quarta-feira, 21 de março de 2018

Illiabum & felicidade


No fim de semana passado, a Rita viveu uma das grandes emoções da sua vida.
7 anos de gente desta mini-ilhavense, que sente Ílhavo e o Illiabum como seus, como se a herança do mar e da história de Ílhavo já lhe pesassem no corpo.

Ela, que se diz ser a única verdadeira ilhavense cá em casa, tem um amor ao clube onde joga basquetebol, que muitos poderiam considerar excêntrico, mas no fundo não é. É da personalidade dela.

Assistir aos jogos em casa e alguns fora, na medida do possível, é um prazer para ela. Não precisa de ser sempre a equipa sénior. Gosta de ver todos, até outras equipas, logo que haja bola e cestos. O travão temos de ser nós a colocar, senão abancamos de vez num pavilhão.

Mas ver os jogos da taça, em Braga, num lugar quase dentro de campo (graças à Prozis) e viver aquela intensidade e a entrega da nossa equipa, quase a levou às lágrimas no 3º período, quando o Benfica começou a ganhar terreno. Ela tinha mesmo a convicção de que íamos ganhar e até tinha tido lá uma conversa íntima com o Bom Jesus. Só para garantir que nada corria mal.

Correu bem, muito bem. Fizemos a festa no meio dos VIP’s, que pouco se manifestavam, até porque muitos nem o podiam fazer...árbitros, membros da federação, etc...
 
Ouvíamos, em tom baixinho, elementos de uma outra equipa vencida no dia anterior a torcer pelo Illiabum, outros a ficarem espantados com os nossos jogadores, tão jovens e tão maduros ao mesmo tempo.

O sítio era ótimo para se assistir ao jogo, mas faltou-nos o aconchego dos adeptos amarelos e roxos, aquele poder que emanava da bancada chegava cá abaixo e impressionava pela sinceridade do “acreditamos em vocês”.

Foi bonito o jogo, a festa, a receção na rua e no pavilhão. A Rita celebrou e juntou-se ao seu treinador e equipa em delírio. Apareceu nos jornais, tipo emplastro no meio da equipa, a sorrir com aquele ar de felicidade pura e inocente.

A taça é da equipa com todo o mérito, mas foi partilhada com os adeptos pequenos e grandes. E nós agradecemos e lá estaremos na sexta.

Bjinho
Vera

Ps. Um post sem falar de cancro, cirurgias ou alimentação...espetáculo!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Eu e as juntas

Na minha primeira comparência a uma junta médica em 2014, saí incrédula...aquele "então, tem cancro" caiu-me assim um bocadinho mal...nem sei como contive a minha língua de refilona...não, meus amigos, estou careca, amarela e com o corpo em guerra porque me apetece. É fashion!

Calei-me, engoli em seco e respondi que sim...mas talvez os olhos tenham dito o resto. Da maneira que andavam vidrados com a quimio, talvez até isso se tenha encoberto. Várias juntas se somaram a esta, mas já com menos esplendor.

Hoje fui a uma nova junta...quatro anos depois, num sítio diferente, o mesmo estilo. O mesmo aglomerado de gente, uns com cara de doentes, outros com ar de perfeita saúde (tipo eu), uns a olhar para o relógio, uns a queixar-se da chuva, outros do sol, outros da vida e dos atrasos constantes neste tipo de "eventos".

A prova foi superada com o sucesso que se espera nestas coisas...mas a reter a parte da conversa sobre onde me tinha tratado, o que tinha feito e onde era seguida atualmente....ui, que snob lhes devo ter parecido. A moça sabe o que fez, sabe o que deve fazer a longo prazo, sabe que medicação faz, sabe os efeitos secundários e sabe as estatísticas...até sabe o que o oncologista escreveu no relatório clínico....sim, sei tudo. Só não sei os números do euromilhões :)
Afinal de contas, é a minha vida que está em jogo, certo?

Saí com a promessa de voltar em 2020.
Promessas são para cumprir.

Bjinho,
Vera

PS.

terça-feira, 6 de março de 2018

Dia 7 de março

O dia 7 de março é importante para mim.

Faz hoje um ano que fiz a primeira cirurgia de reconstrução...e sinceramente parece que foi ontem. Nem parece que entretanto já fiz mais duas. Lembro-me do sufoco de querer tossir e ter medo das dores, dos pontos rebentados, dos pensos intermináveis, das fibroses, das imensas m***** que correram menos bem...e de repente passou 1 ano.

Bem, estou de parabéns, ou pelo menos parte do meu corpo está!

Amanhã, ou melhor, daqui a umas horas, consulta de cirurgia plástica para avaliação da última intervenção e definição do próximo passo. São sempre processos demorados, com cicatrizações delicadas e a pressa é inimiga da perfeição, por isso façamos as coisas com calma.

Mas o dia 7 de março também me traz bons "feelings". Hoje a nossa tia Sisse faz anos!
É uma princesa espetacular. Toda a gente devia ter uma assim na sua vida!

Muitos parabéns Sisse!

Como não pode haver fotos da "outra aniversariante", oh nós tão lindas no teu casamento!

setembro de 2014

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Miau...

Gatos...nunca fui fã de gatos.

Lá por casa havia imensos animais, nunca gatos. Não havia empatia familiar com esses bichanos nessa altura e nunca a criei desde então. Aliado a isso, sou alérgica ao pêlo dos bichos, farto-me de espirrar e fico mesmo aflita se estiver em casa de alguém com gatos. Nada a ver com a limpeza da casa, note-se. Basta o bichano ter andado por lá que a minha real penca dá por ela e desata a espirrar.

Mas pronto, hoje abro uma exceção para a Troubles. Durante o tratamento do cancro, fez questão de se aliar e demonstrar o seu apoio. Agora, nesta fase de reconstrução da normalidade, não é que a bichinha conseguiu transmitir novamente uma bela mensagem e sempre em inglês :)

Digam lá que quem tem amigas destas não é feliz, mesmo com uns atchins pelo meio?
Love you Sisse.


Bjinho,
Vera

Ps. Amanhã é dia de tirar os pontos...fingers crossed, please!

sábado, 3 de fevereiro de 2018

3ª cirurgia


Mais uma cirurgia, desta vez já com o pensamento que é a última (ou deve ser a última consoante os resultados). Aperfeiçoamentos a fazer nestas situações há sempre, mas também temos de saber quando parar, não vá virar uma plastic freak.

Dei entrada no Hospital dos Lusíadas às 7h30, saí por volta das 13h. Quase mais rápido ir ao bloco operatório do que ir às compras. Implicou mais uma anestesia geral, mas bem mais leve desta vez, até porque o tempo no bloco foi bem mais reduzido do que nas vezes anteriores. Demos uns últimos retoques, em jeito de bate-chapas a recuperar uma amolgadela de um carro novo e, tirando um outro acrescento ainda a fazer em breve, vamos dar por encerrada esta fase de reconstrução da mama. É impressionante o trabalho do cirurgião plástico, este esforço para manter na mulher mastectomizada a sensação de pseudo-normalidade.

Perguntaram-me muitas vezes, diretamente, porque estava eu a sofrer isto tudo só por causa de uma mama. Tanta gente que vive só com uma mama, ou sem as duas…seria pelo marido…pela filha…pela sociedade?

Não, foi por mim mesmo, e talvez, em segundo plano, um pouco pela Rita, porque na altura da mastectomia lhe disse que depois o médico fazia outra mama. Era preciso desvalorizar aquele ato naquela altura, tendo ela 4 anos.

Porque passar por 3 cirurgias, duas incluindo lipo-aspirações, para agradar a outros seria mais um sinal para me internarem. Estas coisas doem, deixam-nos todas pisadas e cheias de nódoas negras. Como raio fazem isto só para ficar sem as banhocas? 

 


Tirando o incómodo dos hematomas, os buraquinhos espalhados pela barriga (por onde fazem as lipos) e os pontos no peito, está tudo a correr normalmente e espero recuperar bem melhor e mais depressa desta vez.

Bjinho
Vera 

domingo, 21 de janeiro de 2018

O leite dourado

Antes que julguem que ando para aí a beber "borradinha", o leite dourado é uma bebida super saborosa, de origem indiana, e que facilmente se experimenta em casa, sem sequer precisarem de comprar a mistura já feita, embora facilite imenso quando temos "preguicite" aguda.

Com origem na medicina ayurvédica, esta bebida fortalece o sistema imunitário (dá um certo jeito estes dias cá por casa), é anti-inflamatória, ajuda na digestão e tem um sabor muito agradável.

No meu caso, comprei a mistura já feita da Sonnentor (+-8€) e adiciono apenas a bebida vegetal e um pouquinho de óleo de côco para potenciar a absorção da curcumina.
Experimentem.
Bjinho,
Vera


Se quiserem saber mais acerca do leite dourado:

https://www.jasminealimentos.com/alimentacao/leite-dourado-bebida-de-ouro/

https://www.madebychoices.pt/leite-dourado-golden-milk/ 

https://melhorcomsaude.com/leite-dourado-bebida-pode-mudar-vida/

http://www.heavenlynnhealthy.com/turmeric-latte-golden-milk/

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Receitas cá de casa | Bolinhos de arroz

Pois bem, de nada adianta publicar fotos no facebook e não dizer como faço.
Não invento a roda, apenas tento dar um toque mais saudável às coisas, por mim, pela Rita e pelo pai, ambos gulosos.

A receita original dos bolinhos de arroz implica manteiga, leite de vaca e açúcar branco. Foi principalmente aí que mexi, sendo que mantive a farinha de trigo, apesar de ter mexido também nas quantidades :)

Ingredientes já adaptados:
250 grs de farinha de arroz
100 grs de farinha de trigo
3 ovos
2 dl de leite (usei bebida de arroz)
1 c chá de fermento (ou bicarbonato de sódio)
80 grs de açúcar mascavado
80 grs de óleo de côco da Prozis (tem de ser, não é?) ou manteiga de côco da Vaqueiro
raspa de 1 limão
1 pitada de sal

Mexer o açúcar, o óleo e a raspa do limão. Adicionar os ovos um a um e mexer sempre.
Adicionar o leite em fio e envolver as farinhas, fermento e sal. Envolver tudo e deixar descansar 1h.
Depois é só colocar em forminhas de cupcake ou em formas cilíndricas (encher até 2/3), sempre ficarão mais parecidas com os que se compram nas pastelarias. Polvilhar com um bocadinho de açúcar mascavado e levar ao forno 20-25 minutos, a 200º.

Aqui os de casa podem não estar tão bonitos e altinhos, mas os "provadores" aprovaram. Na próxima talvez coloque mais um bocadinho de gordura ou deixe estar menos tempo no forno para ficarem mais húmidos. Deu para uns 20 bolinhos!


Bjinho
vera