segunda-feira, 20 de maio de 2019

Revisão dos 63...

Na minha última revisão de oncologia, depois de toda a simpatia, lá vieram os 63kgs à conversa e a taxa de colesterol bem acima dos valores pseudo-normais. Acho que só grávida tinha atingido os sessentas...e isso desapareceu passado uns meses.

Como a medicação hormonal tem estes efeitos secundários (entre alguns outros ainda mais desagradáveis), lá terei eu de entrar em modo "regime". Vamos evitar a palavra "dieta" que me fere os ouvidos. Até à próxima consulta, em agosto, baixar ambos os valores e as ordens do Dr. Leal são para cumprir, até porque ele sabe bem do que fala.

De resto, exames todos em conformidade e siga para a frente com isto. Em breve atingirei o que muitos consideram ser a 1ª meta - os 5 anos pós-tratamento. Já????

 É relativa esta contagem e há sobreviventes a contar este tempo de maneira diferente, mas considero, no meu caso e para este efeito a data de conclusão do "tratamento choque" - quimioterapia+mastectomia+radioterapia.

Agosto de 2014 foi uma espécie de libertação, até porque literalmente estava a "libertar" cenas queimadas pela radioterapia (humor negroooo).


Assim tem sido o caminho...


1- Quimioterapia neoadjuvante - início a 8-01-2014

4 ciclos de AC + 12 de Herceptin e Paclitaxel

2- Cirurgia - Mastectomia radical modificada a 17-06-2014
3- Radioterapia - 26 sessões, 10 com bólus

Início a 14-07-2014

4- Herceptin (3 em 3 semanas, 1 ano)

De 05-04-2014 a 31-03-2015

5 - Tamoxifeno (interrompido)

De 01-07-2014 a 7-10-2014


6- Zoladex (1 mensal, 5 a 10 anos)

Início a 8-08-2014


7. Aromasin (diário)

Início a 8-10-2014

...e este caminho vai-se fazendo...primeiro os 5, depois os 10 anos e por aí em diante.

Beijinho e coragem a quem está na luta.
Vera

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Obras e tatuagens

A paciência que temos de ter em processos de reconstrução diz muito sobre nós e sobre os cabelos brancos que vamos ganhando ao longo do tempo. Passou mais de 1 ano desde a última cirurgia, que fiz em fevereiro de 2018. Só hoje fui completar o próximo passo desta "Obra de Santa Engrácia".

Acredito que a pressa é inimiga da perfeição, por isso dar tempo ao corpo para recuperar e cicatrizar bem é o ideal para o corpo, mas nem sempre para a mente.

Passo nr. 4 da obra concluído, tatuagem feita e a precisar agora de algum tempo para cicatrização e normalização da pele. Ainda ficam a faltar uns retoques no estuque, mas Roma não se fez num dia. So far, so good!



Obrigada Orfeu, não só pela tatuagem, mas pelo carinho e à vontade que me fez pensar voltar aí um dia para esconder a entrada extra que me abriram para a quimioterapia. Para se ser um bom profissional, também é preciso ser um bom ser humano e esses, felizmente, vou encontrando ao longo desta minha jornada.

Bjinho,
vera


segunda-feira, 25 de março de 2019

A proximidade que importa

Hoje fui à farmácia comprar a minha medicação e saí de lá com um sorriso nas trombas, mesmo depois de ver a conta.

A farmacêutica perguntou se estava tudo a correr bem e disse-me, com um sorriso, que eu já devia estar quase a chegar ao 5º ano pós-cancro. Associou-me, desde o início do cancro, à idade do filho e por isso sabia que já lá iam mais de 4 anos de tratamento hormonal.

Foi bom sentir esse carinho de alguém com quem me cruzo apenas 1x por mês. Andamos sempre a correr de um lado para o outro e perdemos tão pouco tempo a mimar e a cuidar.

Entretanto, no meio das correrias, deixei prescrever a receita para a vitamina D...agora vou mesmo ter de tostar à hora de almoço um bocadinho, todos os dias, senão não consigo sair do "défice".




terça-feira, 5 de março de 2019

Falar sobre cancro

Falar sobre cancro...pois!
Falo muito sobre o cancro, seja o meu ou outros. Conheço intimamente o meu e dou uns toques acerca de outros. Muita informação inútil neste cérebro!

Muitas vezes, no momento do diagnóstico, depois de passar aquele primeiro susto, precisamos de ouvir experiências, pessoas reais que saibam entender o medo e o pavor do desconhecido e da incerteza. Tenho falado com algumas pessoas, a maioria provavelmente não devo ter o prazer de conhecer pessoalmente pela distância que nos separa. Mas isso não significa que não seja criado um laço com essas pessoas. São laços virtuais, muitas vezes mais fortes que muito físicos.

Nesta minha aventura, conheço também casos mais próximos, que me fazem pensar na injustiça na distribuição dos cancros. Não sei quem a faz, mas devia repensar seriamente a sua estratégia!

Se com dois dedos de conversa e um chá conseguimos ajudar alguém, se os conseguimos ajudar a tranquilizar, sabe bem. Ficamos a pensar em como podemos ser úteis aos outros, como quando um dia alguém o foi para nós.

Não há nada que garanta que vai correr bem, nem ninguém o pode assegurar, eu muito menos. Mas quando sei que estão a ser tratados, ou vão ser tratados, pela equipa que me segue, fico simplesmente aliviada e feliz pelas pessoas. Os anjos da guarda podem ser partilhados, afinal de contas.

E sei que o Dr. Leal, a Dra. Teresa, a enfermeira Maria José e a Licínia de tudo farão para que te sintas sempre bem enquanto por lá andares, querida L.

Agora vamos a luta!

Bjinho
vera

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Rosnar e sorrir

Tenho andado cansada, demasiado abstraída para sentar e escrever, que tanta falta me faz. Aliado a isso, o meu "Airzinho" morreu há uns dias, daquelas mortes que não tem ressurreição possível.

Vá lá que foi nas mãos do Nuno...se fosse nas minhas, ainda hoje estava a ouvir as piadinhas. Sim, porque "eu" dou cabo das máquinas todas, cá em casa tem sido um "ver-se-te-avias" de cenas avariadas e, segundo consta, eu tenho quota parte nisso. Devo ter um dom...o que me vale é a minha capacidade de abstração (ou de ignorar mesmo).

A abstração e capacidade de ignorar, até um certo ponto, são muito importantes, porque existe tanta coisa, boa ou má, a acontecer à nossa volta, que nos consegue desestabilizar, retirar a paz e o equilíbrio que precisamos para viver, e não só sobreviver.

Vou rosnando, sorrindo e ladrando, por vezes, mas enquanto assim for, é bom sinal. Se eu parar de sorrir no meio do rosnar e ladrar, aí sim, a coisa está preta!

Bjinho.
Vera

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Chemo what?

Tenho andado desaparecida, mas continua tudo no bom caminho no que diz respeito ao cancro e à vida pós-cancro. Com o trabalho, as 500 atividades da criança, casa e cenas, os fins de semana rendem pouco e por vezes o cansaço impede que a escrita tome o seu devido lugar.

Pode não parecer, mas passaram 4 anos desde que regressei ao trabalho, desde que o tratamento “choque” terminou.  Olhando para trás, são já imensos textos acerca de mim, acerca do cancro, acerca deste desencontro que ninguém quer ter na sua vida.

Disse-me o meu querido oncologista, em janeiro de 2015, para eu viver a vida normalmente, não me lembrar do cancro constantemente...deixá-lo no ano 2014. A quimio limpou-me a memória e ainda hoje sinto efeitos secundários a esse nível, mas do cancro não me esqueço e acho que fazendo parte da minha vida, não o devo esquecer, devo é saber conviver com o que se passou, o que ainda se passa e o que pode vir a passar, a qualquer momento.



Este mês há revisão. Na próxima semana volto aos meus amigos marcadores e aos abraços sentidos do meu querido oncologista. Sinto-me bem entregue nas mãos dele, cuidada e lembrada. Poderá haver melhor sensação do que é esta quando se trata da nossa saúde?

Bjinho
Vera

Ps: Graças aos fóruns de apoio, com doentes e sobreviventes, familiares ou amigos, tenho conhecido pessoas espetaculares. É bonito, quando estamos dispostos a ouvir alguém e a ajudar, mesmo que nunca possas vir a conhecer a pessoa. 

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

38º aniversário

Daqui a umas horas, celebro o meu 38º aniversário.
É o 5º aniversário relatado neste blog.
São 4 anos pós tratamento.

Fazer anos é  motivo de grande alegria.
Fazer anos significa estar cá e poder festejá-los com a família e amigos.
Fazer anos é sinal de vida que passa, de tempo que se vai passando e nos vai dando a efémera sensação de termos controlo da nossa vida.

Fazer anos é manter o sorriso e a serenidade no olhar, a mesma que trazemos desde bebés.
Sejam felizes!