolgadela de um carro novo e, tirando um outro acrescento ainda a fazer em breve, vamos dar por encerrada esta fase de reconstrução da mama. É impressionante o trabalho do cirurgião plástico, este esforço para manter na mulher mastectomizada a sensação de pseudo-normalidade.

Perguntaram-me muitas vezes, diretamente, porque estava eu a sofrer isto tudo só por causa de uma mama. Tanta gente que vive só com uma mama, ou sem as duas…seria pelo marido…pela filha…pela sociedade?

Não, foi por mim mesmo, e talvez, em segundo plano, um pouco pela Rita, porque na altura da mastectomia lhe disse que depois o médico fazia outra mama. Era preciso desvalorizar aquele ato naquela altura, tendo ela 4 anos.

Porque passar por 3 cirurgias, duas incluindo lipo-aspirações, para agradar a outros seria mais um sinal para me internarem. Estas coisas doem, deixam-nos todas pisadas e cheias de nódoas negras. Como raio fazem isto só para ficar sem as banhocas? 

 


Tirando o incómodo dos hematomas, os buraquinhos espalhados pela barriga (por onde fazem as lipos) e os pontos no peito, está tudo a correr normalmente e espero recuperar bem melhor e mais depressa desta vez.

Bjinho
Vera 

domingo, 21 de janeiro de 2018

O leite dourado

Antes que julguem que ando para aí a beber "borradinha", o leite dourado é uma bebida super saborosa, de origem indiana, e que facilmente se experimenta em casa, sem sequer precisarem de comprar a mistura já feita, embora facilite imenso quando temos "preguicite" aguda.

Com origem na medicina ayurvédica, esta bebida fortalece o sistema imunitário (dá um certo jeito estes dias cá por casa), é anti-inflamatória, ajuda na digestão e tem um sabor muito agradável.

No meu caso, comprei a mistura já feita da Sonnentor (+-8€) e adiciono apenas a bebida vegetal e um pouquinho de óleo de côco para potenciar a absorção da curcumina.
Experimentem.
Bjinho,
Vera


Se quiserem saber mais acerca do leite dourado:

https://www.jasminealimentos.com/alimentacao/leite-dourado-bebida-de-ouro/

https://www.madebychoices.pt/leite-dourado-golden-milk/ 

https://melhorcomsaude.com/leite-dourado-bebida-pode-mudar-vida/

http://www.heavenlynnhealthy.com/turmeric-latte-golden-milk/

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Receitas cá de casa | Bolinhos de arroz

Pois bem, de nada adianta publicar fotos no facebook e não dizer como faço.
Não invento a roda, apenas tento dar um toque mais saudável às coisas, por mim, pela Rita e pelo pai, ambos gulosos.

A receita original dos bolinhos de arroz implica manteiga, leite de vaca e açúcar branco. Foi principalmente aí que mexi, sendo que mantive a farinha de trigo, apesar de ter mexido também nas quantidades :)

Ingredientes já adaptados:
250 grs de farinha de arroz
100 grs de farinha de trigo
3 ovos
2 dl de leite (usei bebida de arroz)
1 c chá de fermento (ou bicarbonato de sódio)
80 grs de açúcar mascavado
80 grs de óleo de côco da Prozis (tem de ser, não é?) ou manteiga de côco da Vaqueiro
raspa de 1 limão
1 pitada de sal

Mexer o açúcar, o óleo e a raspa do limão. Adicionar os ovos um a um e mexer sempre.
Adicionar o leite em fio e envolver as farinhas, fermento e sal. Envolver tudo e deixar descansar 1h.
Depois é só colocar em forminhas de cupcake ou em formas cilíndricas (encher até 2/3), sempre ficarão mais parecidas com os que se compram nas pastelarias. Polvilhar com um bocadinho de açúcar mascavado e levar ao forno 20-25 minutos, a 200º.

Aqui os de casa podem não estar tão bonitos e altinhos, mas os "provadores" aprovaram. Na próxima talvez coloque mais um bocadinho de gordura ou deixe estar menos tempo no forno para ficarem mais húmidos. Deu para uns 20 bolinhos!


Bjinho
vera

Quase no fim


O ano de 2017 está quase a terminar. Para mim, em especial, mais um ano significa vida e esperança...de dezembro de 2013 com um diagnóstico de cancro violento a dezembro de 2017 com a vida a correr quase normalmente e a refazer-me das "feridas de guerra".

Parece que começou ainda ontem, mas a verdade é que, dia após dia, a vida corre  e leva o seu rumo, como bem quer e entende. Não nos cabe a nós decidir o seu rumo, apenas vivê-la o melhor que podemos e sabemos.  Conheço muita gente que ainda se julga capaz de a dominar e de decidir o seu rumo, como se de um deus poderoso se tratasse. Não invejo essa gente…um dia aprenderão a viver um dia de cada vez.

Assim espero o meu 2018. Com muita saúde, um dia de cada vez, para todos.


Bjinho e bom 2018

Vera

Ps.- Consulta de rotina correu bem, apesar de estarmos já a ponderar um novo tratamento preventivo para "atrasar" os efeitos secundários da medicação hormonal. É caso para dizer que vou voltar a meter para a veia daqui a uns tempos, mas o que tem de ser, tem muita força :)

sábado, 25 de novembro de 2017

O tal do ministro!

Reconheço que pode não ser bem verdade, que por vezes o jornalismo interpreta as declarações, adapta-as a um discurso sensacionalista, cujo objetivo é vender. Feito este aparte, quando li a notícia do tal ministro indiano, lembrei-me de alguns nomes menos simpáticos para "elogiar" tal pessoa.

Dizer que ter cancro é uma questão de azar...ok, há cientistas que o dizem e que publicaram inclusivamente um artigo científico  na Science sobre o assunto e que foi muito falado na imprensa, aqui há uns 2 anos atrás (link Público) .

Azar, sim, com azar eu concordo. A sorte não deve querer lá muita coisa quando escolhe alguém para ser injetado com líquidos que destroem a medula, que nos conseguem pôr o estômago em lugares estranhos, que nos fazem sentir sem força sequer para subir um lance de escadas sem arfar.  Acho que a sorte não deve conhecer os prazeres de ser queimado por uma máquina de radioterapia...nem de sofrer com as cirurgias...nem deve sequer saber o que é ter de olhar para a família e dizer que temos cancro. Sim, a sorte não tem nada a ver com cancro. E se diz na Science que é azar, quem sou eu para discordar...

Azar sim, castigo divino é que já me parece um bocadinho exagerado, sr. Ministro!

Bjinho,
Vera

Ps: Fazendo o follow-up da cirugia, continuamos a tratar das cicatrizes e estamos agora mais alerta a outra situação.   Alguns pontos internos decidiram "fagocitar", ou seja, formaram-se pequenos caroços ou cápsulas em volta dos pontos internos e provavelmente estão a acumular "lixo". Vamos dar algum tempo para o corpo se livrar disto, antes de pensar noutras estratégias. Se corresse tudo bem à primeira, não seria mesmo comigo. Deve ser do karma!

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Life goes on

Está na altura de regressar à vida ativa e retomar os meus afazeres. Life goes on, como se costuma dizer.  26 dias depois da mastopexia, é caso para dizer que já não há perigo de queda, ainda que mantenha uma zona com algum hematoma e cicatrizes que me parecem verdes e frágeis, mas ainda vai demorar até me dar a sensação que não vai abrir a qualquer momento:)

Normalmente, o meu cirurgião dá-me um tempo de recuperação indicativo e eu desrespeito-o. Devo estar a ficar velha, o corpo já não recupera como antigamente (antes do cancro e todos os tratamentos) e levo um bocadinho mais a recuperar fisicamente. A sensação de cansaço vai-se atenuando e é preciso agora começar a voltar à normalidade para retemperar energias e vitalidade. A ginástica ainda terá de esperar mais uns dias, porque ainda estamos em fase de "libertação" das cicatrizes e é capaz de ser ligeiramente incómodo andar aos saltos.

Continuarei as massagens de drenagem linfática, com a querida Ágata, que por mais simpática que seja, me consegue assustar quando me deita as mãos em cima. É só uma massagem, de facto. Pena é que incide em cicatrizes e hematoma.

Estamos já em novembro. Este ano vai ficar na memória pelas 2 grandes cirurgias neste processo de reconstrução e de recomeço e no próximo ano espero conseguir finalizar o mesmo, já com intervenções menos invasivas e menos exigentes fisicamente.

Perguntei-me várias vezes se este era o caminho a percorrer, se valia a pena todo o sofrimento físico e psicológico. No fim do processo, darei uma resposta mais assertiva, mas neste momento tinha mesmo de o fazer. Por mim e por todos à minha volta, especialmente a Rita.

Em 2014, pouco antes da mastectomia, expliquei-lhe que o médico teria de tirar a mama, porque o "dói-dói" estava lá dentro. Ela tinha 4 anos, pouco entendia de doenças e de mamas, mas sabia que era uma parte de mim. A olho nu, a mama estava normal, por isso ainda mais estranho lhe parecia. Perguntou se eu ficava sem mama e eu disse que depois o médico fazia outra, quanto acabasse de tomar os "remédios maus".

No cancro de mama inflamatório, não é recomendado que se faça reconstrução imediata. A mama afetada tem de ser retirada, os tecidos bem escrutinados e limpos na caixa torácica e eliminar o máximo de pele possível...depois é bombardeada com muita radioterapia. É recomendado esperar no mínimo 2 anos até que se comece a pensar na reconstrução e nunca insisti nesse sentido com o meu oncologista. Demos quase 3 anos ao corpo e à pele para se regenerar, porque fiquei tão queimada que ainda hoje sei exatamente os limites da zona atingida pela radiação. Churrasquinho :)

Enfim, life goes on mesmo. Já estamos quase no fim do ano, o Natal está aí à porta e já posso voltar ao trabalho na segunda. Retenho dos dias bons as coisas boas e dos dias maus as coisas más. Não me consigo esquecer delas, até porque fazem parte deste caminho que não escolhi, mas que tenho de viver.


Bjinho,
Vera