Um cancro de mama diagnosticado aos 33 anos. Não procuro ser mais do que um exemplo de luta, mais uma "Maria" a encarar olhos nos olhos esta doença. Não sou a primeira, gostaria muito de ser a última mulher com esta doença. Infelizmente, não serei. Mas serei mais uma a dar armas às "Marias" que se virem confrontadas com este desencontro da vida.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020
52 Gy
O caráter raro dificulta o investimento em investigação acerca do cancro inflamatório da mama, mas vai havendo alguma, especialmente nos EUA e há alguns artigos que vão positivamente contrariando as estatísticas e os prognósticos reservados que são associados a este bichinho.
Saiu recentemente mais um artigo acerca da radioterapia pós-mastectomia no tratamento deste tipo de cancro (ver aqui). Felizmente, após o começo conturbado no primeiro hospital, tive a benção de cair nas mãos de um super-médico, que estava a par das recomendações mais recentes para o tratar.
Hoje ao preparar o meu super dossier médico para uma junta médica, deparei-me com as notas e o relatório final da radioterapia. As minhas 26 sessões de radioterapia diária foram intensas, mas vividas com a calma possível, aquela que está intimamente ligada com o "tem de ser".
52 Gy (gray), em frações de 2 Gy, 5 vezes por semana, 26 dias. Segundo o relatório, eu apresentava um "eritema acentuado na parede torácica" no fim das sessões. Segundo a minha memória, era churrasco mesmo e nada agradável, mas nestas lutas, servem todas as armas e algumas são insubstituíveis.
Bjinho,
vera
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
Dores de gente normal
Andei distraída com umas dores de costas que conseguiram colocar a imaginação em altos voos. Uma pessoa normal ponderaria uma queda, mau jeito no desporto, efeito da idade, postura incorreta...está-se mesmo a ver?
Metástases ósseas...claro. No que mais haveria de pensar um sobrevivente oncológico?
É quase como se não tivéssemos direito a dores simples, dores de gente normal. Depois de alguns dias a evitar pensar nas dores, outros tantos a pensar que as inflamações demoram alguns dias a passar, outros em Madrid a tomar anti-inflamatórios na corrida pelos museus, eis que na consulta com o oncologista me queixo e ele, como sempre, ouviu, refletiu e opinou.
Não devendo descurar este tipo de dores minimamente constantes, há que investigar a causa, ou pelo menos, eliminar causas de dor. Pensamento de oncologista = despistar metástases ósseas. É caso para dizer que o nosso pensamento não anda muito desencontrado.
Fiz uma cintilografia óssea de corpo inteiro na semana passada...aparentemente, no meu belo esqueleto nada indicia "malignidades" e o radiofármaco que me injetaram não foi atraído por nenhumas células, pelo que agora pode ser o que quiser....inflamação, postura, idade....whatever, desde que não seja cancro.
Uma consulta de osteopatia entretanto parece ter ajudado e, mais uma vez, acredito que aliar medicinas/ terapêuticas alternativas com as convencionais só nos trará vantagens. Se alguém me vir mal sentada, inclinada para algum dos lados....relembre-me por favor que fazer uma cintilografia é bem menos agradável do que sentar-se corretamente!!
Beijinhos,
Vera
terça-feira, 17 de dezembro de 2019
Dias em que não há paciência
Semana de revisão na oncologia dá sempre azo a uma certa impaciência e intolerância para com certas coisas e certas pessoas.
Como diz o outro, as pessoas boas não são necessariamente burras. Podem ser só boas, adequada e simplesmente boas.
Bjinho
Vera
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
Números que gelam
O medo vai sempre acompanhar-nos, saber lidar com o medo é que nos faz continuar a sorrir, a sair da cama, a trabalhar, a viver! Ter noção destas amargas estatísticas ajuda:)
Vejam a reportagem breve da Sic - "Um terco dos doentes com cancro da mama acaba por voltar a ter a doenca na forma avançada"
Bjinho,
Vera
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
Tamoxifeno
Há 5 anos terminamos a nossa relação. Eu e o tamoxifeno éramos incompatíveis...
Como era "nova"na altura, o Aromasin pareceu-nos mais atraente, ainda por cima acompanhado do Zoladex, com aquele corpo invejável de chorar por mais (lá doer, doeu muitas vezes).
Retomo hoje este velho amor, abandonada que está a fase do Aromasin e Zoladex, que foram sempre fiéis protetores. Desempenharam bem o seu papel, mas é altura de avançar.
Bring it on, tamoxifen. Venham daí mais mudanças de humor, mais dores nas articulações, mais 500 efeitos secundários.
Afinal de contas, alguém disse que não há amor como o primeiro...
Bjinho e sejam felizes.
Vera
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
Outubro rosa
Parece que começou o mês da sensibilização para o cancro da mama. Ideologias à parte, convém mesmo é vigiar e cuidar do nosso corpo todos os dias. Homens e mulheres devem fazer a auto-palpação. Pode salvar vidas, literalmente.
Bjinhos
Vera
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
Besta de cancro
Nunca fui de eufemismos. É cancro...não é o malzinho, a doença, o tumor maligno...chamem-no pelo nome. Consta que ele não gosta de afrontas...
Quando nos conseguimos colocar no lugar da pessoa que acabou de receber esse "presente", caímos de volta no mesmo momento, sentimos o aperto e a sensação de medo e do "porquê eu"...e milésimos de segundos depois, estamos a passar energia positiva, a cuidar de dar esperança e a disponibilizar-nos para ouvir, falar ou o que quer que precisem.
Não vale a pena procurar o porquê. Há quem diga que é o destino, o karma, o azar, a genética, entre outros pseudo-culpados. Importa agora somente o quando e como o vamos atacar, para o ultrapassar. O resto fará parte da história, da nossa história
Bjinho
vera


